Putin ameaça usar armas nucleares se a Rússia for ameaçada e Kasparov pede mais firmeza do Ocidente
O Presidente russo declarou esta quarta-feira (13) que “a Rússia está pronta para usar armas nucleares se houver uma ameaça ao Estado, à soberania ou à independência do país”.
Por: Jap Kamoxi*
Falando à televisão estatal russa, Vladimir Putin disse esperar que os Estados Unidos evitem qualquer escalada que possa desencadear uma guerra nuclear, mas sublinhou que as forças nucleares da Rússia estão prontas.
Questionado se alguma vez considerou usar armas nucleares na frente de batalha na Ucrânia, o líder russo respondeu que não havia necessidade, expressando a sua confiança de que Moscovo alcançará os objetivos na Ucrânia, embora esteja aberto a negociações, Contudo, qualquer acordo exigirá garantias firmes do Ocidente.
"Estamos preparados, mas apenas para negociações que não se baseiem em alguns desejos após o uso de psicotrópicos, mas nas realidades que foram criadas, como dizem nestes casos, no terreno", frisou Putin.
Putin tem repetidamente descrito o Governo da Ucrânia, liderado por Volodymyr Zelensky, como "um grupo de toxicodependentes e neonazis".
Na mesma entrevista, o Presidente da Rússia acusou a Ucrânia de lançar ataques em solo russo numa tentativa de interferir nas eleições presidenciais marcadas para 15 e 17 de Março corrente.
Várias regiões russas, nomeadamente Belgorod e Kursk, na fronteira com a Ucrânia, foram alvo de múltiplos ataques de drones (aparelhos aéreos não tripulados) ucranianos pelo segundo dia consecutivo, tendo como alvo infraestruturas de energia.
Uma refinaria de petróleo foi alvo de um drone esta madrugada, em Ryazan, a cerca de 200 quilómetros a sudeste de Moscovo, num ataque que causou feridos e desencadeou um incêndio, disse o governador regional.
Quase 60 drones atingiram também outras regiões russas, incluindo Belgorod, Bryansk, Kursk e Voronezh, todas na fronteira com a Ucrânia, sem causar feridos, de acordo com as respectivas autoridades regionais.
Voluntários russos que lutam pela Ucrânia também alegaram nesta terça-feira (12) terem-se infiltrado na Rússia e assumido o controlo de uma aldeia fronteiriça na região de Kursk, uma incursão que o exército de Moscovo garantiu ter repelido.
Para Puti, tais ataques podem ser explicados de uma "forma muito simples: tudo isto está a acontecer num contexto de falhas ucranianas na linha da frente".
"No entanto, o objetivo principal, não tenho dúvidas, se não conseguirem minar as eleições presidenciais na Rússia, é pelo menos tentar impedir de alguma forma os cidadãos de expressarem a sua vontade", garantiu o líder russo.
Vladimir Putin, no poder há mais de duas décadas e candidato à reeleição, é o favorito nas presidenciais, na ausência de qualquer oposição.
A eleição deverá manter Putin no poder até 2030, ano em que completará 77 anos, com a possibilidade de um mandato adicional até 2036, graças a uma alteração constitucional feita em 2020.
Kasparov diz que o Kremlin "só entende a força"
O crítico do Kremlin, Garry Kasparov, lenda do xadrez (modalidade desportiva) russo, pediu ao Ocidente para dar um apoio mais firme à Ucrânia na guerra contra a Rússia, alertando que o regime de Vladimir Putin "só entende a força".
"Hoje o Ocidente recusa-se a pronunciar estas três palavras: 'A Ucrânia deve vencer'", frisou.
O opositor exilado, de 60 anos, apontou também a responsabilidade do Kremlin pela morte na prisão, no mês passado, do opositor Alexei Navalny, referindo-se a "um novo marco" na repressão levada a cabo por Vladimir Putin.
Garry Kasparov, nascido em 1963 no Azerbaijão, então uma das quinze repúblicas que formavam a URSS, foi um dos maiores jogadores de xadrez da história, antes de se tornar um feroz opositor de Vladimir Putin.
Em 2013, temendo uma acção judicial, deixou a Rússia e agora vive nos Estados Unidos, onde continua a denunciar o poder russo. Kasparov desafiou os estados ocidentais a incluírem as vozes da oposição russa na campanha internacional contra a invasão da Ucrânia.
"Para derrotar o Putinismo e todas as forças do mal que ele representa, precisamos de uma coligação que inclua uma componente russa como a França Livre de ‘Charles de Gaulle’", sublinhou, em referência ao movimento de resistência do exterior por parte do general francês durante a Segunda Guerra Mundial.
Juntamente com outros dissidentes, Garry Kasparov diz que está a trabalhar para desenvolver um plano para o futuro da oposição russa. "Precisamos de criar a matriz de uma Rússia livre, fora da Rússia, o que chamamos, meio a brincar, uma 'Taiwan virtual'”, explicou.
Mas a oposição russa está fragmentada e a facção de Navalny já discutiu no passado com a de Kasparov.
Novas divergências surgiram nas últimas semanas entre dissidentes russos sobre a melhor forma de expressar oposição ao Kremlin nas eleições presidenciais russas, cujo acto eleitoral decorre entre sexta-feira e domingo próximo, com poucas dúvidas sobre uma nova vitória de Vladimir Putin, não tendo nenhum adversário real sido autorizado a apresentar-se a votos.
Garry Kasparov expressou frustração com o enfraquecimento do apoio ocidental à Ucrânia, pois, a entrar no terceiro ano de conflito, Kiev enfrenta dificuldades na frente de batalha e tem ajuda crucial bloqueada no Congresso dos EUA pela oposição republicana.
Para o antigo jogador de xadrez, as sanções ocidentais à Rússia não deram grande resultado. O Presidente norte-americano Joe Biden "prometeu consequências devastadoras" para a Rússia, mas "onde estão essas consequências devastadoras?", insistiu Garry Kasparov.
"Infelizmente, o Ocidente está atrasado e qualquer fraqueza demonstrada por eles é um convite a Putin para mais agressão", acrescentou, numa entrevista à AFP à margem de uma reunião em Washington do Congresso Mundial da Liberdade, uma coligação de activistas pró-democracia de 60 países.
Para Masih Alinejad, uma dissidente iraniana radicada nos Estados Unidos e que lidera a organização, "da Rússia à Venezuela, da China à África, todos os regimes autoritários e ditadores estão a trabalhar juntos, votando uns nos outros nas Nações Unidas".
O Congresso Mundial da Liberdade, formado no ano passado, defende a oposição não violenta e presta apoio aos activistas no terreno, bem como aos presos políticos e às suas famílias.
*(Com agências)











