Polícia nos Mulenvos desmantela associação criminosa que falsificava documentos para aquisição de vistos de certidão de estrangeiro residente
Efectivos da Polícia Nacional do Comando Provincial de Luanda, num trabalho conjunto com os efectivos do Comando Municipal dos Mulenvos, apresentaram, nesta quinta-feira, 20, na esquadra do KM 12-B, um cidadão de 35 anos, que se dedicava à falsificação de documentos nas administrações municipais de Viana e no SIAC do Kalawenda, e outro, de 43 anos, que facilitava o processo.
Por: Carlos Quicuca
A operação foi conduzida pelo recém-nomeado comandante dos Mulenvos, António Tenente Mbinza, e culminou com o desmantelamento da associação criminosa, que se dedicava principalmente a falsificação de documentos, sobretudo registo criminal, para aquisição de visto de certidão de estrangeiro residente em Portugal, documento solicitado no consulado de Portugal, no Ministério das Relações Exteriores e no SIC-Kalawenda.
A operação possibilitou flagrar os indivíduos com vários carimbos falsos das FAA, Força Aérea e Administrações de Luanda assim como institutos superiores.
Ouvido pelo Na Mira do Crime, um dos suspeitos, identificado como Afonso Tchingololu Cassova Farias, de 35 anos, morador do município dos Mulenvos, confessou que falsifica documentos desde 2020, altura em que era apenas ajudante do seu tio, já falecido.
Segundo ele, viu na falsificação de documentos uma oportunidade de sustento, por se tratar de um negócio lucrativo e muito procurado pelos cidadãos.
Entre os documentos falsificados, os registos criminais eram os mais requisitados, sendo vendidos por 10.000 Kz, seguidos dos atestados de residência, que custavam 4.000 Kz, e das declarações militares, vendidas por 500 Kz.
Na posse de Afonso foram encontrados vários carimbos, almofadas de tinta e certificados de registo criminal, todos falsificados.
Ele operava de forma organizada, contando com um laboratório próprio e um intermediário, identificado como Afonso Ernesto, de 43 anos, que facilitava o esquema, abordando cidadãos em busca destes serviços.
O porta-voz da Polícia Nacional em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, realçou que o desmantelamento deste grupo foi possível graças ao trabalho dos órgãos de inteligência policial, que monitoraram os métodos operacionais dos suspeitos.
Nestor esclareceu que, após o desmantelamento do antigo centro de falsificação "Pau Grande", os criminosos passaram a adoptar novas estratégias, como abordar cidadãos na porta das instituições para oferecer serviços de falsificação, garantindo rapidez na obtenção dos documentos.
Muitos clientes só descobriam que os documentos eram falsos ao apresentá-los em órgãos do Estado.
O oficial referiu que denúncias feitas por trabalhadores do SIAC Kalawenda foram fundamentais para a realização da operação.
Aconselha, por isso, os cidadãos a não recorrerem a esses serviços fraudulentos em busca de rapidez na obtenção de documentos, a fim de evitar cair nas armadilhas dos falsificadores.









