Sofre de perturbação mental: 1.º subchefe da UPIP mata cidadão a tiro no Lubango depois de delirar e acusar a sua esposa de feitiçaria
Um efectivo da Unidade de Protecção de Individualidades Protocolares (UPIP), colocado em Luanda, de nome José António Choia, natural do município de Quipungo, província da Huíla, de 39 anos de idade, é acusado de ter disparado mortalmente, nesta terça-feira (12) do mês em curso, contra um cidadão ainda não identificado, de aproximadamente 40 anos de idade, ocorrido às 05horas, no condomínio junto a estação da Mukanka, bairro Tchioco, na cidade do Lubango.
Por: Laurentino Tchatuvela (Huíla)
De acordo com José Malungo, inquilino do suspeito, na segunda-feira (11), o mesmo informou que seguiria viagem para Luanda, onde trabalha, e que iria a uma operadora para adquirir o bilhete de viagem, tendo saído com a sua bagagem.
“Fiquei surpreso porque, por volta das 20 horas deste mesmo dia, alguém batia ao portão com muita intensidade, quando abri era ele, estava descalço, sem camisa e bastante agitado, pensei que tivesse sido assaltado na paragem”, explicou.
Segundo o interlocutor, o suspeito começou a falar de feitiçaria, alegando que alguém lhe queria fazer mal, sobretudo a sua ex-mulher que se encontra na província do Cunene.
“Quando tentei falar com ele, empurrou-me e começou a tirar toda a roupa que usava, batia em qualquer parte da casa”, referiu.
José Malungo acrescentou ainda que, posteriormente, efectivos da Unidade de Reacção e Patrulhamento (URP), bem como uma ambulância do Hospital Militar, deslocaram-se ao local e encontraram o suspeito já mais calmo.
“Nós sabíamos que ele tinha uma pistola, mas não sabíamos que estava na sua posse, os efectivos da URP questionaram-no sobre a arma e ele respondeu que estava num local seguro, depois disso, já não voltaram a insistir”, frisou.
Negligência por parte dos agentes?
De acordo com o nosso entrevistado, se os polícias tivessem apreendido a arma, essa situação não teria acontecido.
"Nós comunicámos que o suspeito não estava bem psicologicamente, não se entende por que lhe deixaram com a arma de fogo”, sublinhou.
"Na manhã desta terça-feira, segundo o mesmo, o suspeito voltou a bater à porta de forma agressiva, tal como havia feito no dia anterior, falando novamente sobre “coisas do além”, e de seguida fez dois disparos na janela tendo atingido no vidro, isto em minha casa, sem causar danos a nós que estivemos no interior".
“Mais tarde chamou-me e bateu novamente à minha porta, depois saiu em direcção à estação do Caminho-de-Ferro da Mukanka, não sabemos ao certo o que aconteceu depois, apenas ouvimos o terceiro disparo, quando fomos ao local, encontrámos um corpo estendido no chão”, contou.
Segundo dados da polícia local, o suspeito já foi detido e encaminhado ao Hospital Psiquiátrico da Huíla, as autoridades garantem que, a qualquer momento, poderão pronunciar-se oficialmente sobre o caso.
Recorde-se que, até ao momento, a vítima é um cidadão desconhecido, desconhecendo-se o paradeiro da sua família.
O corpo foi removido pelo SIC e encaminhado para a morgue do Hospital Central do Lubango Dr. António Agostinho Neto.










