Cidadã que formou quadrilha e mandou assassinar e carbonizar corpo da amiga condenada a 32 anos de prisão
O Tribunal Provincial de Luanda, condenou hoje, a 32 anos de cadeia, a cidadã Ana Patrícia Queiroz, de 42 anos de idade, e o cidadão identificado como Man-Pé, de 29 anos de idade, a pena de 24 anos de cadeia, pela prática dos crimes de agressão física, homicídio e carbonização, ocorrido no bairro Mártires do Kifangondo, Distrito Urbano da Maianga, município de Luanda, em que foi vítima a cidadã Sebastiana de Fátima Rosário dos Santos Neto, de 57 anos de idade.
Por: Carla Nayara
Os factos, narrados em primeira mão pelo Na Mira do Crime, ocorreram por volta das 21 horas do dia 09 de Março do ano em curso, no interior da residência da vítima, localizada no distrito urbano da Maianga, bairro Mártires do Kifangondo, rua da igreja Mesquita.
Os factos
Tudo terá sido planeado ao pormenor pela amiga e cúmplice da vítima de nome Ana Patrícia Queiroz, de 42 anos de idade, que tinha como foco principal os bens da malograda, que estava de malas feitas para os Estados Unidos da América, e tinha em sua posse jóias e dinheiro´, adquiridos depois de ter vendido imóveis para viver condignamente no exterior do país.
A Investigação do SIC apurou que o assassinato de Sebastiana foi devidamente planeado pela acusada, desde o recrutamento dos elementos da quadrilha, a compra de combustível, a introdução dos bandidos na residência da vítima, bem como a informação sobre os bens que a mesma possuía.
Dia da Morte
No dia da acção, Ana efectuou um telefonema para vítima a combinar um encontro na sua residência (residência da malograda).
Inocente e feliz para receber a amiga, a vítima foi surpreendida no momento em que abria a porta, tendo sido imobilizada e os seus algozes colocado um pano que continha gás lacrimogéneo no rosto da senhora, provocando desmaio.
Já no interior de casa, um dos marginais segurou em braçadeiras plásticas e começou por atar os membros superiores e inferiores da vítima.
Com uma almofada, começou a asfixiar a infeliz, para acelerar a morte da senhora. Ana Patrícia, no entanto, terá colocado uma braçadeira plástica no pescoço da amiga, na agonia, a infeliz tentando lutar pela vida mordeu-a no braço.
Este último gesto de quem luta pela própria vida, causou a fúria da mandante que segurou num machado e desferiu um golpe na cabeça da malograda que teve morte imediata.
Apagar as pistas
O Porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe Fernando Carvalho, na altura da apresentação da assassina, explicou que, de formas ao grupo se desfazer das provas do crime, a mandante retirou da sua bolsa uma garrafa de 50 centímetros que continha combustível do tipo gasolina, jogou sobre o colchão onde se achava o corpo da vítima, assim como ao ar condicionado, e jogaram fogo para simular que o incêndio foi o causador da morte da senhora.
Retirada triunfante? De pouca dura…
Na retirada da residência, os marginais levaram um baú contendo diversas jóias em ouro, um cartão multicaixa do BFA com o valor de AKZ: 7 milhões e 900 mil Kwanzas, assim como 4 telemóveis de diversas marcas.
Para o pagamento dos comparsas, avança Fernando Carvalho, a acusada usou o cartão multicaixa roubado, retirou 4 milhões de Kwanzas através de TPAs, em bombas de combustíveis e no Mercado dos Congolenses.
SIC em acção
Após os operacionais terem tomado conhecimento desta ocorrência, desdobraram-se em acções operativas que culminaram, no dia 25 de Março do ano em curso, na detenção dos dois autores do crime.
Detido confessa o crime
Pedro Calomeno “Pedrito”, Man-Pé, morador do Mártires, em exclusivo ao NA MIRA DO CRIME, confessou que na terça-feira, 07, de Março saiu de casa em direcção a rua onde tem realizado jogos de Angofoot. Aí, surgiu a acusada, a bordo de uma viatura de marca Hyundai, modelo Tucson, perguntando-lhe se conhecia a vítima, cujo nome mas conhecido na zona era “Tininha”, Pedrito diz que respondeu que sim, conhecia.
Esta abordagem que seria para uma simples explicação, tornou-se então num sonho para Pedrito, que afinal não passaria de um inferno de longos anos.
O jovem conta que a acusada explicou lhe sobre a viagem da vítima e dos bens que havia na mesma casa, e confessou querer matar a sua amiga e comadre, que era também sua irmã da igreja.
Caso aceitasse a proposta, a garantia seria de 2 milhões de Kwanzas “batidos”.
“Não pensei duas vezes, trocamos os contactos, e ela voltou a ligar na quinta-feira, 09, dia da acção”, recordou o jovem, acrescentando que ele estava apenas com mais um amigo e a mesma mandante trouxe consigo outros dois marginais que completou o quinteto.
Segundo Pedrito, a acção durou 7 horas, sendo que entraram às 19 e só saíram de lá por volta das 2 horas da madrugada.
“Depois de sairmos da residência, dirigimo-nos até a uma bomba de combustível e outros postos, onde começamos a usar os cartões multicaixa e, no dia seguinte, dirigimo-nos até a Vila de Viana onde retiramos a outra parte do dinheiro”, descobriu.
Pedro diz ainda que da quantia combinada levou apenas 1 milhão e 500 mil Kwanzas.
“Faltava a outra parte, mas não tive comunicação com ela, até o dia da minha detenção, isto no dia 23 de Março”.
Ana Patrícia Queiroz ‘jurava’ de pés juntos que era inocente
Entrevistada pelo NA MIRA DO CRIME, a acusada refutou todas acusações que pesavam contra si, esta atitude, foi mal vista por familiares da malograda que estavam no local e acabaram por agredir a senhora, situação que foi prontamente controlada pelo SIC.
No entanto, vale sublinhar que o tribunal absolveu os cidadãos Dorivaldo Paulo e Yuri.










