Em Viana: Cidadão morre após ser alevajdo com três tiros quando saía de uma cantina, familiares apontam o dedo acusador a efectivos da esquadra do Cayaya - porta-voz do SIC diz que foram "elementos desconhecidos"
Um cidadão nacional identificado como Eclésio Justino Alves da Fonseca, morador no Bairro Belo Horizonte, zona do Jacinto Tchipa, município de Viana, perdeu a vida no sábado, dia 10, por volta das 16 horas, depois de ter sido atingido por vários disparos de arma de fogo, alegadamente efectuados por supostos agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Polícia Nacional, afectos à esquadra do Cayaya, naquela circunscrição, após ter sido confundido com marginal quando saía de uma cantina.
Por: Kihunga Bessa
Segundo dados preliminares prestados por familiares da vítima ao Na Mira do Crime, o facto aconteceu por volta das 16 horas, quando cerca de quatro indivíduos, que se faziam transportar numa viatura de marca Toyota, modelo Rav 4, com matrícula não identificada, ao verem a vítima a sair da cantina em direcção a casa, chamaram-na e, sem dizer coisa alguma, de seguida efectuaram três disparos que atingiram o infeliz nas regiões do peito, perna esquerda e do abdómen.
“O rapaz nunca esteve associado ao mundo criminal. Não sabemos por que razão os supostos agentes da polícia fizeram isso com ele”, lamentou um dos familiares, falando sob anonimato.
De acordo com informações, os disparos provocaram ferimentos graves que resultaram na morte imediata da vítima.
As circunstâncias do crime, segundo os familiares, não foram oficialmente esclarecidas pelas autoridades competentes.
No entanto, contam os familiares, duas semanas antes, isto no dia 25 de Dezembro de 2025, os supostos agentes do SIC e da Polícia Nacional terão invadido a residência de Eclésio Justino Alves da Fonseca, com o objectivo de o localizar.
Na ocasião, não tendo encontrado o cidadão, dizem que os supostos agentes detiveram um vizinho que reside no mesmo quintal, sob a alegação de que este estaria a encobrir ou a esconder o referido indivíduo.
O vizinho foi então conduzido à esquadra para interrogatório.
“Depois de irem à casa dele e não o encontrarem, dias depois, enquanto andava com um dos seus primos, encontraram-se com os supostos efectivos do SIC e da Polícia Nacional, que lhe revistaram todo o corpo para verificar se o mesmo tinha tatuagens. Não encontrando nada,
mandaram-no seguir o caminho, pois procuravam alguém com nome semelhante”, frisou um familiar.
Este antecedente, segundo a família, levanta sérias dúvidas de quem executou o jovem no dia 10 de Janeiro, colocando em causa a eventual existência de erro de identificação, excesso no uso da força ou violação de procedimentos legais por parte das forças de segurança.
O caso tem gerado preocupação entre familiares e moradores da zona, que exigem uma investigação célere, transparente e imparcial, de modo a apurar responsabilidades e esclarecer as circunstâncias que levaram à morte de Eclésio Justino Alves da Fonseca.
Segundo os familiares, tomaram conhecimento, através de algumas fontes, de que um dos acusados no envolvimento do caso, suposto agente da Polícia Nacional, já se encontra detido no Comando Municipal de Viana.
“Apenas ouvimos que um deles já está detido no Comando Municipal de Viana, mas não temos certeza”, disse o primo.
A família clama por esclarecimentos urgentes.
Para saber mais sobre o assunto, o Na Mira do Crime contactou, por via telefónica, o porta-voz da Polícia em Luanda, superintendente-chefe Nestor Goubel, tendo mantido conversa com o seu assessor, Mauro Augusto, que prometeu pronunciar-se em breve.
Em seguida, contactou o porta-voz do SIC-Luanda em exercício, inspector Emanuel Capita, que avançou que o jovem foi morto por "elementos desconhecidos", e que diligências estão em curso no sentido de encontrar os implicados e esclarecer o caso o mais breve possível.










