Polícia mata filho de Polícia: Menor de 13 anos tingido com tiro na cabeça no Zango 3 estudava a oitava classe - O sangue pintou os cadernos - Os pais não acreditam na morte prematura do adolescente
Um adolescente de 13 anos de idade, que em vida respondia pelo nome João Gaspar Dias, foi morto com tiro na cabeça, no final da tarde desta quarta-feira, 11, no bairro Zango 3, município de Calumbo, província de Icolo e Bengo quando saía da escola. O principal suspeito é o comandante da Esquadra do Zango 8 mil, Intendente Waldemar, que já se encontra detido.
Por: Solange Figueira
O jornal Na Mira do Crime esteve na casa do óbito na manhã desta quinta-feira, 12 e ouviu o clamor dos familiares do menino.
Residente na Rua 4, imediações da Universidade ISIA, a vítima, estudante da oitava classe, foi atingido com um disparo na cabeça quando saía da escola denominada "Das Cinzentas", próxima ao Colégio Narfaive.
Testemunhas contam que o adolescente acompanhava um amigo, quando chegaram nas proximidades da casa do comandante, onde estava o seu suposto sobrinho.
No local, o amigo da vítima terá se complicado com o sobrinho do oficial da Polícia, e este correu para casa pedindo ajuda ao tio.
Nesse momento, sem qualquer justificação, o comandante ainda dentro de casa terá manipulado a pistola, e quando saiu, sem mais nem menos, sem dó nem piedade efectuou um disparo a queima-roupa que atingiu a cabeça do pequeno João Gaspar Dias, que caiu para o chão sem qualquer chance de sobrevivência.
O adolescente caiu, vestido de bata branca e os cadernos nas mãos...o sangue manchou os cadernos de apontamentos das matérias que assimilava Após o ocorrido, moradores afirmam que o suspeito solicitou a presença de uma patrulha da Polícia de Intervenção Rápida (PIR).
No local, os agentes terão utilizado gás lacrimogéneo para dispersar a população que se aglomerava nas imediações.
O pai da vítima, Gaspar Dias, que também é Polícia há mais de 35 anos, diz que procurou apresentar queixa no Comando Municipal do Zango 1, mas alega não ter recebido o devido acompanhamento.
“Ele não matou um animal, matou uma pessoa, matou o meu filho. Quero apenas que ele seja preso e responda pelo crime que cometeu”, declarou.
A mãe do adolescente, Maria Gaspar, afirmou que o filho era estudante da oitava classe e descrito pela família como um jovem dedicado aos estudos. “Era um menino obediente e estudioso. Arrancaram uma parte de mim”, disse, visivelmente emocionada.
O irmão da vítima, Adão Francisco Gaspar, acusa as autoridades locais de tentarem distorcer os factos. Segundo ele, circulam nas redes sociais informações de que o adolescente estaria envolvido em grupos de delinquência, algo que a família nega.
“Meu irmão frequentava a igreja e apenas foi acudir um amigo. Pedimos justiça às autoridades”, afirmou.
A família solicita a intervenção das autoridades competentes, incluindo o Ministério do Interior, para o esclarecimento do caso.
Até ao momento, não houve pronunciamento oficial das autoridades sobre as circunstâncias do crime.
Fontes do Na Mira do Crime junto ao Comando Provincial do Icolo e Bengo, garantiram que o Intendente está detido e será responsabilizado pelos seus actos.










