Golden Place - Agência de viagens acusada de burlar milhões de Kwanzas a clientes
Um cidadão nacional identificado por Daniel de Matos Domingos, de 22 anos de idade, estudante e trabalhador por conta própria, acusa a agência de viagens Golden Place, alegadamente gerida por Dário José Kamaniaco, de o ter lesado em cerca de 2.800.000 Kwanzas, no âmbito de um processo para obtenção de visto para Portugal.
Por: Débora Manuel
Segundo o denunciante, o primeiro contacto com a agência ocorreu em 2025, por intermédio do seu irmão. Inicialmente, foi informado que o processo teria um custo de cerca de dois milhões de kwanzas, valor que poderia ser pago em prestações.
Daniel afirma que, além do valor inicialmente acordado, foi orientado a efectuar outros pagamentos relacionados ao agendamento do visto, acabando por desembolsar 2.157.000 Kwanzas e 150 euros, através de transferências bancárias e pagamentos por TPA.
O jovem afirma possuir contrato celebrado com a agência e comprovativos de todos os pagamentos efectuados.
De acordo com o denunciante, a agência assegurou-lhe que o processo reunia condições para a obtenção do visto. Contudo, após efectuar o pagamento da última prestação, começou a enfrentar dificuldades para obter informações sobre o andamento do processo.
“Depois de pedir uma audiência com o proprietário da empresa, deixaram praticamente de responder às minhas mensagens”, afirmou.
Daniel refere ainda que, durante o processo, lhe foram solicitados novos pagamentos, incluindo 40 mil, 128 mil Kwanzas e 200 euros, alegadamente para corrigir documentos exigidos pelo consulado.
Segundo o denunciante, familiares seus também foram contactados pelos responsáveis da agência para efectuarem novos pagamentos.
O jovem afirma que uma das principais irregularidades ocorreu durante a preparação da documentação financeira exigida pelo Consulado de Portugal.
Segundo Daniel, por não possuir capacidade financeira considerada suficiente para o processo de visto, foi informado de que poderia ser utilizado um extracto bancário disponibilizado pelo proprietário da empresa, com o objectivo de reforçar a demonstração dos meios financeiros exigidos pelas autoridades consulares.
O denunciante sustenta que toda a documentação foi preparada pela Golden Place, incluindo os documentos financeiros.
“Ficámos de nos encontrar às 09 horas, mas os documentos só me foram entregues por volta das 20 horas. Como já estava cansado, recebi apenas um envelope fechado. No dia seguinte apresentei toda a documentação ao consulado sem verificar o seu conteúdo. Eu nunca vi o extracto bancário antes da entrega”, declarou.
Posteriormente, Daniel afirma ter recebido uma notificação oficial do Consulado de Portugal informando sobre a rejeição do pedido de visto.
Segundo o documento apresentado ao Jornal Na Mira do Crime, o Consulado refere que o extracto bancário apresentado continha indícios de falsificação ou adulteração, circunstância que, segundo o denunciante, contribuiu para a rejeição do visto.
Daniel sustenta que tentou resolver o caso directamente com a agência, mas diz que os seus pedidos foram ignorados.
Acrescenta ainda que apresentou participação criminal no dia 18 de Maio de 2026, à Esquadra do Morro Bento.
Entretanto, o Jornal Na Mira do Crime teve acesso à Primeira Notificação emitida pela Procuradoria-Geral da República, no âmbito do Processo n.º 657/026 MP-MB, através da qual o Ministério Público notificou o representante da empresa Golden Place para comparecer no dia 21 de Julho de 2026, às 09h00, junto da Esquadra do Morro Bento, a fim de tratar de assunto do seu interesse.
O denunciante afirma possuir contratos, comprovativos bancários, mensagens, áudios, notificações do consulado e outros documentos que, segundo diz, sustentam as suas alegações.
Segundo Daniel, além do prejuízo financeiro, o caso provocou dificuldades económicas, problemas familiares e impacto na sua saúde emocional.
“Perdi quase três milhões de kwanzas. Fiquei endividado, vi sonhos serem destruídos e ainda enfrento consequências emocionais e financeiras”, lamentou.
O jovem afirma que continua a aguardar uma solução e espera que as autoridades apurem os factos e determinem a eventual responsabilização dos envolvidos.
O Jornal Na Mira do Crime teve acesso e analisou a documentação apresentada pelo denunciante, incluindo contrato celebrado com a agência, comprovativos de pagamento, notificações emitidas pelo Consulado de Portugal, participação criminal, notificação do Ministério Público, mensagens, áudios e outros elementos que, segundo o denunciante, sustentam as alegações constantes da presente reportagem.
CEO da empresa nega as acusações
No exercício do direito ao contraditório, o Jornal Na Mira do Crime contactou o CEO da agência Golden Place, Dário José Kamaniaco, que rejeitou as acusações apresentadas pelo denunciante.
Segundo o responsável, Daniel de Matos Domingos pretende apenas “sujar a imagem da empresa”.
Afirmou que Daniel assinou os termos e condições do contrato e defendeu que, após a entrega da documentação ao Consulado de Portugal, a decisão sobre a concessão ou rejeição do visto compete exclusivamente às autoridades consulares, não podendo a agência ser responsabilizada pelo resultado do processo.
O gestor acrescentou ainda que foi a Golden Place quem tratou dos processos de visto do irmão do denunciante e de outros membros da sua família, que actualmente residem no exterior, facto que, segundo defende, demonstra a credibilidade dos serviços prestados pela empresa.
Questionado sobre as alegações de prejuízo financeiro e das supostas irregularidades apontadas pelo cliente, respondeu: “Não vou estar a ligar para vocês porque acham que devem postar alguma coisa só porque ele se acha lesado”, disse.
Dário José Kamaniaco orientou ainda a equipa de reportagem a contactar o funcionário Pedro, identificado como o colaborador que acompanhou directamente o processo de Daniel.
Contactado pelo jornal, Pedro limitou-se a afirmar: “Irei organizar tudo e já lhe respondo com propriedade”.
No entanto, decorridas 48 horas, o funcionário não voltou a prestar qualquer esclarecimento. Até ao momento, a Golden Place não apresentou ao Jornal Na Mira do Crime documentos que contrariassem as alegações do denunciante nem a notificação emitida pelo Consulado de Portugal relativamente ao extracto bancário questionado.








