Partiram os maxilares: Paciente de 23 anos espancado até à morte supostamente pelo corpo de guarda do hospital psiquiátrico de Luanda
Um jovem que em vida atendia pelo nome Dilson Emanuel Capanda da Paixão, de 23 anos de idade, residente no bairro Prenda, município da Maianga, foi agredido até a morte com objetos contundente no interior do hospital psiquiátrico de Luanda, supostamente por funcionários da referida unidade hospitalar.
Por: Cambuta Vieira
Familiares contaram ao Na Mira do Crime que tudo começou no mês de Março do corrente ano, quando o malogrado começou a fazer o uso de substâncias psicotrópicas.
A mãe, Eva de Fátima Capanda, sem saber o que fazer, procurou ajuda numa "igreja espiritual", onde foi bem recebide e o jovem começou a fazer tratamento, tendo apresentado melhorias, facto que facilitou o seu regresso no seio familiar.
No entanto, passado algum tempo, juntou-se com algumas amizades, e voltou a fazer o uso de cigarros, liamba e bebidas alcoólicas, vulgo pacotinho, tendo uma nova recaída.
"Chamei-lhe atenção, o meu filho garantiu que já não voltaria a fazer o uso do cigarro nem álcool, mas infelizmente não honrou com a sua palavra", lamentou a senhora.
No dia 03 de Setembro, a mãe decidiu interná-lo no hospital psiquiátrico de Luanda, onde segundo a progenitora foi muito bem recebida pela equipa médica, e lá garantiram que só sairia quando apresentasse melhorias, que seria no prazo de um mês e 15 dias, mas infelizmente saiu antes do previsto.
"Ele saiu antes de completar o tempo que nos foi dito pelos médicos e voltou a fazer das suas no bairro", disse.
Em função do comportamento que apresentava sempre que usava o cigarro e o álcool (partir objetos e vidros de carros), sendo mãe e ter que pagar sempre os artigos alheios, a família decidiu internar-lhe novamente no mesmo hospital, no dia 27 de Setembro.
Segundo a nossa entrevistada, no período da tarde do mesmo dia, ligou para o hospital, e lhe foi informada que o seu filho estava a descansar.
Passado algumas horas, isto na madrugada de domingo, 28, de Setembro, recebeu uma ligação do hospital dizendo que o seu filho foi agredido por outros doentes do quarto ao lado, mas que estava bem, e que apenas havia defecado na cama.
"Naquele momento não fomos ao hospital, porque pensamos que foi coisa mínima, uma vez que alegavam que estava tudo bem", frisou.
Na terça-feira, disse, o amigo do seu filho que sempre o visitava, foi até ao hospital e encontrou-o já morto e mumificado.
"Ele ligou para mim e disse mãe vem ainda agora no hospital, o Dilson está chorar muito... como eu sei que ele é mimoso, fui para lá às 07 horas e 30 minutos, e fui recebida pelos vigilantes, um deles foi ter com os médicos e demorou muito, no seu regresso, disse que o Dilson estava bem", recordou.
"Afinal era tudo mentira, o meu filho já estava morto e abandonado na câmera número 05 como se fosse um desconhecido", chorou.
"Os seguranças e os vigilantes têm agredido os doentes, eu como mãe já presenciei agressão no interior do hospital psiquiátrico", denunciou.
Fátima Jacinta Capanda da Paixão, irmã do falecido, realçou que na terça-feira, 30, quando foi para o hospital, os médicos disseram-lhe que o seu irmão havia sido agredido na madrugada de domingo por pacientes do quarto ao lado.
"Explicaram que levaram o meu irmão até ao hospital Maria Pia, onde foi atendido e receitado Ibuprofeno e Amoxicilina em função das dores no maxilar que estavam partidos", recordou.
"Eu como irmão disse doutor, essa história está mal contada, por que não nos ligaram para contar a verdade logo que aconteceu esse crime? o médico respondeu que encontraram o meu irmão morto no interior do seu quarto, eu não acreditei, os médicos esconderam a verdade", lamentou.
"O meu irmão na terça-feira já estava na câmera número 05, ele estava com o rosto inflamado em função da agressão, os maxilares superior partidos, a cabeça e o rosto completamente inflamados, lábios cheio de sangue e corria lágrimas, o meu irmão morreu no domingo, eles estavam a esconder", deplorou.
De acordo com a família, afrontaram a direcção do hospital, que foi obrigada a disponibilizar alimentação para o óbito assim como o caixão para o funeral.
Segundo contam, o resultado da autópsia realizada ao corpo do jovem atesta que a vítima morreu por agressão na região craniana.
"O meu irmão estava amarrado nas mãos e nos pés, cheio de fezes, ele foi agredido por nove elementos, três vigilantes, quatro segurança e dois médicos... bateram-lhe com cacetete e foi agredido com socos", denunciou, visivelmente revoltada.
Dilson Emanuel Capanda da Paixão, foi a enterrar no sábado 04 do mês em curso.
A equipa deste jornal sabe que alguns elementos acusados de agrediram o malogrado já se encontram detidos na quinta esquadra.
A equipa deste jornal deslocou-se até ao hospital psiquiátrico de Luanda na tarde desta terça-feira, 14, para ouvirmos o contraditório do corpo clínico.
No local, nos foi informado que das 15 horas em diante, a direção já não atendia mais ninguém.
Na manhã de quarta-feira, 15, às 10 horas da manhã, voltamos ao hospitalar, onde aguardamos por duas horas para sermos ouvidos, mas sem sucesso.










