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Dirigentes da UNITA temem concorrer com ACJ para não serem rotulados como traidores

Dirigentes da UNITA temem concorrer com ACJ para não serem rotulados como traidores


UNITA— Quem se juntará a ACJ na corrida ao comando do galinheiro? Esta é a pergunta que o mosaico político angolano espera ansiosamente.

Esta quarta-feira, 20, o maior partido na oposição, liderado por Isaías Samakuva, realiza, à porta fechada, a reunião da sua Comissão Política para, entre outros assuntos, marcar a data da realização do XIII Congresso Ordinário, que deverá eleger o Novo presidente.

Por: Lito Dias

Devido à natureza do conclave, até agora, apenas aparece Adalberto Costa Júnior, como candidato praticamente impingido pela maioria.

Os estatutos da UNITA permitem a existência de múltiplas candidaturas à liderança, aliás, como aconteceu nos anteriores congressos.

Mas, este congresso que se prevê, por se tratar da repetição de um outro mal realizado, em 2019, cujas culpas da sua anulação pelo Tribunal Constitucional são atribuídas ao MPLA pela UNITA, nenhum militante, para além de ACJ, deu a cara.

A expectativa é sentida fora e dentro da organização que nega existir crise interna. Mas aqueles que de 2019 a 2021 não foram tidos nem achados ou, por alguma razão, terão sido sancionados, tentam repescar o que resta da sua amizade com Isaias Samakuva.

Note—se que o facto de ninguém pretender concorrer com ACJ, por si só, não significa que exista unanimidade à volta do seu regresso à liderança, mas ninguém pretende afronta—lo para não ser acusado de estar de acordo com a sua destituição ou, noutros olhares, ter contribuído para tal.

Embora seja cedo para que tal aconteça, alguns militantes consideram desnecessário haver múltiplas candidaturas, já que o interesse maior é trazer de volta ACJ "que o povo gosta e o adversário teme".

Tudo isso acontece numa altura em que alguns como é o caso do Presidente Isaías Samakuva, defendem que haja mais de uma candidatura, não apenas para animar a democracia internamente, mas para assegurar a seriedade da eleição.

O que está por se definir é se, até vencer o prazo da sua apresentação, a indefinição sobre o número de candidaturas vai prevalecer.

Seja como for, adianta a fonte, nada vai impedir a eleição do presidente. "Mesmo no tempo do Dr Savimbi, só havia um candidato, mas os militantes tinham a possibilidade de se candidatarem", lembrou.

"Temos traidores"

Tudo aponta não existir clivagens entre membros da Comissão Política, nem mesmo entre membros da direcção do partido, cujo presidente, apesar de estar revestido de poderes, tem à sua volta um staff que tudo faz para fazer cumprir os seus desígnios: tranquilidade, serenidade e unidade.

Depois da UNITA acatar o acórdão do Tribunal Constitucional, as atenções estão viradas para a descoberta daqueles que, mesmo estando dentro do partido, se contentam com a oposição do Tribunal.

"E não são poucos, principalmente em Luanda", garantiu a fonte que revela, por outro lado, a existência de alguns militantes que não têm resistido aos actos de corrupção, supostamente protagonizados pelo MPLA.

"Temos muitos traidores", asseverou. Ao medir, a pulsação junto de alguns membros da Comissão Política, o NA MIRA DO CRIME constatou que a maioria, sobretudo os que vieram do interior do país, defende a reeleição de Adalberto Costa Júnior.

Já em Luanda, a opinião parece dividida, havendo aqueles que crucificam ACJ por "ter mentido até os seus colegas" sobre a perda da nacionalidade.

Estes, embora à boca pequena, prometem fazer tudo para que o candidato do partido nas eleições de 2022 seja Isaías Samakuva.

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