Duplo homicídio no Zango: Familiar das vítimas diz que homicida é agente da Polícia - Disparos na cabeça da filha e peito da sogra foram fatais
Um cidadão identificado pelo nome Américo Paulo de Carvalho, de 56 anos de idade, residente no município de Calumbo, arredores do Zango 1, província de Icolo e Bengo, está a ser procurado pelas autoridades policiais, por acusação de duplo homicídio, em que foram vítimas a sua própria filha de 18 anos de idade e a sogra, de 58 anos, facto ocorrido no último domingo, 12, por volta das 23 horas.
Por: Solange Figueira
De acordo com os familiares que falaram em exclusivo ao Jornal Na Mira do Crime, tudo aconteceu na primeira paragem do Zango 3, rua do restaurante de pedras, quando o acusado foi à procura da sua esposa, em casa da sogra, que em vida atendia pelo nome Antónia Brandão.
Segundo Marta Negrão, tia da menina atingida com tiro na cabeça, peito e abdómen, o acusado estava a rondar a casa da sogra ao longo do dia, a procura da esposa.
"Os vizinhos nos disseram que o meu cunhado passou pela rua às 14, 17 e às 21 horas, à procura da mulher. Pensou que a sogra e a filha estavam a escondê-la, mas ela não estava em casa, estava num óbito de um familiar no Sambizanga", explicou.
A filha, que em vida atendia pelo nome Cláudia Negrão de Carvalho, de 18 anos de idade, foi quem abriu a porta para o pai entrar.
"Foi atingida com três tiros, um na região da cabeça, outro no abdômen e no peito", lamentou.
Segundo a família, a sogra quando ouviu os disparos, pretendia pedir ajuda, mas foi atingida também com três tiros - no peito, no braço e no pescoço.
Segundo contam, o casal teve uma briga na última quinta-feira. "O meu cunhado bateu na minha irmã, a filha meteu-se à frente dele para acudir e ele também espancou a menina, e pediu para a mulher escolher entre ele e a filha, ela escolheu a filha e saiu de casa, foi ficar na casa da mãe", desvendou.
O Na Mira do Crime sabe que o casal tinha dois filhos, e estavam juntos há mais de 20 anos, porém, a relação sempre foi muito conturbada.
"Depois de matar a filha e a sogra, ele ainda enviou um áudio à esposa a dizer que não está satisfeito com o que fez, e que vai voltar para matá-la. Se repararem, o óbito está vazio, muita gente tem medo de vir ao óbito porque ele está foragido. Queremos que ele apareça e pague pelos crimes que cometeu", exigiram.
Jessica André, prima, diz que o acusado sempre foi amigo da filha e muito carinhoso com a sogra.
"A Cátia tinha muitos sonhos, era extrovertida e estudiosa, estava a fazer a décima segunda classe, ela queria ser gestora de recursos humanos. Sempre teve boas relações com o pai, porém, desde que ela começou a acudir a mãe tornou-se inimiga dele", explicou.
"O problema sempre foi o ciúme possessivo que ele sentia da esposa. No dia em que ele cometeu o duplo homicídio, em casa tinham duas crianças no quarto, uma delas era o filho dele, mesmo assim ele não teve piedade e matou às pessoas. Há muitos anos que ele está em casa de licença médica, ele era agente da polícia, tinha a patente de segundo subchefe", descobriram.
A família explica que foram avisados da tragédia a meia noite de segunda-feira. A princípio, pensaram que fosse um assalto, mas a própria esposa disse que o marido entrou em contacto com ela e perguntou se ela havia gostado da surpresa.
"Ele sempre foi muito agressivo, espancava a mulher a toda hora, não a deixava estudar ou trabalhar. Nós, como família, já estávamos habituados com os surtos dele. A sogra sempre o ajudou, tratava-o como filho, estamos revoltados porque ela era uma pessoa muito boa e tranquila, não merecia morrer desta forma, queremos que se faça justiça", pediram.
Contactada a polícia local, fomos informados que o caso está sob investigação, e tudo está a ser feito para a detenção do acusado.









