Tribunal começou a julgar Inspector da Polícia acusado de matar uma zungueira no Cassequel do Buraco com tiro na nuca
Arrancou na manhã desta terça-feira, 07, no Tribunal da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina, na 8.° Secção da sala dos crimes comuns, o julgamento do processo número 68/24 G, crime de homicídio, em que foi vítima Raquel Tchipa Culepa, de 30 anos de idade, zungueira de profissão, assassinada com tiro na cabeça em Dezembro de 2023, por um efectivo da Polícia Nacional, identificado por Guilherme Domingos de Andrade Mussunda, enquanto vendia na via pública, no bairro Cassequel do Buraco, município da Maianga.
Por: Cambuta Vieira
Em sede de audiência, o Ministério Público (MP), fez a leitura da peça acusatória narrando que, no pretérito dia 09 de Dezembro de 2023, por volta das 15 horas, dois fiscais solicitaram ajuda da polícia quando se desentenderam com às vendedeiras, por terem levado mercadorias das mesmas.
A infeliz, ao reclamar o seu negócio, conheceu a morte após ser alvejada.
O arguido, segundo o MP, munido de uma arma de fogo do tipo Gericho, com 12 munições, na companhia de mais quatro efectivos, se deslocaram até ao local numa viatura da marca, Suzuki, de cor cinzenta, tendo o arguido efectuado vários disparos à queima-roupa, um dos quais atingiu a infeliz na região da nuca, e outros atingiram dois jovens que estavam na via pública.
O arguido vai responder pelo crime de homicídio qualificado em razão dos meios.
Por sua vez, o assistente do acusado, pediu a absolvição do seu constituinte, porque não existe provas que o incrimina, pois a arma foi períciada pelo laboratório de criminalística e, segundo conta, não apontou que o disparo foi efectuado pela arma do arguido.
Em sede de audiência, Guilherme Domingos de Andrade Mussunda, alegou que é efectivo da Polícia há mais de 15 anos, e que ostenta a patente de Inspector.
"No dia dos factos, na qualidade de comandante da esquadra da Madeira, fomos socorrer a chamada de um colega que estava na esquadra móvel, localizado no Cassequel, na companhia dos colegas Santos, Paulo Francisco, Isaías Vunge e José da Fonte, sob minha orientação", explicou.
Explicou que equipou os efectivos com arma de fogo do tipo mini Uzi, enquanto ele portava uma arma de fogo do tipo pistola, marca Gericho, com 12 munições, "pedimos boleia a uma viatura e fomos até ao local da ocorrência", detalho.
Segundo conta, já no local dos factos, ao colocar um cidadão no interior da esquadra móvel, ouviu disparo de arma de fogo e, ao reparar do que se tratava, deparou-se com a cidadã estatelada no chão, e sem saber o que fazer, voltaram para a esquadra.
Zola Bambi, advogado da família, disse que espera um processo com lisura, transparência e imparcialidade, de modos que a família possa ter justiça, e deste processo se consiga uma decisão exemplar que ajuda a sociedade na mudança de comportamentos de certos agentes.
O Na Mira do Crime sabe que, depois da ocorrência, Guilherme ficou detido por nove meses, e foi colocado em liberdade por excesso de prisão preventiva.
O caso
Vale recordar que Raquel Tchipa Culepa foi assassinada no dia 09 de Dezembro de 2023, no mercado da Teixeira, localizado no Cassequel do Buraco, por ter reclamado o seu negócio.
Raquel deixou quatro filhos biológicos e outros três filhos da sua irmã ( falecida ) que estavam sob a responsabilidade.










