Caso Kamukotele: Família insatisfeita com a pena aplicada ao homem que assassinou padrasto, irmão - Na Mira do Crime
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Caso Kamukotele: Família insatisfeita com a pena aplicada ao homem que assassinou padrasto, irmão e primo 

Caso Kamukotele: Família insatisfeita com a pena aplicada ao homem que assassinou padrasto, irmão e primo 


Sara Beatriz de 27, de anos de idade, sobrinha do malogrado Kamukotele Anderson, morto com o filho e sobrinho pelo enteado, ficou inconformada com a sentença de 22 anos de prisão aplicada ao algoz. Ela, que é formada em direito, não escondeu o seu desapontamento com a decisão do tribunal, já que a família esperava por uma pena máxima pelo hediondo crime.   

Por: Matias Miguel 

Depois da sentença, lida nesta terça-feira, 10 de Maio, no Tribunal da Comarca de Belas no Benfica, à Sara restou apenas lamentações e, aos prantos, não parava de pedir justiça. 

Ao NA MIRA DO CRIME, Sara Beatriz recordava os bons momentos vividos em harmonia no Bairro do Mártires de Kifangondo, antes de se mudarem para o Condomínio Vereda das Flores, na rua 20.

Wander Forte com nove anos e ela com oito anos, altura em que o tio recebeu Wander em casa vindo com a mãe de uma separação do pai biológico. 

Ela revela que  Wander mostrou sempre um comportamento desviante. "Retirava as viaturas de casa sem autorização por um ou dois dias; roubava dinheiro e outras coisas de casa, ao ponto de perder alguma confiança que tinha sido depositada nele", lembrou, salientando que, apesar de tudo, considerava-o como irmão e os pais achavam que ele estava a viver uma "adrenalina passageira". 

Ela conta ainda que o relacionamento entre ele e o pai, desde que "começou a mexer", ficou maculado, "mas como tinha sempre a cobertura da mãe dele", achava-se que era um mau menor, mas afinal desenvolveu muita ambição e ganância.  

"Honestamente falando, estou traumatizada, não podia ser o Wander a matar o nosso pai", disse, recordando que ele foi sempre uma pessoa reservada, calada, longe de amizades, e as pessoas que o conhecem questionavam o carácter do Wander, "até chegavam a pedir-me para aconselha-lo no sentido mudar de comportamento e passar sorrir um pouco com as pessoas". 

Justiça apresentou muitas debilidades 

De acordo com Sara Beatriz, esta sentença é uma hipocrisia, uma vez que "estamos a ir em busca da verdade". Ela diz haver muitas evidências que mostram que os dois jovens não agiram sozinhos. "Estes jovens encobrem muita coisa; sozinhos, não seriam capazes de matar o pai; falo com muita certeza", afirmou. 

Sara disse mesmo que nos autos,  Ludy demonstrou que foi orientado. "Nós não conhecemos este jovem de lado algum, quando fala do Mistule, o meu irmão também vítima, demos conta que é um falsário", enfatizou, para depois considerar estranho o facto do Juiz absolver os réus no crime de associação de criminosos. "É óbvio que existe uma associação, cujos maiores protagonistas não estão no processo", acusa. 

Para ela, o Tribunal não foi a busca das provas; limitou-se em despachar o processo. "Trata-se de um crime público, tem que se ir a busca das provas, esta história que contam de que mataram um, depois outro eu não encaixo"; precisou, acrescentando que  houve ocultação de muitos factos por parte do Juiz, pois em nenhum momento os arguidos falaram a verdade, desde a primeira sessão até à última das sete sessões. 

Interrogado se estava conformado com a sentença, Celestino Nobre Mutunda, advogado de defesa do réu Ludy, disse a este Jornal disse apenas que tem  que meditar sobre a sentença. "Tenho que ter um tempo, porque estar conformado ou inconformado requer um tempo para meditar. 

De recordar que no dia 23 de Maio de 2021, Edilásio Wander Manuel Fortes, o principal homicida, convidou o seu amigo, Ludy Justino Pinto, para juntos praticarem os crimes, visando roubar 500 mil dólares do padrasto do primeiro.

Para consumar  acto, Edilásio Wander asfixiou o primo até à morte quando foi visto pelo irmão menor de nove. Conta a acusação que tentou convencer o irmão a não contar nada do que viu, e para terminar o seu plano estrangulou-o também até à morte. 

Mas o padrasto dirigiu-se para o seu quarto para descansar, descreve a acusação, quando foi surpreendido pelos dois arguidos que o ameaçaram com duas facas de cozinha e exigiram que entregasse os 500 mil dólares. 

O padrasto tentou defender-se lutando com o amigo do enteado, quando este, em defesa do seu comparsa, lhe aplicou um golpe e em seguida estrangulou-o. 

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