Adolescente de 17 anos assassinado a tiro alegadamente por filhos de um efectivo do SIC no Zango 4 - Pai dos suspeitos "dá corpo" à acusação e está detido como principal suspeita
Um jovem que em vida atendia pelo nome Cláudio Lourenço, de 17 anos de idade, residente no município do Calumbo, Zango 4, foi assassinado, no passado dia 13 do corrente mês, com dois tiros na região do peito e do abdômen, por três vizinhos, supostos filhos de um agente do Serviço de Investigação Criminal.
Por: Solange Figueira
De acordo com os familiares da vítima, o facto aconteceu quando Cláudio estava a sair da serralharia em que trabalhava e foi interpelado pelos vizinhos que, por sinal, eram seus amigos.
Sem motivo algum, receberam-lhe os chinelos que o mesmo calçava. Revoltado, foi para casa chamar o seu irmão mais velho que, nessa tarde, entrou em luta corporal com os três acusados.
Por se sentirem vencidos, prometeram matar o irmão mais velho, o que não aconteceu.
No mesmo dia, de noite, contam os familiares, os três jovens acusados, identificados por Marcelo, Délcio e Milton, terão supostamente sequestrado o malogrado que andou desaparecido de casa durante três dias.
Na segunda-feira, 16, de manhã, depois de várias buscas pela família, o corpo do jovem foi encontrado na morgue do hospital geral do Zango 8 mil.
Tuninha Venâncio, mãe da vítima, diz que os acusados estavam a viver no bairro há apenas dois meses, vindos do Rangel, e ninguém sabia do seu histórico.
"Quem matou o meu Cláudio são os filhos do vizinho. Eles vivem naquela casa seis irmãos, sem pai e sem mãe, fazem da residência um prostíbulo, consomem drogas excessivamente. O vizinho diz que é trânsito, mas não é, ele é do SIC. Por causa de um par de chinelos que eu comprei para o meu filho, eles mataram. Os vizinhos dizem que ouviram os gritos do meu filho, lhe torturaram, lhe amarraram com fita cola na boca, nas mãos e nos pés, seguidamente lhe deram dois tiros, chamaram uma patrulha e lhe levaram na morgue do hospital do Zango 8 mil", acusou.
Salientou que, o pai dos acusados não vive com os filhos, mas foi ele quem alegadamente deu a arma para protecção dos filhos.
Milton Lourenço, pai de Cláudio, conta que receberam a notícia da morte do filho quando foram o procurar na esquadra. "Fomos ao SIC do Zango 8 mil, o nosso espanto é que eles disseram que o assassino do meu filho é o vizinho Pereira André António, pai dos meninos. Ele mesmo o levou ao hospital, onde disse o nome dele completo. Disseram-nos também que ele morreu na sala de operação, não entendemos nada", afirmou, questionando se é possível alguém ser operado sem o conhecimento dos familiares.
Para ele, o vizinho está acobertar os filhos.
"Nos disseram que ele está detido no Serviço de Investigação Criminal do Zango 8 mil, porém não o vimos", sublinhou, afirmando que apenas recebeu o número de processo, que é PGR 888/26. Agora, exige que a verdade apareça e os culpados sejam todos punidos.
Kilson, irmão da vítima, lamentou o facto.
"Eles não conseguiram lutar comigo e nem me matar, por isso mataram o meu irmão", lamentou.
A nossa equipa de reportagem entrou em contacto com o responsável de comunicação Institucional e Imprensa da Polícia na província de Icole Bengo, Manuel Kianda, que esclareceu que o caso está entregue ao Serviço de Investigação Criminal e que o acusado já está detido.










