Detidos chineses e um ugandês que falsificavam perfis no facebook para atrair cidadãos portugueses no Talatona
Efectivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), afectos à Direcção Central de Combate ao Crime Informático, bem como da Direcção Central de Operações, em coordenação com outras forças, detiveram 09 cidadãos de chinesa e uma ugandesa, pela prática de falsificação de perfis, através do facebook, com objectivo de invadir contas bancárias e extorquir dinheiro, sendo as vítimas cidadãos portugueses, no bairro Kifica, Distrito do Benfica, município de Talatona.
Por: Cambundo Caholua
Segundo o Porta-voz do SIC-geral, Superintendente-chefe, Manuel Halaiwa, a detenção ocorreu na sexta-feira, 18, no interior do hotel Diamond Black LDA, situado no bairro Kifica, onde os mesmos tinham quatro salas devidamente equipadas com cerca de 76 computadores de última geração, que serviam para fins ilícitos, e 34 empregados. Estes funcionários usavam perfis falsos como se de mulheres se tratassem, com o intuito de atrair cidadãos portugueses.
Por outro lado, além dos perfis falsos, os cidadãos visavam também cidadãos brasileiros que, através do número do WhatsApp, eram contactados para aderir ao aplicativo Spotify ou LNBET para jogos. "Cada funcionário usava 05 a 06 perfis falsos no facebook, e se faziam passar por mulheres residentes em Portugal e atraiam homens, preferencialmente portugueses", esclarece, acrescentando que para o Spotify cada funcionário, por dia, recebia cerca de 700 números diferentes para ligar aos cidadãos brasileiros, a fim destes seguirem um cantor a partir desta plataforma e, posteriormente, receberem um bônus", esclareceu.
A rede criminosa estava devidamente organizada. Segundo ainda Manuel Halaiwa, das quatro salas, existia uma que era especificamente para o uso de perfis falsos, onde cerca de 24 funcionários, dentre os quais 5 do sexo feminino e 19 do sexo masculino, tinham como objectivo principal cada um deles conseguir assediar um número considerável de homens portugueses e conseguir também obter os seus números de WhatsApp.
Tão logo conseguissem os números do WhatsApp, na sequência, os funcionários passavam as conversas aos chineses. Ou seja, a partir daí a interação era entre as vítimas e os chineses que, na sequência, chantageavam, extorquiam e invadiam contas bancárias a partir do exterior do país, a fim de conseguir obter valores monetários.
No entanto, havia um outro grupo de cerca de 14 trabalhadores que tinham como objectivo receber 700 números de WhatsApp, todos os dias, conforme já foi referenciado, a fim de ludibriarem cidadãos brasileiros e de outros pontos do mundo para aderirem a plataforma de jogo, LNBET, assim como colocarem likes ao Spotify a favor da música com o título "Eu Creio" de um cantor brasileiro Cleberson, com garantias de que quem acedesse teria um bônus de 10 Reais, moeda brasileira, perto de 02 mil kwanzas.
Um dos funcionários que não quis se identificar, ouvido pelo Na Mira do Crime, contou que foi contratado apenas para ser um operador e nem sabia o que era orquestrado no local.
"Quando vim trabalhar aqui, me disseram que estavam a precisar de alguém que entende de informática. Nós aqui, o nosso trabalho é conseguir através dos perfis falsos que usamos, um número possível de cidadãos portugueses e, depois, adquirir o número do WhatsApp deles e passar para os chineses", revelou.
A empresa era composta por 34 funcionários, dentre os quais, 14 estagiários e 24 efectivos, todos angolanos, uns de Luanda e os outros provenientes da província de Benguela. Os estrangeiros são no total 10: 09 chineses e um ugandês.
Na sequência, os operacionais do SIC, para além das detenções, apreenderam um total de 76 computadores e 41 telefones.









