Proprietários da Ourivesaria "Kubico do Ouro" denunciam assalto à mão armada com prejuízo de mais de 10 milhões de kwanzas - Mário- Py tem as suas "digitais" no crime - Processo tem o n.º 1790/026-PGR
Os responsáveis da Ourivesaria Kubico do Ouro, situada na Rua B2, bairro Nelito Soares, município do Rangel, em Luanda, denunciam em exclusivo ao Jornal Na Mira do Crime terem sido vítimas de um violento assalto à mão armada, ocorrido no dia 3 de Junho do ano em curso, e afirmam reconhecer entre os autores Mário Manuel da Silva, conhecido por Mário Py ou Mário Mussoluany, recentemente capturado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), por alegado envolvimento em outros roubos, entre eles o assalto à agência do Banco BAI no Rangel.
Por: Débora Manuel
Segundo os denunciantes, o assalto causou um prejuízo superior a 10 milhões de kwanzas e colocou em risco a vida de três pessoas: o proprietário da loja, o seu sócio e uma funcionária. De acordo com o relato prestado ao Jornal Na Mira do Crime, tudo começou dois dias antes do crime, quando um homem identificado como Mário contactou o proprietário da ourivesaria, alegando pretender gravar o nome numa aliança.
O encontro ficou marcado para o dia 3 de Junho. Nesse dia, o suspeito voltou a contactar o proprietário, informando que chegaria mais tarde ao estabelecimento. Sem despertar suspeitas, o proprietário autorizou a sua entrada na loja, onde já se encontravam o sócio e uma funcionária.
Segundo a vítima, poucos instantes depois de entrar no estabelecimento, o homem retirou uma arma de fogo de uma pasta preta e anunciou o assalto. “Disse que aquilo era um assalto e mandou-nos deitar imediatamente no chão", recordou.
Ainda segundo o denunciante, o assaltante chamou um segundo comparsa que aguardava no exterior, tendo este entrado na loja para ajudar a dominar as vítimas. Os dois homens amarraram os três ocupantes com braçadeiras plásticas nos pulsos e nos pés, apontando constantemente as armas na sua direcção.
Durante o assalto, os criminosos apoderaram-se dos seguintes bens, um anel de ouro de uso pessoal; um brinco de ouro; diversas armações de óculos de marcas comerciais; um fio grosso de ouro; um iPhone 11; um iPhone 16 Pro Max; uma aliança de casamento; uma nota de 100 dólares; uma pasta de uso pessoal entre outros artigos existentes na ourivesaria.
Segundo os proprietários, os assaltantes exigiram ainda os códigos de acesso dos telemóveis e do serviço iCloud, impedindo posteriormente a localização dos equipamentos roubados. “Disseram que queriam matar-me, durante o assalto, os criminosos fizeram sucessivas ameaças de morte e disseram que o crime teria sido encomendado por alguém próximo a mim", narrou.
“Ele dizia que a pessoa que mandou fazer isso queria que eu fosse morto, mas que o dinheiro que lhe ofereceram era pouco”, contou. Segundo o denunciante, o suspeito terá afirmado que a pessoa que supostamente encomendou o crime seria alguém conhecido da vítima e com quem já teria realizado negócios.
“Não tenho conhecimento de quem poderia ser. Nunca tive problemas com ninguém”, observou. Após recolherem todos os bens, os suspeitos colocaram fita adesiva na boca das vítimas, trancaram a porta da Ourivesaria e levaram a chave do estabelecimento, deixando o proprietário, o sócio e a funcionária imobilizados no interior da loja.
As vítimas afirmam que, após algum esforço, conseguiram romper as braçadeiras plásticas que lhes prendiam os pulsos e os pés, arrombar a porta do estabelecimento e pediram socorro aos moradores da zona, enquanto os assaltantes já se encontravam em fuga.
Investigação Segundo os denunciantes, embora o sistema interno de videovigilância tenha ficado inacessível após o roubo dos telemóveis utilizados para o seu controlo, foi possível obter imagens de câmaras de segurança de estabelecimentos vizinhos, que mostram o momento da chegada e da fuga dos suspeitos.
Os proprietários afirmam igualmente que reconheceram uma das armações roubadas numa fotografia posteriormente publicada nas redes sociais pela esposa de Mário Manuel da Silva, onde, segundo alegam, o suspeito aparece a utilizá-la.
O caso encontra-se sob investigação das autoridades competentes, no âmbito do Processo n.º 1790/026-PGR, existindo igualmente um processo-crime e diligências relacionadas com o assalto à Ourivesaria Kubico do Ouro.
As vítimas afirmam ainda suspeitar que a informação utilizada para planear o assalto possa ter sido fornecida por um antigo mototaxista que realizava entregas para a empresa, identificado como Mauro Lopes. Contudo, reconhecem que esta suspeita deverá ser confirmada pelas autoridades durante a investigação.
Entretanto, o SIC anunciou recentemente a captura de Mário Manuel da Silva (Mário Py), apontado como um dos presumíveis envolvidos no assalto à agência do Banco BAI no Rangel. Os proprietários da Ourivesaria Kubico do Ouro esperam que a detenção contribua para o esclarecimento do assalto de que também foram vítimas e para a responsabilização de todos os envolvidos.
Vítimas pedem justiça Os proprietários afirmam que, desde o assalto, vivem com receio de regressar às actividades comerciais e continuam profundamente afectados pelo trauma vivido. “Esses homens quase nos tiraram a vida. Só estamos vivos porque cooperámos e entregámos tudo o que tínhamos”, afirmaram.
O grupo manifesta disponibilidade para colaborar integralmente com as autoridades e prestar todos os esclarecimentos necessários ao processo.








