Cidadão acusado de assaltar agente da Polícia morre no Hospital dos Cajueiros semanas depois de estar sob custódia do Comando Municipal do Cazenga
Um cidadão nacional que em vida respondia pelo nome Miguel Isata da Costa, de 24 anos de idade, residente na rua do Brasil, comuna do Kima Kieza, município do Cazenga, morreu neste sábado, 22, no Hospital dos Cajueiros, depois de ter passado mal nas celas do Comando municipal do Cazenga.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
A vítima foi detida no dia 25 de Outubro do corrente ano, acusado de ter feito parte de um grupo de marginais que terão roubado uma motorizada e uma pistola a um suposto agente da polícia, identificado por Francelino Puto.
Segundo os relatos dos familiares ao Na Mira do Crime, o suposto agente terá sido atacado por marginais quando tentou frustrar um assalto na via pública, tendo sido imobilizado com disparo de arma de fogo.
"O senhor disse que saía de um negócio na cidade e deparou-se com alguns jovens mascarados a assaltar um jovem, ao tentar intervir, foi alvejado na perna, e os bandidos levaram uma pastinha onde haviam valores monetários e também foi levada a motorizada dele", contou a sogra da vítima.
A senhora, avançou que o genro terá sido alertado por pessoas que a sua imagem estava exposta nas redes sociais e estava a ser procurado pela polícia por ter participado de um assalto.
"Conhecemos o senhor que postou, por isso ele foi a casa dele para saber em que dia ele terá sido assaltado, e quem lhe garante que estava envolvido. Ele disse que os bandidos estavam mascarados, mas reconheceu o Miguel", explicou a sogra.
"Naquele instante, o senhor ligou para a Esqudra do Antenove, a polícia apareceu e prenderam o rapaz", acrescentou.
Helena, irmã de Miguel, disse que o senhor não conseguiu provar a acusação e , no dia em que supostamente tinha sido assaltado, o irmão estava em casa.
"Disse que o assalto ocorreu as zero horas do dia 24 de Outubro, mas neste dia ele esteve em casa a dormir, mesmo assim esteve nove dias na Esquadra do Antenove e mais tarde foi transferido para o Comando municipal do Cazenga onde permaneceu cerca de três semanas", contou.
A irmã acrescentou que terão feito de tudo um pouco para resolver o caso, inclusive, terão passado por burla.
"Havia recebido uma ligação a partir de um senhor que se identificou como funcionário da PGR/Cazenga, exigiu que eu fizesse uma transferência de 100 mil kwanzas para a libertação imediata do meu genro. O dinheiro foi transferido para a conta do senhor Oliveira Nguma Chico, mas era apenas uma burla, porque assim que cheguei ao comando e informei a situação à PGR, disseram que tinha sido enganada. Mas o semblante deles indicava que conheciam o senhor e que eu não teria sido a única a ser enganada por ele", acusou a sogra.
A família conta que na quarta-feira, dia 19 do mês em curso, foram informados por um recluso que se encontrava na mesma cela, que o Miguel Isata da Costa terá sido levado às pressas para o Hospital dos Cajueiros por ter passado mal.
"Ele ja se encontrava internado há dois dias, sem sabermos. Encontramos ele pálido, algemado na cama, com sinais de tortura nos braços, como quem tivesse sido amarrado e já não conseguia se comunicar, infelizmente no sábado foi à óbito", lamentou o irmão.
Acrescentou que provavelmente a vítima terá ido a óbito às 8 horas da manhã e só tomaram conhecimento no período de tarde por meio de uma das funcionárias do hospital.
"Não encontramos o corpo na cama, os enfermeiros disseram que uma equipa da polícia levou o corpo à Morgue Central de Luanda. Fomos para lá e encontramos o corpo na câmara cinco. Na verdade não se pode admitir toda esta situação, polícia nos deve muita explicação", exigiram os familiares.
Contactado pela nossa reportagem, o Porta-voz do Comando Províncial de Luanda, Superintendente -chefe Nestor Goubel, prometeu pronunciar-se tão logo for possível.










