Idosas estão a ser violadas e assassinadas no Cuanza-Norte: População acusa SIC de ineficácia no esclarecimento dos crimes
A população no Cuanza-Norte continua preocupada com as mortes que se registam nos últimos meses na província, principalmente em casos onde são vítimas idosas que se deslocam ou saem das lavras, em horas que variam 16, 17 e 18 horas.
Por: Carla Nayara
O caso mais recente aconteceu na capital N’dalatando, no município sede, Cazengo.
Em contacto com este jornal, o filho de uma idosa que pediu anonimato, que foi abusada sexualmente e depois assassinada, conta que faz dois anos que acontecem crimes bárbaros contra idosas acontecem volta e meia, com a conivência e silêncio das autoridades locais.
“As nossas mamãs estão a ser violentadas sexualmente e posteriormente brutalmente assassinadas nas suas próprias lavras, estes crimes bárbaros estão a acontecer nas lavras periféricas da cidade de N’dalatando”, denunciaram.
O nosso entrevistado conta que antes pensava que tudo não passava de boatos, até que no dia 29 de Novembro de 2024, “a minha própria mãe que em vida atendia pelo nome de Maria Caluanda, natural da comuna de Manguengue, município de Bolongongo, província do Cuanza-Norte, e que residia em N’dalatando, bairro da Kipata, desde 1976, de 69 anos de idade, foi brutalmente violentada e posteriormente assassinada”, contou.
“Com ela contabilizavam no total 11 velhas mortas nas mesmas circunstâncias, enterramos ela no dia 03 de Dezembro de 2024, depois das autoridades locais nos liberarem os restos mortais da minha querida mãe, escrevo isso para os ilustres com lágrimas nos olhos, é muita dor mesmo, de Dezembro do ano passado para cá, ouviu-se que voltaram a violar e assassinar mais três velhas indefesas, totalizando catorze vítimas mortais, só idosas”, alertou.
“Como eu vivo cá em Luanda”, continuou, “os meus irmãos que vivem em N’dalatando foram os primeiros a darem o depoimento as autoridades, quando lá cheguei, pedi para que se constituísse um processo, a fim de se investigar e encontrar os culpados e assim se fazer justiça”, mas, diz, lamentavelmente até hoje nenhum familiar das vítimas foi pelo menos esclarecidos ou informado pelo SIC N’dalatando do que realmente está a acontecer.
Autoridades tentam esconder informação da mídea
De acordo com o entrevistado, toda informação que passa ao Na Mira, as autoridades locais fazem de tudo para que não saía na mídea.
“Por isso pouca gente domina este assunto, os órgãos de comunicação públicos também não noticiam sobre estes crimes bárbaros e repugnante que está abalar a cidade de N’dalatando, é lamentável”, deplorou.
“Só queremos justiça e uma investigação séria”. Explicou que no boletim de óbito da sua mãe, foi propositadamente mal elaborado, tudo para se ocultar o caso, “a velha que foi violada e morta na lavra, no boletim de óbito reza que morreu no hospital, ocultando assim o crime”, denunciou.
Recorde-se que o Na Mira do Crime esteve em 2024 na província do Cuanza-Norte para reportagem nas principais zonas cinzentas da capital, Ndalatando e, em conversa com o Delegado e Comandante da Polícia naquela província, Comissário, José Fernandes, nos foi informado que tudo estava sob controlo das autoridades, e que se estava a dar um combate cerrado a estes crimes hediondos.










