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Atirados a própria sorte: Ex-moradores da Ilha de Luanda atirados em casebres há 13 anos

Atirados a própria sorte: Ex-moradores da Ilha de Luanda atirados em casebres há 13 anos


Treze anos depois, 2.642 casebres foram construídas numa zona de aproximadamente 4 hectares nas imediações do Zango 1. Os moradores, dizem que são provenientes da Ilha do Cabo, foram apeados pelo Estado em 2009, com promessas de melhores condições de vida.

Por: Matias Miguel 

Luís Artur coordenador da área, diz que está agastado com a situação porque está farto das promessas do governo de Luanda.

“A minha estava erguida como deve ser, há 13 anos que o governo destruiu porque dizia que precisava do espaço, prometeram-nos três ou quatro meses em tendas até se resolver a situação, hoje, mais de 10 anos depois, estamos a passar mal”.

O NA MIRA DO CRIME esteve no local e durante a nossa ronda, naquele que parece ser o cartão de visita do Zango, pudemos nos aperceber que aí tudo acontece. Desde a prostituição, venda de estupefacientes (liamba), comercialização de bebidas caseiras e a delinquência.  Artur recordou que em 2009, foram retirados de surpresa e por obrigação.

“Não tínhamos como não aceitar, na altura aqui eram apenas tendas, mas as lonas acabaram com estragar e fomos obrigados a substitui-las por chapas. Nos consideramos população excluída, porque não se percebe como é que o governo destrói às nossas casas e coloca-nos em tendas esse tempo todo, como podes ver, defecamos em sacos, saneamento básico? Já esquecemos esta palavra, falar de água e luz para nós pertence ao passado”, lamentou.

De acordo com o responsável, durante o dia as pessoas não conseguem permanecer no interior dos casebres, devido ao sol. De noite, é o contrário, faz muito frio. Então a população convive com este dilema.

Delinquência

Segundo o nosso entrevistado, a delinquência na zona é considerada alta, mesmo estando nas barbas da Polícia.

“Aqui a delinquência não tem idade, crianças de nove anos já fazem parte de grupos organizados, algumas vezes são mandados para provocar, outras elas mesmas actuam por conta própria”, reportou.

Os pontos críticos dos assaltos, de acordo com o coordenador, são a rua da OMA e junto a vala de drenagem que está na via principal.

“Eles fazem-se passar por transeuntes, tão logo a presa aproxima-se, agarram-na, empurram na vala e fogem com os seus pertences. Um outro local, é junto a pedonal que está na antiga Shoprite, os horários de assaltos vão das 19h00 às 05h30. É uma perturbação de várias ordens, temos muitos becos perigosos, assalto é o prato de todos os dias, a população é obrigada se recolher às 18h00”.

Prostituição

“A prostituição e a delinquência aqui andam juntas”, atirou, observando que no sábado 20, por exemplo, às 08h00 da manhã, fez-se a remoção de um cadáver de uma jovem que estava junto a casa da OMA.

“Junto a casa da OMA é a base das maldades, é aí onde os bandidos traçam os planos de assaltos, da prostituição, é tudo feito aí, e a Polícia tem conhecimento disso, fazem algumas acções de patrulhamento, mais muito insignificantes”.

O coordenador lamenta ainda a falta de interesse da administração local, que não vê os responsáveis da zona (comissão de moradores) como parceiros.

“Não somos tidos nem achados, eles quando têm alguma coisa para tratar aqui, chegam, fazem e vão embora, não perguntam como estamos organizados”, lamentou.

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