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Frente Patriótica vai avançar ou morrer na primeira esquina?

Frente Patriótica vai avançar ou morrer na primeira esquina?


A Frente Patriótica ou Unida, a plataforma política que vai juntar a UNITA, o Bloco Democrático e o projecto político PRA-JA Servir Angola cujo objectivo visa colocar o MPLA na oposição em 2022 vai mesmo avançar. A pergunta que não se quer calar é a seguinte: Esta ‘coligação’ terá (mesmo) pernas para andar ou vai afundar na primeira esquina?

Por: Marlita Domingos

Com figuras carismáticas e emblemáticas da política intramuros a Frente Patriótica ou Unida já tem alguns pontos ganhos, sendo que, caso venha a ser liderada por Adalberto Costa Júnior ou Abel Chivukuvuku tem meio caminho andado para o alcance do poder, na medida em que ambos têm carisma para agregar a juventude ao seu redor.

Todavia, analistas ouvidos pelo NA MIRA DO CRIME não preveem apenas flores, a ‘coligação’ que pode vir a ser criada em Agosto ou Setembro com o suporte do Bloco Democrático de Filomeno Vieira Lopes e Justino Pinto de Andrade, pode encontrar alguns espinhos pelo caminho que podem fazer emperrar essa ideia, que, convenhamos, já vem desde os tempos de Jonas Savimbi, com o anuncio da terceira via.

Na visão do jurista e professor universitário Agostinho Paulo, essa Frente Patriótica é um projecto político que tem, no fundo, o desígnio do reforço do processo democrático que há muito precisa de uma nova força para a alternância do poder político em Angola, uma vez que em todo o país os cidadãos clamam por melhores condições sociais e de sobrevivência.

O politólogo Agostinho Sicato, por sua vez, disse que em Angola não há partido político que possa vencer o MPLA sozinho.

“O MPLA, actualmente, domina a administração, domina todo o sistema, domina a CNE, domina as forças de defesa e segurança, domina o dinheiro, ou seja, as instituições financeiras que têm o poder de quase tudo. Portanto, pode fazer com isso tudo o que bem entender se sentir que o poder está ameaçado ou se os seus interesses estão ameaçados”, explicou garantindo que isso, embora a surdina, tem acontecido quando o partido no poder sente que está a perder terreno, usa todos os meios, ainda que sejam fraudulentos, para poder alcançar os seus objectivos.

Por este facto, sustenta, a saída mais airosa para os partidos da oposição é unirem-se nessa frente que está a ser criada.

“E a união deve ser em bloco, com os outros partidos que ainda faltam como o PRS, a FNLA, a APN e até mesmo a CASA-CE se quiserem, de facto, colocar o MPLA na oposição e termos um novo grupo ou partido no poder”.

Pontos positivos

Para poder cilindrar o MPLA – o partido que governa Angola há 45 anos, a frente da oposição que continua a ver outros partidos da oposição no muro, pode contar com alguns pontos positivos enumerados pelos nossos analistas.

Agostinho Paulo aponta a preocupação dos políticos na oposição de unirem-se em prol de uma Angola melhor para todos, tendo em conta, que o MPLA governa o país a 45 anos.

“E, fruto da sua governação selvática, corroeu o tecido social e patriótico cujo arauto nasceu a corrupção e mutilou o futuro de muitos filhos desta pátria, sobretudo, a juventude que clama nas ruas do país por emprego e oportunidades sociais”, apontou

Agostinho Sicato aponta vários pontos positivos que a oposição precisa aproveitar para colocar, definitivamente, o MPLA na oposição, sendo que, nos dias que correm, a oposição só tem uma coisa a dizer: “ou agora ou nunca”.

“Porque são vários factores que estão do lado da oposição, nomeadamente, a separação do próprio MPLA, o partido no poder está fragmentado e dividido em dois, e isto faz com que, esteja fragilizado. Nesse momento, o MPLA pode ser considerado um gigante com pernas de barro e a sua divisão milita sempre a favor da oposição”, notou, para depois acrescentar que a oposição deve aproveitar correctamente este fator negativo para o adversário.

Outro ponto que favorece a oposição, segundo o politólogo, é o facto dos cidadãos estarem a viver em condições muito precárias.

“Os cidadãos já estão cansados das promessas de que o amanhã será melhor e nunca está a ser melhor. Hoje, grande parte dos cidadãos angolanos despertarem para alternância e pedem mudanças”, acrescentou, garantindo que estes factores aliados ao reconhecimento da corrupção e da gestão danosa por parte do MPLA e do anterior governo são mais do que suficientes e que militam a desfavor do MPLA e a favor dos partidos na oposição.

A morte anunciada da frente da oposição

Para o jurista, um dos grandes problemas das coligações em Angola e em África, tem que ver com a falta de patriotismo e do oportunismo dos cidadãos que as constituem que, na maior parte das vezes, apenas buscam interesses pessoais.

“Esses interesses pessoais acabam, muitas vezes, por ditar a regra do futuro destas frentes ou coligações”, disse, garantindo que, em 1992, já havia esta intenção com os candidatos concorrentes as eleições presidenciais daquele ano, por sinal, as primeiras eleições em Angola.

“Lembra-me que Jonas Savimbi, líder fundador da UNITA, o pseudo timoneiro da democracia, juntou vários entre eles, Álvaro Holden Roberto, Mateus Cassete Paulino Pinto João, Anália de Victória Pereira, para a criação de uma frente como esta, mas acabou por não vincar por causa dos interesses pessoais”, apontou.

Agostinho Sicato disse que os pontos fracos são a desunião que existe nos partidos políticos, sendo que, sente-se que existem poucos fóruns de diálogos onde são discutidos assuntos de interesse nacional e se tomam decisões importantes que influencie o alcance do poder, demonstrando, por isso, que cada partido tenha uma agenda particular.

“O maior ponto fraco é a desconfiança entre os partidos políticos, sendo que, minou-se a relação entre os partidos políticos na oposição.

A UNITA não confia no PRS, a UNITA não confia na CASA-CE, a UNITA não confia na FNLA, o PRS não confia na UNITA, a FNLA não confia na UNITA, a APN idem”, apontou, garantindo que, por mais que os lideres passem uma mensagem de que a um contacto, tal como aconteceu em tempos idos, isso não passou disto mesmo.

Outrossim, avança o jurista Agostinho Paulo, é que existem no seio destes grupos pessoas infiltradas pelo regime para importunar o êxito de projectos com esta índole.

Adalberto pode liderar a Frente Patriótica

Agostinho Paulo não tem dúvidas de que o futuro cabeça de lista para a Frente Patriótica será o líder do ‘Galo Negro’, Adalberto Costa Júnior.

“Mas pela composição do grupo, o cidadão Adalberto Costa Júnior poderá ser coadjuvado pelo líder do Projecto Político PRA-JA, indeferido pelo Tribunal Constitucional, Abel Epalanga Chivukuvuku, um populista de grande convicção política e antigo líder da CASA-CE que também é um dissidente da UNITA.

Já o politólogo Agostinho Sicato, prefere ser mais calculista, embora reconheça as valências de Abel Chivukuvuku que em dois pleitos eleitorais somou pontos bastantes positivos para a coligação CASA-CE, tendo na primeira ocasião conseguido oito deputados e na segunda dobrado este número.

“O Dr. Abel Chivukuvuku tem um capital político invejável e conhecido, tem uma tragectória politica por todos conhecida e é um activo importante na política nacional.

Portanto, tem experiência neste campo, participou em dois pleitos eleitorais como candidato pela CASA-CE logrou resultados bastante importantes para a única coligação de partidos em Angola a 100 porcento”, esclareceu, apontando como exemplo os 16 deputados conseguidos nas eleições de 2012 e 2017.

Em relação ao Presidente da UNITA, Sicato aponta que Adalberto Costa Júnior é uma peça nova no exercício da participação política, no que diz respeito a concorrência na Presidência da Republica embora não seja um activo novo na política angolana.

“É um indivíduo que actualmente tem a popularidade muito alta, hoje, é o indivíduo, em princípio, de quem mais se fala em Angola e isso é fundamental”, notou, para depois dizer que, dia após dia, os níveis de popularidade do líder do ‘Galo Negro’ tendem a aumentar.

Embora Filomeno Vieira Lopes seja um político conhecido na nossa ‘praça’ Agostinho Sicato prefere apontar Abel Chivukuvuku e Adalberto Costa Júnior como os que mais chances têm para liderar a Frente Patriótica que em Setembro pode deixar de ser uma ideia para passar definitivamente à pratica e incomodar bastante o MPLA.

Por este facto, Agostinho Sicato não tem dúvidas de que a Frente Patriótica de Adalberto, Chivukuvuku, Filomeno e Justino Pinto de Andrade possa, efectivamente, colocar o MPLA na oposição em 2022.

“Parece-me uma força determinada o suficiente e que pode fazer diferença. Portanto, olho com normalidade essa força e acredito que os seus actores e proponentes têm capacidade para fazê-lo”, vincou.

CASA-CE, PRS e FNLA: Oposição de faz de conta?

Entretanto, ao ver a CASA-CE, o PRS e a FNLA em cima do muro sem apoiar a Frente Patriótica que pretende colocar o MPLA na oposição, o jurista Agostinho Paulo garantiu que em Angola existem dois tipos de oposição:

“uma têm a missão de manter o seu status quo, fazendo oposição do faz de conta e a outra têm, de facto, ambição do alcance do poder e salvar Angola do marasmo que se encontra”.

Na sua visão, o Partido de Renovação Social de Benedito Daniel, a CASA-CE e a Frente Nacional de Libertação de Angola de Lucas Ngonda, são partidos sem vocação de poder e sem projecto patriótico.

“Estes são apenas uma forma de mercantilizar a política Nacional”, apontou.

De referir que Abel Chivukuvuku garantiu recentemente que os preparativos para que este projecto político seja uma realidade estão a ser ultimados, tendo apontado o mês de Setembro como data limite para a formalização da “Frente Patriótica Unida”.

Adalberto Costa Júnior, por sua vez, revelou que ainda não se sabe quem vai liderar a Frente “TRIPARTIDA”, mas levantou a possibilidade de ser Abel Chivukuvuku ou ele próprio a ocupar a Presidência, nomes que o MPLA, tal como tem sido apontado nos círculos políticos nacional, como sendo ‘pedras’ no sapato de João Lourenço, que terá de suar as estopinhas para vencer o pleito que se avizinha.

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