SIC recolhe marginais que assaltavam com arma de fogo fornecida por um efectivo das Forças Armadas Angolanas
O Serviço de Investigação Criminal (SIC), através do seu Departamento Municipal do Sambizanga, deteve sete cidadãos nacionais com idades entre 16 e 17 anos, acusados de cometerem assaltos com recurso a armas brancas nos bairros do "Santo Rosa", "Mota" e "Lixeira", no município do Sambizanga.
Por: Kihunga Bessa
Segundo o porta-voz do SIC-Luanda, Superintendente-chefe, Fernando Carvalho, na sua última ação, no dia 16 de Agosto, no bairro da Lixeira, rua Luenji A'nkonda, na via pública, a referida associação criminosa denominada "Tuuquia", em posse de arma de fogo, brancas (catanas e facas de cozinha), realizava assaltos de bens pessoais, com maior destaque a telemóveis.
Acrescentou que, neste mesmo dia, em um dos assaltos, desferiram vários golpes com armas brancas na região torácica de um cidadão que em vida respondia pelo nome Márcio José Bernardo Luís, de 23 anos de idade, que não suportando os ferimentos sucumbiu.
Ressaltou que, depois de determinados e detidos, os operacionais do SIC apuraram que a dita associação criminosa era composta por um número de sete a dez elementos.
Munidos com armas brancas e objetos contundentes, disse o oficial do SIC, as suas acções eram realizadas preferencialmente no período nocturno, entre 23 e 3 horas e 30 minutos da madrugada, precisamente naquele município, nos bairros já referenciados.
"E como se não bastasse, estão ainda implicados em rixas com gangues rivais, importunando o pacato cidadão com ameaças e assaltos a quem circulava nas imediações", disse.
Salientou também que, com as referidas detenções, foi possível apreender uma arma de fogo do tipo pistola, de marca Star, sem carregador e uma faca de cozinha.
Quanto aos implicados, foram presentes ao Ministério Público, que lhes aplicou a medida de coação mais gravosa.
Fernando Carvalho apela a sociedade, de modo geral, para que sejam os primeiros a intervir nas más ações dos seus entes, "porque só assim se consegue prevenir ações criminosas e antissociais".
Ouvido pelo Na Mira do Crime, Neves Pilatos (Nejosse), órfão de pai e mãe, um dos integrantes do grupo, já detido, conta que entrou no mundo do crime em 2015, devido à "decepção causada pela religião que frequentava e falta de apoio do seu pai na altura".
Para tal, o entrevistado informou ainda que recebia a arma de fogo do tipo pistola, de marca Star, de um militar das Forças Armadas (FAA), de nome Osvaldo Miguel, morador do bairro São Pedro da Barra, para cometimento dos crimes, e em troca dividiam os bens roubados.
"Eu o conheci através de um amigo meu, e posteriormente explicou que precisava alguém para trabalhar com ele. Fui falar com ele, logo aceitei a proposta, e o resto dos bens ele mesmo era o comprador", afirmou.
Acrescentou que, durante este tempo que está no mundo do crime, já cumpriu cadeia duas vezes, sendo que uma por assalto em residências e na via pública, e outra por roubo de viatura com recurso a arma de fogo, tendo sido condenado a dois anos e seis meses na cadeia do Calomboloca.
Sem receio, o marginal avançou que se tornou craque nos assaltos, devido ao facto de já não se lembrar da quantidade de crimes que já cometeu.
Apenas sabe que nunca cometeu homicídio e tinha como preferência fios de ouro, telemóveis e cabelos brasileiros para agradar às suas três namoradas.
"Muitos se rendem nas cadeias, e outros saem mais malandros ainda, porque lá você vai conhecendo muita gente que te incentiva a fazer coisas piores", confessou.
Questionado se nunca pensou em abandonar o mundo do crime, Pilatos, totalmente arrependido, manifesta o desejo de desistir daquilo que faz, mas diz não saber como.
Salientou que, neste momento, o seu irmão menor também se encontra detido por crime de roubo qualificado.









