Agente do DIIP assassinado com tiro na cabeça em Luanda foi perseguido por desconhecidos, denuncia família
Um agente da Polícia Nacional, que ostentava a patente de agente de 3.ª classe, afecto à Secção Municipal de Investigação de Ilícitos Penais (SMIIP), do Kilamba Kiaxi, identificado como Domingos Lombo, de 33 anos de idade, foi morto na noite de sábado, 15, por indivíduos não identificados que o perseguiram depois de este ter saído do serviço. No entanto, um dado salta à vista, os assassinos não levaram nada da vítima, incluindo a pistola que portava.
Por: Kihunga Bessa
Segundo João Afonso, irmão mais velho do malogrado, o crime ocorreu por volta das 19 horas do dia acima referidos, quando Domingos Lombo seguia para casa a bordo de uma motorizada de marca YB.
"Ele foi seguido por três indivíduos que se faziam transportar numa viatura não identificada, que antes embateram contra a sua motorizada. Após a queda, dois ocupantes da viatura desceram e efectuaram três disparos, atingindo a vítima em várias regiões do corpo e na cabeça", relatou.
Depois dos disparos, motoqueiros que circulavam na zona aproximaram-se da vítima e reconheceram que se tratava de um agente da Polícia Nacional.
Os mesmos dirigiram-se à esquadra mais próxima para alertar aos efectivos de serviço.
Minutos depois, conta o irmão, uma patrulha passou no local, e os motoqueiros alertaram sobre o estado grave em que estava o colega dos polícias.
Contudo, segundo familiares, os agentes alegaram não possuir luvas para transportar à vítima, levando os próprios motoqueiros a auxiliar no transporte do agente para a patrulha, que por sua vez socorreu o infeliz até ao Hospital Geral de Luanda.
A família foi informada do ocorrido apenas por volta das 23 horas, através de um amigo da vítima.
No hospital, Domingos Lombo foi submetido a duas cirurgias, mas a terceira não foi realizada devido à falta de um neurologista.
A família afirma que a falta de transparência quanto à ausência do especialista e a demora na transferência para outra unidade hospitalar contribuíram para a agravação do estado clínico do agente.
De acordo com João Afonso, as altas patentes do Ministério do Interior desconheciam o caso, até que s família fez um apelo nas redes sociais na manhã de domingo, 16.
Uma delegação do MININT deslocou-se então ao Hospital Geral de Luanda para apoiar o processo de transferência para o Hospital Militar, mas o agente não resistiu aos ferimentos e acabou por morrer antes de ser transferido.
A família lamenta profundamente a morte prematura do agente e responsabiliza a direcção hospitalar pela demora no atendimento, bem como a polícia local pela falta de comunicação às instâncias superiores.
Questionado sobre eventuais apoios institucionais, o irmão do malogrado informou que o órgão prestou apoio moral, psicológico e alimentar.
"O que nos deixa admirados é que não levaram absolutamente nada, inclusive a pistola”, disse.
Este jornal sabe que o agente Domingos Lombo deixa viúva e três filhas, de 13, 8 e dois anos.
A sua pistola e a motorizada encontram-se na esquadra onde prestava serviço.










