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Comissão Multi-sectorial sem resposta para atender a população que procura vacina contra Covid-19

Comissão Multi-sectorial sem resposta para atender a população que procura vacina contra Covid-19


Em setembro do ano em curso, as autoridades angolanas queixavam-se da fraca adesão da população aos postos de vacinação contra a covid-19, receando que a falta de pessoas colocasse em causa a campanha de vacinação.

Por: Matias Miguel e Carla Nayara

As autoridades sanitárias previam o agendamento diário de 90 mil pessoas para serem vacinadas, mas na prática os números estavam longe das previsões.

Segundo Francisco Furtado, coordenador da Comissão Multi-sectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, em Luanda deveriam ser vacinadas diariamente cerca de três mil pessoas, mas tal não acontecia.

Para resolver o caso, e sem antes estarem preparados para atender o grosso da população, as autoridades sortearam uma viatura e em decreto, foram criadas novas regras para chamar a população aos postos de vacinação.

No entanto, nos dias de hoje,  o que se assiste é uma total desorganização por parte das autoridades, que não criaram postos de vacinação suficientes para atender a população, como consequência, nota-se um ajuntamento nos postos de vacinação, morosidade, falta de organização e desespero por parte de quem quer ser vacinado. E como não podia ficar atrás, surgem os problemas que em muitos casos terminam em pancadarias ou morte.

A título de exemplo, um jovem de 20 anos de idade, de nome André Arnaldo ficou com a cabeça partida, depois que se dirigiu ao posto de vacinação do Zango IV.

Em entrevista ao NA MIRA, o jovem explicou que acordou às 04horas da manhã para conseguir os primeiros lugares na fila, mas nem por isso conseguiu estar entre as primeiras 50 pessoas.

“Aguardei ate às 08horas, tempo que  abriram as portas. Por voltas das 10h00 o espaço ficou muito cheio, entravam e saiam viaturas com pessoas no quintal, sem passarem pela fila, o que precipitou a fúria da população”, contou.

Na troca de insultos entre os guardas e a população, um dos populares desferiu uma chapada ao guarda que ripostou, de seguida alguém lançou uma pedra que embateu na cabeça do jovem e teve que ser suturado de urgência.

Para não ser diferente, um subinspector da Polícia Nacional, chefe da patrulha com a chapa de matricula LD- 54-24-HU, que assegurava o posto de vacinação do Zango IV, conhecido apenas por Afonso, atestou um porrete na boca de um cidadão, causando lhe ferimentos.

O NA MIRA DO CRIME esteve no local e flagrou o momento. Depois de tentar uma conversa com o jovem agredido, o polícia insurgiu-se com contra o profissional de Comunicação Social, recebendo o meio de trabalho, telefone, que só foi possível reaver hora e meia depois, quando interveio o Comandante Municipal da PNA, Subcomissário Kapusso.

Posto de vacinação invadido

Uma outra situação menos boa, aconteceu na manhã de segunda-feira, 04, no posto de vacinação de combate à Covid-19 instalado na Casa da Juventude, em Viana, onde a população invadiu o local.

A confusão, segundo constatação, se registou no portão principal de acesso ao interior do centro, apesar da intervenção dos efectivos do Comando Municipal de Viana da Polícia Nacional.   

Deficientes e idosos na luta pela vacina

No mesmo local, encontramos vários deficientes e idosos na luta pela vacina. Teresa Domingos de 60 anos de idade, disse a nossa equipa de reportagem que estava naquele local desde às 05h00.

“Repare que são 10horas e ainda não tenho a certeza se serei atendida ou não, mas estou entre as primeiras 200 pessoas”. João Cândido, deficiente físico, disse que chegou ao local às 5h10 minutos. “Temos cinco filas, das gravidas, deficientes, mamãe com filhos, segurança privada e pessoas normais”, atirou.

 Um responsável pela vacinação, pediu maior atenção do ministério na entrega de comida aos trabalhadores e aumento do stock de água.

Lembra-se que o Executivo ordenou a obrigatoriedade da vacinação dos funcionários públicos e prestadores de serviços públicos, até ao dia 15 deste mês de Outubro.

Findo o prazo, saliente-se, será obrigatória a apresentação do certificado de vacinação ou do teste negativo para se ter acesso aos locais de trabalho, recintos de festas, restaurantes, escolares e  desportivos. A medida  abrange, igualmente, os cidadãos com 18 anos de idade.

C/Rfi

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