Polícia só apareceu depois de 14horas: Marginais fazem arrastão em Viana e executam ex-militar e jovem de 21 anos de idade
Abel Muassaco, de 63 anos de idade, ex-militar das FAA, reformado há mais de 20 anos e Benjamim Domingos António, de 21 anos de idade, são moradores do bairro Alegre e Tempo Muda, situado no distrito urbano da Baia, município de Viana, e na madrugada de quarta-feira, 31 de Julho, foram assassinados a tiro por marginais fortemente armados, durante assaltos em residências.
Por: Kihunga Bessa
Segundo Flaviano Samuel, irmão de Benjamim Domingos, a primeira acção ocorreu por volta das zero horas, quando seis indivíduos munidos com armas de fogo do tipo pistola, arrombaram a sua residência e exigiram valores monetários.
“A família estava sem dinheiro, situação que irritou os meliantes e começaram por receber-nos os telemóveis, levaram o televisor plasma, botija de gás butano, máquina de serralharia e tudo quanto tínhamos de valor”, explicou, referindo que, ainda assim, não satisfeitos, os marginais efectuaram 11 disparos no interior da residência, tendo dois atingido a vítima no abdómen e tórax, conhecendo morte imediata.
“Eles já tinham recolhido quase tudo de casa, mas mesmo assim mataram o meu irmão que estava a dormir no quarto de fora", lamentou, acrescentando que o malogrado era funcionário “da fábrica de whisky, do Capalanga”.
Na segunda acção, conta Gabriel Mágico, sobrinho do ex-militar executado pelos bandidos, os marginais não tiveram meias medidas e dispararam de todas as formas.
“O meu tio é reformado das FAA, mas depois prestava serviços no Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação onde depois também foi aposentado”, disse.
Por volta da uma hora da madrugada, seis elementos munidos com armas de fogo de calibres diversos, arrombaram a casa da vítima exigindo valores monetários, a família, não resistindo entregou os únicos 50 mil kwanzas que tinham em posse, não satisfeitos, retiraram da residência quase todos os bens, desde telemóveis, televisor plasma, botija até roupas e calçados.
“Quando eles entraram começaram logo a efectuar disparos, cerca de dez, e três dos quais atingiram o meu tio nas regiões da cabeça e abdómen, acabando por morrer no local", deplorou
De acordo com moradores, a falta de esquadra na zona e a falta de eliminação pública, facilita as acções dos marginais.
“Eles fazem tudo nas calmas porque dominam a zona, nós ligamos muito para a polícia, mas infelizmente só apareceram por volta das 15 horas”, denunciaram.
"Dependemos apenas da esquadra do Baia, que está a muitos quilómetros daqui, e como consequência ninguém nos acode”, avaliou.
Os habitantes, insatisfeitos, acusam o comandante do distrito da Baia e o municipal de Viana de dominarem a situação, e nada fazerem para minimizar a criminalidade naquela zona.
“Eles já visitaram a zona, este não é o primeiro e nem segundo caso de homicídio, quase todas as semanas temos estes problemas, clamamos pela colocação de um posto policial”, pediram, exigindo ao comandante municipal de Viana mais responsabilidade e competência.
Moradores contam ainda que na zona existem muitos quintais desabitados, alguns inclusive de “grandes chefes do país, e são controlados por efectivos da Polícia Nacional”, mas, contam, estes limitam-se apenas a extorquir automobilistas e moto-taxistas.
Este jornal contactou o Porta-voz da polícia em Luanda, Superintendente-chefe, Nestor Goubel para saber mais sobre a situação, e prometeu um posicionamento em breve.










