Capitania do Ambriz sem lancha pede 100 litros de gasóleo para ajudar: cidadão de 32 anos desaparece no mar enquanto pescava, familiares clamam pelo resgate do corpo
Um cidadão de 32 anos de idade, de nome Isaac Firmino Cahunda André, pescador de profissão há cinco anos e residente no bairro do Kikolo, município de Cacuaco, desapareceu na noite de terça-feira (07) do corrente mês, no município do Ambriz, província do Bengo, quando exercia a sua actividade de pesca.
Por: Cambuta Vieira
Toca Baptista Tchitundo Mário, irmão do desaparecido, explicou que, no dia 8, por volta das 6 horas, quando se encontrava no local de trabalho, foi informado pelo cunhado de que o seu irmão havia caído ao mar na noite anterior.
“Naquele instante seguimos até ao Comando Municipal do Ambriz para pedir informações, os sobreviventes disseram que, por volta das 17 horas do dia 7, foram ao mar e, depois de chegarem às 200 milhas, o motor da lancha desligou-se.
"O mestre tentou consertá-lo, mas sem sucesso, o meu irmão foi tentar resolver o problema e conseguiu, porém, com o arranque repentino do motor, acabou por cair ao mar", detalhou.
"Os colegas tentaram socorrê-lo, atirando bidões e cordas para ele se segurar, mas sem sucesso”, relatou.
Conta que o seu irmão foi deixado para trás pelos companheiros, nenhum deles usava colete salva-vidas, mas questiona por que não voltaram com a lancha para resgatá-lo.
O entrevistado adiantou ainda que, na mesma noite, os dois colegas do irmão, conhecidos por Morreu e Mascote, regressaram à terra e foram aconselhados a dirigir-se à Capitania, tendo depois seguido para o Comando Municipal da Polícia do Ambriz, onde foram detidos por volta das 21 horas.
"No dia 9 voltámos ao Comando Municipal para saber das buscas, mas informaram-nos que não tinham condições nem meios para as realizar, regressámos de coração partido”, contou o irmão.
Segundo Toca, no dia seguinte, uma senhora sugeriu que a família pedisse ajuda directamente à Capitania do Ambriz.
“Assim o fizemos, já na Capitania, um dos efectivos disse-nos, aqui só temos o motor, vão alugar a lancha e comprem 100 litros de combustível que nós iremos procurar o desaparecido’”, relatou.
A viúva, Eugênia Tavares Frederico, disse, em lágrimas, que o marido nunca passava mais de uma noite no mar e que, no mês anterior, já tinha enfrentado problemas com o motor da embarcação.
“Aconselhei-o a deixar aquela lancha porque o motor não estava em condições, ele respondeu, "Mulher" o nosso foco é trabalhar para conseguirmos o que é nosso’”, recordou, emocionada.
Na manhã do dia 7, o meu marido saiu para trabalhar, para minha desgraça, nunca mais voltou, já não tenho esperança de o encontrar com vida, peço apenas que me ajudem a localizar o corpo dele”, implorou.
“Limão”, como era carinhosamente tratado, deixa uma viúva e quatro filhos menores de idade.
Contactado por este jornal, o responsável da Capitania do Ambriz, Pedro Guimarães, confirmou a limitação de meios da instituição.
"A família tem de contactar o senhor Vieira, que é armador, e juntos devem ir até à província de Cabinda, a Capitania no Ambriz não tem lancha, por isso não podemos fazer nada", orientou.
Disse que o papel da Capitania é apenas comunicar, "não temos meios para buscas”, disse.










