Continua ‘a caça’ ao bandido que assassinou cidadão norte-americano na Huíla
O Serviço de Investigação Criminal (SIC), através da sua Direcção Provincial da Huíla, em coordenação com a Polícia Nacional e o SINSE, esclareceram nesta quinta-feira, 7, em conferência de imprensa, as circunstâncias do assassinato do missionário norte-americano, Beau Dean Shroyer, de 44 anos de idade, assassinado à facada no sul de Angola.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
O Porta-voz do SIC-Geral, Superintendente-chefe Manuel Halaiwa, esclareceu que o crime ocorreu no passado dia 25 de Outubro, envolvendo suspeitos nacionais que assassinaram o missionário, na comuna da Palanca, município da Humpata.
Halaiwa revelou que o corpo foi encontrado na localidade de Chienje, às 19 horas, com ferimentos provocados por uma arma branca (faca).
Entre os envolvidos está Bernardino Elias, de 24 anos, funcionário do casal (amante da esposa do malogrado). A investigação identificou também Gelson Ortenso Guerreiro Ramos, de 22 anos, que está actualmente foragido, e Isalino Mussenga Cayoyo, conhecido como "Van disel", ambos moradores do bairro da Mapunda, no Lubango.
Segundo as investigações, os dois indivíduos foram contratados para executar o missionário a mando da esposa.
Isalino Mussenga Cayoyo, com antecedentes criminais, foi libertado recentemente da cadeia (27 de Junho) do ano em curso, após cumprir uma pena de dois anos, por roubo com ameaça de arma de fogo, contra um cidadão proprietário de uma motorizada, cujo crime foi praticado em 2022, no bairro da Mitcha.
Elias, conhecendo o histórico criminoso de Isalino, aliciou-o para participar do crime em troca de dinheiro, no valor total de 50 mil dólares, que foi prometido para a execução, com um adiantamento de 400 dólares para os preparativos e 9 mil dólares após o assassinato.
Isalino recrutou também Gelson Ortenso Guerreiro Ramos, foragido, que tem um histórico criminal e uma condenação de 13 anos de prisão por roubo qualificado com arma de fogo, conhecido no caso "Miss Huíla".
Gelson foi libertado enquanto aguardava a decisão de um recurso suspensivo interposto por seus advogados.
Três dias antes do crime, Elias e a esposa da vítima foram ao local onde o casal costumava praticar aulas de condução, em um ponto isolado, considerado pela esposa como ideal para o acto premeditado.
No dia 25, os envolvidos alugaram um carro de cor azul, da marca Beijing, pelo valor de 52 mil kwanzas e, ao chegarem ao local, simularam uma avaria no veículo e abordaram o casal, que estava no seu carro.
Manuel Halaiwa confirmou que a esposa do missionário foi a mandante do crime, conforme já noticiado pelo Na Mira do Crime.
“Ela foi detida na última quinta-feira pelas autoridades policiais, acusada de envolvimento directo no assassinato do marido. O casal, que morava no bairro da Mitcha, no Lubango há três anos, passava por conflitos, o missionário havia descoberto que sua esposa mantinha um relacionamento extraconjugal com um jovem angolano de 23 anos, que trabalhava como segurança da residência, pelo que, decidida a ficar com o jovem e motivada pelo seguro de vida do marido, a esposa planejou o assassinato”, espelhou, sublinhando que o casal tinha cinco filhos.
Após cometerem o crime, os envolvidos encontraram-se com Elias, que entregou os 9 mil dólares como última garantia.
Em seguida, devolveram o carro alugado e usaram outro, da mesma marca, de cor cinza, para viajar até à província do Namibe.
Como estavam fora do perímetro do aluguer do veículo, na região da Lucira, na província do Namibe, a empresa de locação bloqueou o carro através do GPS.
Na Lucira, conforme relatado por Manuel Halaiwa, o grupo buscava formas de ocultar o assassinato.
Gelson Ortenso Guerreiro Ramos permanece em paradeiro incerto, enquanto Isalino Mussenga Cayoyo foi localizado na província do Cunene, no município de Ombadja, próximo à fronteira com a Namíbia.
Graças à colaboração com as forças policiais da região, ele foi detido e levado de volta para o Lubango.
O Ministério do Interior informou prontamente a embaixada dos Estados Unidos, em Luanda, sobre os procedimentos realizados até o momento.
Até agora foram apreendidos quatro milhões e quinhentos mil kwanzas relacionados ao caso.
Manuel Halaiwa garantiu que as investigações continuam para esclarecer totalmente o processo e localizar o suspeito foragido.









