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Advogado considera que justiça angolana está a ser transformada em instrumento de propaganda política

Advogado considera que justiça angolana está a ser transformada em instrumento de propaganda política


O renomado advogado angolano, Sérgio Raimundo, que tem em mãos vários processos de ex-responsáveis públicos envolvidos em crime de corrupção, considera que a Procuradoria Geral da República (PGR), "não precisava fazer tanto espetáculo judicial" em volta do caso do antigo PCA TCUL e da UNICARGAS, Abel Cosme.

Por: Redacção NA MIRA DO CRIME

Falando para a rádio Católica, Raimundo manifestou preocupação face ao processo, e disse que em Angola há uma clara tendência de transformar a justiça em instrumento de mera propaganda politica.

“Parece desnecessário todo aquele alarido criado a volta deste caso. Qualquer órgão encarregue de investigação ou de instrução, deve aferir, antes de qualquer diligência, principalmente de natureza gravosa como esse”, referiu.

No entanto, quem também manifesta o seu descontentamento é o Jurista José António, que entende que a libertação de Cosme é uma medida que pode constituir um fracasso no processo de combate à corrupção e à politica de moralização da sociedade.

Lembra que a Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), órgão afecto a Procuradoria Geral da República (PGR), concluiu, em sede de interrogatório, esta segunda-feira, 27, que o arguido do "caso CNC" em que deveria ter sido julgado com o ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, em 2019, não fugiu do País.

A defesa do antigo PCA da TCUL apresentou provas a PGR  que certificam que Abel António Cosme ausentou-se do País por motivos de saúde.

A Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal decidiu caucionar o arguido com uma fiança no valor de 10 milhões de kwanzas, que segundo fonte da RNA, foi pago de imediato.

O antigo PCA da TCUL é acusado de ter praticado os crimes de branqueamento de capitais, corrupção, associação criminosa e desvio de fundos do Estado, quando desempenhou funções de chefias na UNICARGAS E.P, onde constituiu uma empresa privada de transportes, segundo o Ministério Público.

Abel António Cosme está envolvido no processo Conselho Nacional de Carregadores e deveria ter sido julgado em 2019, tal como foram os réus, Augusto Tomás, ex-ministro dos transportes, condenado a 14 anos, Isabel Bragança, ex-directora financeira a 12, Manuel António Paulo (falecido em 2020) e Rui Manuel Moita, ambos ex-directores do CNC, nas penas de 10 anos de prisão. O réu Eurico Silva, alto funcionário do CNC, foi condenado na pena de dois anos de prisão, mas, com efeito suspensivo.

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