Em Cacuaco: Membro da turma do apito ‘executado’ por elementos desconhecidos quando fazia ronda
Os munícipes de Cacuaco, em particular os moradores bairro Augusto Ngangula, na comuna do Kicolo, estão revoltados por causa da morte de um cidadão, membro da turma do apito, que em vida respondia pelo nome Eurico José Carlos, de 39 anos de idade, morador da rua do Devir, raptado por elementos não identificados, na última quinta-feira, 20, quando, em companhia do grupo turma do apito, efectuavam ronda nocturna no bairro.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku e Kihunga Bessa
Membros da família do malogrado, em conversa com o Na Mira do Crime, explicaram que a vítima era funcionário de uma empresa de segurança, e terá despedido a esposa, por volta das 22 horas e 30 minutos, que ia juntar-se aos companheiros da turma do apito, “para entrarem em ronda”.
Júlia, irmã da vítima, avançou a nossa reportagem que, nas primeiras horas da manhã, os integrantes da turma se dirigiram à residência de Eurico para saber se o mesmo já havia regressado para casa.
"Disseram que enquanto patrulhavam, apareceu uma viatura estranha, e que os obrigou a dispersarem, mas o Eurico terá sido levado pelos homens que saíram do carro", contou.
Após tomar conhecimento do caso, a esposa avisou aos demais familiares e, em acto contínuo, dirigiram-se a esquadra do mercado do Kicolo, onde foram aconselhados a se dirigirem em outras esquadras.
"Chegamos a esquadra da praça do Kicolo, não encontramos, então recorremos a esquadra da Mulemba (41) e ao Comando Municipal de Cacuaco, mas sem sucesso", explicou.
Acrescentou que, no mesmo dia, terá recebido informações segundo as quais um senhor terá sido morto no Malueca.
"Não levei em consideração porque tínhamos a esperança de o encontrarmos vivo, e, não só, o bairro Malueca é muito distante do nosso bairro", observou.
No dia seguinte, sexta-feira, 21, os familiares voltaram a esquadra do mercado do Kicolo, onde foram aconselhados a efectuar buscas em outras esquadras fora do município, unidades sanitárias ou em morgues.
"Encontramos o corpo na Morgue Central de Luanda, com hematomas e ferimento de bala na parte esquerda do peito. Foi-nos dito que o corpo foi encontrado no Malueca, mas havia sinais de ter sido amarrado e espancado, a cara estava inflamada", detalhou.
Os moradores informaram que a turma foi criada para dar respostas aos frequentes assaltos que se registam no bairro, e está sob controlo do senhor José Kalundungo.
Contactado pela nossa reportagem, Kalundungo explicou que, no dia do infortúnio, encontravam-se em ronda no bairro, distribuídos em várias zonas, e terão sidos surpreendidos por uma viatura de marca Toyota, modelo Carina E, cor Cinzenta, na zona do Popalá.
"Eram homens grandes, trajados de preto, seguiam em direcção a antena da Movicel, tivemos que fugir mas o nosso colega ficou no terreno", explicou.
De acordo com os nossos entrevistados, os executantes de Eurico, terão sido os mesmos elementos que no mesmo dia assassinaram o jovem Lázaro, na zona do IBA, com dois tiros na cabeça.
"Ele foi levado pelos mesmos homens que mataram o jovem na rua do Pechote, onde os meliantes não levaram nada", deduziu o chefe da turma do apito.
Referir que, diariamente são registados casos de assassinato em Cacuaco, situação que preocupa aqueles citadinos que clamam por intervenção dos órgãos competentes.










