Nasceu na Alemanha: Jovem “morre” nas celas da Esquadra do bairro Huambo depois de ser brutalmente espancado pela polícia
O jovem Joel Sacaneno Kitatu foi encontrado morto na morgue do Hospital Maria Pia, 13 depois de ter sido detido por efectivos da esquadra policial do Bairro Huambo, sita no Bairro Rocha Pinto, em Luanda. Segundo relatos de familiares, no dia 10 de Fevereiro, Teresa, uma vendedora de bebidas alcoólicas na praia denominada de Tchuco (Morro da Luz), apresentou queixa à polícia, dando conta que Kitatu contraiu uma dívida de 31.600 Kwanzas, mas que se furtava pagá-la.
Por: Lito Dias
"E como estava embriagado, começou a falar coisas com coisa, tendo a senhora Teresa convidado os seus amigos do núcleo de Investigação de Ilícitos Penais da Esquadra do Bairro Huambo, para persuadir o mesmo no sentido de pagar a divida", contou o tio de Kitatu, Pedro Mayituka, acrescentando que os efectivos do DIIP levaram o malogrado até à esquadra.
Segundo testemunhas no local, inclusive os jovens com quem convivia, os efectivos do DIIP bateram no malogrado desde a praia à esquadra do bairro Huambo, onde ficou detido durante cinco dias, sem um processo-crime, tendo acabado por morrer.
A família, preocupada, tomou conhecimento do caso no dia 23 de Fevereiro de que o malogrado estava detido na esquadra acima referenciada.
No mesmo dia, dirigiu-se à esquadra, onde obteve a informação do chefe de operações e informações da esquadra, Inspector Rufino, segundo a qual no 15 de Fevereiro, Kitatu começou a passar mal e foi levado ao Hospital do Prenda.
Já no Hospital do Prenda, os familiares não foram bem-sucedidos, porque nas entradas não havia o nome do seu familiar.
Cientes de como as coisas funcionam, alguns enfermeiros aconselharam o tio do malogrado a ir à morgue do Hospital Maria Pia, onde o corpo foi encontrado, precisamente na câmara nº 3.
Fontes que contactaram a família deixaram claro que o jovem não resistiu às agressões e morreu mesmo na esquadra.
"Não foi necessário levá-lo ao hospital do Prenda, tal como a polícia fez crer", referiu.
No entanto, para pôr tudo no seu devido lugar, a família resolveu fazer autópsia que concluiu que a morte foi causada por agressões físicas.
As provas, no entanto, foram todas enviadas ao Na Mira do Crime.
"Teve um trauma craniano cefálico, que consta do certificado de óbito", precisou, aliás, esta prova consta do relatório médico em posse deste jornal.
Ainda tentou-se reaver os seus pertences, mas a polícia, já com outra versão da morte do jovem, argumentou que ele foi levado à esquadra pelos amigos e populares, e que estes terão se apoderado de tais pertences.
Este jornal sabe que a vítima, cujo os pais são angolanos, nasceu na Alemanha e estava de passeio em Angola.
A mãe do malogrado, que também reside naquele país europeu, chegou há poucas horas em Luanda, e deve acompanhar o velório que acontece no dia 9 do mês em curso.
A família clama por e justiça, e o Na Mira do Crime promete seguir este caso repugnante.










