Mandou matar o Marido: Tribunal da comarca do Lubango condena cidadã norte-americana a 24 anos de cadeia, namorado e comparsas condenados com penas de 22, 21 e 20 anos de cadeia
O Tribunal da Comarca do Lubango na província da Huíla, condenou, nesta quarta-feira (05), a coarguida Jackeline Shroyder, cidadã norte-americana de 44 anos de idade, como mentora da morte do seu marido, à pena efectiva de 24 anos de prisão, Bernardino Elias foi condenado à pena efectiva de 21 anos de prisão, pelo crime de homicídio qualificado em razão da qualidade da vítima, Gelson Ramos condenado à pena de 20 anos de prisão efectiva pelo mesmo crime e ainda à pena de três anos de prisão pelo crime de branqueamento de capitais. Condenou igualmente Isalíno Cayo à pena de 21 anos de prisão pelo crime de homicídio qualificado em razão da qualidade da vítima, e à pena de três anos de prisão por branqueamento de capitais, bem como à pena de dois meses de multa, à razão diária de 85 unidades de referência processual, pelo crime de posse de armas não proibidas sujeitas a regulamentação. Em cúmulo jurídico, foi-lhe aplicada a pena única de 22 anos de prisão e multa de dois meses, à razão diária de 85 unidades de referência processual.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com a leitura da sentença, a juíza da causa, Violeta Tyiteta Prata, explicou que todos os arguidos, Bernardino Elias, Isalíno Cayo e Gelson Ramos, foram condenados, de forma solidária, ao pagamento de indemnização no valor de quatro milhões e quinhentos mil kwanzas à família da vítima.
A magistrada sublinhou ainda que a coarguida Jackeline Shroyder deverá indemnizar a família da vítima com o valor de dez milhões de kwanzas, ou aos que de direito, “nos termos do fenómeno social”, conforme determinou o tribunal.
“Ficou provado que os arguidos praticaram os crimes que lhes foram imputados de associação criminosa, razão pela qual deverão cumprir as penas aplicadas, conforme manda a lei”, esclareceu a juíza durante a leitura da sentença.
Ficou provado que os arguidos são os causadores da morte do missionário norte-americano Beau Dean Shroyder, de 46 anos de idade, ocorrida a 25 de Outubro de 2024, no município da Palanca, província da Huíla, sendo que o casal eram afectos à igreja Lakes Area Vineyard Church (LAVC).
Bernardino Elias e os demais cúmplices encontram-se detidos desde 31 de Outubro de 2024, acusados do crime de homicídio qualificado.
Segundo a acusação, tratou-se de um homicídio motivado por razões passionais, tendo a coarguida Jackeline Shroyder e Bernardino Elias mantido uma relação amorosa extraconjugal.
Quando a vítima tomou conhecimento da relação, surgiram conflitos conjugais, o que, segundo o tribunal, levou Jackeline a arquitetar o crime em conluio com Bernardino Elias, contou a juíza.
Por sua vez, os advogados de defesa, Evaristo Cassanga, Vivaldo Chau e Edvaldo Salvador, disseram que a decisão “não satisfaz a defesa”, alegando a existência de incongruências processuais e provas não devidamente validadas.
“O tribunal entende que fez justiça, mas nós, enquanto defesa, não partilhamos dessa visão”, sublinharam.
Recorde-se que o missionário norte-americano foi morto à facada na localidade do Tchienjo, situada a cerca de dez quilómetros da sede municipal da Palanca, no dia 25 de Outubro de 2024.










