Na ressaca do dia dos namorados - Briga entre grupos de marginais rivais termina em duas mortes em Cacuaco
Dois cidadãos nacionais, que em vida respondiam pelos nomes Rogério Cango (Didó), de 20 anos de idade, e Segunda Lucamba, mais conhecido por "Rk", de 29 anos, membros de grupos de marginais rivais denominados “Russias” e “Cadáveres”, moradores da zona do Chendovava, bairro Augusto Ngangula, município de Cacuaco, morreram na madrugada de domingo, 15, depois de terem sido atingidos com golpes de faca de cozinha e objectos contundentes, durante uma briga, quando se encontravam a conviver num bar.
Por: Kihunga Bessa
Elisa Simão (Chanel), de 25 anos de idade, irmã mais velha de “Dido”, em declarações exclusivas ao Na Mira do Crime, relatou que o facto aconteceu por volta das duas horas da madrugada, quando o seu irmão, em estado de embriaguez, se encontrava a conviver num bar, em alusão ao Dia de São Valentim (Dia dos Namorados), e surgiu a outra vítima, que supostamente o terá pisado nos pés.
“O meu irmão disse: ‘Pisaste-me’, e ele pediu desculpa, mas como já estava mesmo embriagado, este não entendeu e começaram a complicar-se”, disse, acrescentando que, durante a briga, Dido terá sido atingido com duas pauladas nas regiões da cabeça e do pescoço, ficando estatelado no chão, e um dos elementos ligou ao irmão da vítima que, por sinal, tinha saído há três dias da cadeia, na esquadra do Bom Pastor, onde estava detido, informando-o do que se estava a passar.
“Este outro meu irmão foi até ao local com os seus amigos; também lutaram. Quando a vítima foi socorrida ao hospital, eles deixaram o local. Minutos depois, vimos uma multidão de pessoas a invadir a nossa casa, alegando que o meu irmão matou o Rk com três golpes de faca”, frisou, salientando que, durante a confusão, o seu pai também não foi poupado; arremessaram-lhe blocos na cabeça, criando ferimentos graves, que foram suturados com de dez pontos, e que o pior só não aconteceu porque a família pediu apoio à polícia, que, segundo a nossa entrevistada, sem demora, compareceu ao local, restabelecendo a ordem.
Consequentemente, o Na Mira do Crime deslocou-se à casa da outra vítima, onde ouviu Helena Manuel, mãe de Rk a contar que, por volta das duas horas da madrugada, alguém chegou e bateu a porta, informando que o seu filho fora morto com golpes de faca.
“Quando fomos até ao local, não o encontrámos; disseram-nos que já havia sido levado para o hospital. Seguimos, mas infelizmente já estava morto”, lamentou, com lágrimas nos olhos.
Segundo informações dos familiares, os dois ainda foram socorridos às unidades hospitalares, sendo um no Hospital dos Cajueiros e outro no Hospital Municipal de Cacuaco, onde acabaram por morrer.
O Na Mira do Crime sabe que, no mês de Janeiro do ano em curso, os coordenadores dos bairros Augusto Ngangula e Paraíso ofereceram cursos profissionais aos integrantes dos dois grupos, com vista a cessarem as rivalidades, um acto testemunhado pelo Comandante Municipal da Polícia de Cacuaco, Adriano Epomba.
Importa referir que as vítimas exerciam a actividade de moto-táxi. As famílias clamam por justiça.
Durante a nossa reportagem, foi possível observar a presença de agentes da Polícia Nacional, afectos à esquadra do Bom Pastor, naquela zona, mantendo a ordem no local.










