“Pareciam polícias”: Marginais que “executaram” 2º Subchefe da Polícia “conheciam o alvo” e atiraram para matar
O Na Mira do Crime continua a investigar o crime que levou para a outra dimensão da vida, o 2º Subchefe da Polícia Nacional, José Felipe Basílio, de 36 anos de idade, ocorrido na noite do dia 2 do mês em curso, na província de Icolo e Bengo, município de Calumbo, distrito do Zango 2, rua 6, onde o malogrado foi executado com tiros que atingiram a região das costas, pescoço e cabeça.
Por: Solange Figueira
Os relatos das pessoas que acompanharam tudo “in loco”, dão conta que o malogrado acabava de sair da sua nova residência, no condomínio Vila Lisboa, onde acabava de se mudar com a sua Família. Após transportar à mobília no período da tarde, com ajuda de três amigos, despediu a esposa que ia passar a última noite na casa antiga.
Valdemar Domingos, amigo do malogrado que estava presente na hora em que o jovem foi executado, contou ao Na Mira do Crime que ele, o malogrado e mais amigos, caminhavam pela rua quando, ao chegarem próximo a residência do malogrado foram abordados por dois marginais que estavam em cima de uma motorizada com os faróis apagados.
“Eles estavam a espera dele, disparam seis tiros fatais, atingiram o pescoço e a cabeça, e ele teve morte imediata”, narrou.
Explicou que foi tudo muito rápido, “eles estavam numa motorizada de cor preta, debaixo de uma sombra, como estava escuro, eles acenderam a luz, iluminaram os nossos olhos e faziam acende e apaga, estavam sem máscara, eram moços grandes e bem vestidos, pareciam polícias, não nos pediram nada, manipularam devagar a arma, sem fazer muito barulho e começaram a disparar contra o tio Basílio, tinham o alvo certo, gritei muito por socorro, mas não me fizeram nada, o primeiro tiro, atingiu as costas”, descreveu, acrescentando que eles dispararam várias vezes sem piedade.
“Nunca vi isso, os meliantes fizeram mais de seis disparos, estavam a dar direito no corpo dele, o tio Basílio também anda armado, mas não deram tempo dele tirar a arma, foi algo planeado”.
Segundo conta, quando saíram da casa do malogrado onde acabava de se mudar, deixaram as portas fechada, “mas encontramos aberta, o tio Basílio morreu com o telemóvel nas mãos, depois de o matarem, eles voltaram para pegar o telemóvel, não levaram a carteira, parece que lhe procuraram primeiro em casa, nos esperam na rua, às pessoas que o mataram conheciam-lhe muito bem, mas ele também já reclamava sobre o trabalho, dizia que os colegas dele o perseguiam, não tinha paz no serviço”, disse.
Depois de ser morto, os familiares foram até a esquadra prestar declarações, mas, contam, para o seu espanto encontraram uma folha que dizia que o “tio Basílio foi morto por ter reagido a um assalto, e tirou a arma para se defender, isso tudo é mentira, ele não teve tempo de tirar a arma, não reagiu a nada, aquilo não foi assalto, foi morte encomendada, aquele senhor nunca teve problemas com ninguém”, reclamaram.
Os familiares lamentam o facto de o jovem ter morrido de forma prematura, “ajudava-nos muito, era boa pessoa, podia morrer de doença, assim não, peço justiça", exigiram.
Ruth António, esposa da vítima, começou por informar que o marido deixa quatro filhos, estava colocado no posto de polícia do Projecto Nova Vida, como motorista e segurança de um ministro.
"O meu esposo não era de fazer serviço em casa, mas naquele dia decidiu que tínhamos de mudar de casa, deixou todas as coisas na casa nova, e às 22horas, despediu-me que ia dormir lá pela ultima vez, depois de 30 minutos, chegaram três amigos dele a me avisar que ele estava com dor de estômago, quando cheguei na rua ele estava estendido no chão, morto”, chorou.
Disse que no mesmo dia, domingo, 02, o esposo teve uma discussão com o serralheiro que estava a fazer obras em casa, e chegaram a entrar em luta corporal, e depois foram para a esquadra.
“Depois disso ficou tudo bem, meu marido estava há 14 anos na polícia, antes era comando, trabalhava nas Forças Armadas Angolanas, transitou para a polícia, aqui nunca fomos roubados, ele circulava no bairro normalmente, às vezes às 4 horas da manhã, nunca aconteceu nada, ele me deixou um bebé de seis meses, socorro, os meus filhos ficaram sem pai, vou-lhe procurar aonde?", clamou.
De acordo com a irmã do malogrado, Miclina José, o malogrado é o segundo filho de cinco irmãos, muito unidos, e ele era muito atencioso com a família.
"Meu irmão era muito bom, com todo mundo, mais reclamava muito dos colegas dele de serviço, tinha o desejo de sair da esquadra que trabalhava, e de fazer o trabalho de segurança do ministro, quero que as pessoas que o mataram sejam punidos, quem deve tirar a vida das pessoas é só Deus, não as pessoas, meu irmão que me ajudava muito, em todos os momentos, morreu deste jeito bárbaro e cruel”, lamentou.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com o porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, Superintendente-chefe Nestor Goubel, que informou que o caso está sob investigação
"Temos o conhecimento do caso, os marginais colocaram-se em fuga, mais a polícia está a trabalhar a fim de prendê-los e dar respostas a família", garantiu.










