Jovem de 24 anos morto à catanada nos Mulenvos por grupo de marginais, há um suporto efectivo do SIC entre os 'bandidos' - família acusa órgão de investigação de letargia no caso
Um cidadão nacional que em vida respondia pelo nome Lemão Virgílio Cula, de 24 anos de idade, residente no bairro Mamã Gorda, município de Mulenvo, morreu na madrugada de 8 de Novembro, após cinco dias internado em unidades hospitalares de Viana, na sequência de agressões perpetradas por um grupo de sete indivíduos. Entre os suspeitos, a família aponta a participação de um alegado efectivo do Serviço de Investigação Criminal (SIC), afecto à Esquadra do 44, que, segundo acusações, terá contribuído para a sonegação do processo n.º 38.38.25.
Por: Cambuta Vieira
O incidente ocorreu a 2 de Novembro, por volta das 10 horas, quando a vítima tomava sopa num estabelecimento local. De acordo com o tio do malogrado, Moisés Culo, um grupo de sete homens entrou no recinto, fingindo ser cliente, e, minutos depois, retirou catanas escondidas nos casacos, iniciando as agressões.
"Os marginais conheciam bem o meu sobrinho. Vivem todos no mesmo bairro. Pretendiam levar o telefone digital, fios de prata e um chapéu. Como ele resistiu, usaram três catanas para o agredir", relatou o familiar.
Inicialmente encaminhado para o Hospital do Capalanga, onde permaneceu internado durante três dias, Lemão Cula foi posteriormente transferido para o Hospital Geral de Viana – Zango 8 Mil, onde viria a perder a vida devido à gravidade dos ferimentos.
O pai da vítima, Bendito Virgílio, lamenta a falta de diligência por parte dos efectivos do SIC da Esquadra do 44. Afirma que, apesar de os suspeitos serem conhecidos e circularem livremente pelas ruas da Estalagem, nenhuma medida foi tomada.
"A polícia conhece muito bem esses indivíduos. Infelizmente, o caso está a ser banalizado porque entre os suspeitos há um agente recém-enquadrado no SIC, conhecido como Belmo", denunciou.
Os suspeitos identificados são Pinto Matamba (“Saicoco”,) Gelson Vicente (“Dacatana”) e Belmo (“Com Cabelo”), este último apontado como suposto efectivo do SIC.
Todos são tidos como integrantes de um grupo de marginais conhecido por “105”, acusados pela comunidade de realizar assaltos sob efeito de bebidas alcoólicas e liamba, fazendo da violência o seu meio de sustento.
Contactado, o porta-voz do SIC em Luanda, superintendente-chefe Fernando de Carvalho, confirmou que o caso é do conhecimento da instituição, mas afirmou que a agressão não foi formalmente participada. Contudo, revelou que após o morte da vítima ocorreram actos de vandalismo e agressões físicas praticados por amigos do malogrado, resultando na detenção de sete indivíduos.
“Foram emitidos mandados de detenção contra três suspeitos do crime de homicídio”, esclareceu.
A família pede agora a intervenção das autoridades superiores, afirmando que essa não é a primeira vez que o grupo “105” protagoniza actos violentos no bairro.










