Burlaram mais de 200 cidadãos no Maye Maye - SIC desmantela rede criminosa que se fazia passar por funcionários do Instituto Nacional de Habilitação
O Serviço de Investigação Criminal, através da sua Direcção Nacional de Combate ao Crime Organizado, desmantelou, na centralidade do Sequele, concretamente no Projecto habitacional Maye Maye, uma rede criminosa composta por 04 integrantes, sendo um casal e duas senhoras, com idades compreendidas entre os 32 aos 47 anos, indiciados no crime de burla porque se faziam passar por funcionários do Instituto Nacional de Habitação e recebiam valores monetários entre 350 a 500 mil kwanzas, com promessas de entrega de residências nas centralidades da província de Luanda.
Por: Kihunga Bessa
Trata-se dos cidadãos Antonica Maria Sebastião que se fazia passar por suposta funcionária do governo provincial de Luanda; Carla Nazaré Lopes Curimba, solteira de 32 anos de idade, Vanessa Margarete Antunes da Costa, a principal cabecilha desta rede e um outro cidadão Arsénio Inácio Miguel, de 47 anos de idade, esposo de Antonica.
Os demais faziam-se passar por pessoas próximas de funcionários do Fundo de Fomento Habitacional.
Segundo o Director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do SIC geral, superintendente-chefe Manuel Halaiwa, a detenção dos mesmos foi mediante uma denúncia que foi presente à direcção de combate de crimes organizados que dava conta da existência desta rede que se dedicava à comercialização ilícitas de residências no Maye Maye.
O SIC despoletou acções investigativas que culminaram inicialmente com a detenção do Sr. Arsénio e, posteriormente, os demais integrantes da rede numa altura também que se aventava a hipótese, sobretudo da senhora Vanessa que tem dupla nacionalidade, Angolana e Portuguesa e pretendia, com um grupo, deslocar-se para a República de França por via de uma passagem da República Portuguesa.
Quanto aos modus operandi, aquele responsável avançou que eles recebiam valores iniciais de inscrição ou candidaturas ao projeto Habitacional entre 350 e 500 mil Kwanzas; emitiam estas guias e termos de entrega e passavam outros documentos para credibilizar a candidatura.
De seguida, entregavam ao comprador uma guia de candidatura supostamente passada pela Direcção dos Serviços técnicos Infra-Estruturas do governo provincial de Luanda e, depois, entregavam uma nota de esclarecimento sobre o acesso à unidade habitacional do Estado em Luanda supostamente emitida também pela Direcção Nacional de gestão fundiária habitação do Ministério das Obras Públicas Urbanismo e Habitação.
Davam ainda alguns termos de entrega de habitação emitidos pelo programa provincial de Habitação Social do governo provincial de Luanda, todos falsos.
Defraudaram perto de 211 cidadãos, e alguns destes lesados começaram este processo de aquisição de casa própria no projeto habitacional do Maye Maye, há quatros anos.
"Entregaram os dinheiros e tinham esperança de adquirir residências naquele projeto habitacional, mas que, infelizmente, pela via que utilizaram para acesso a habitação acabaram sendo defraudados os seus recursos sem conseguir as habitações", sublinhou.
Explica ainda que depois do trabalho feito com os cidadãos, foi apreendida uma viatura de marca Kia, modelo Picanto, suspeita de ter sido adquirida com os proventos da acção criminosa e que também em posse destes terem sido encontrados molhos de chaves de algumas residências com numeração mas que, testadas, não abriram nenhuma das residências.
Isabel Agostinho, uma das lesadas, conta que conheceu uma das burladoras por intermédio de uma colega que dizia que a sua amiga tinha possibilidade de aquisição de casas no Maye Maye.
Esta levou-lhe até à casa da mesma que chegou a lhe apresentar a família para não gerar desconfiança.
Assim, conseguiu transferir valor 46 milhões para obter mais de 40 casas para familiares e amigos, tendo recebido garantia de obter as casas no prazo de dois meses.
No entanto, o prazo venceu e as pessoas envolvidas no processo foram prorrogando as datas, alimentando a esperança.
Passados cinco anos, as pessoas envolvidas bloquearam "todo mundo".
Já Vanessa Margarete Antunes da Costa, a principal cabecilha da rede e também reincidente na prática de burlas e que já teve alguns antecedentes, conta que vivia no Sequele, onde chegou a conhecer uma senhora de nome Dona Boa que supostamente foi a gestora do mercado do Sequele, e que também fazia-se passar por funcionária.
Foi ela que a influenciou a entrar neste jogo, e confessa que só ela, durante cinco anos, chegou a burlar cerca de 130 pessoas, mas também já devolveu um total de 5 milhões a alguns cidadãos.
O Porta-voz, aproveitou para apelar as populações que devem sempre usar as vias mais idóneas, as instituições vocacionadas para o efeito para evitarem acções do género.









