Agressores perderam a cova que tinha reservado- Coveiro morre à facadas no Cemitério do Camama
Um cidadão nacional identificado apenas por Maurício, de 20 anos de idade, residente no bairro 11 de Novembro, que desenvolvia actividade de coveiro no Cemitério da Camama, morreu na sexta-feira última, 22, vítima de agressões físicas com uso de objectos cortantes (facas), efectuadas por um grupo de jovens que participavam de um funeral.
Por: Alfredo dos Santos Talamaku
Os factos atestam que a vítima desenvolvia actividade de coveiro em companhia do seu pai e um dos seus irmãos e, não poucas vezes, erguia as campas.
Segundo o secretário do Cemitério do Camama, Luciano Custódio, a vítima não fazia parte do quadro dos trabalhadores efectivos do referido cemitério, apenas desenvolvia as actividades por conta própria.
"O pai dele é nosso funcionário, mas a vítima não. Como nosso funcionário, o pai, em 2025, convidou dois dos seus filhos, um deles que é a vítima, a passarem a exercer a actividade de pedreira fazendo campas e quando solicitados também trabalham como coveiros", explicou.
De acordo com os colegas, as agressões ocorreram depois de um indivíduo ter recorrido ao cemitério, na manhã de sexta-feira, para verificar a cova na qual teria sido sepultado o corpo de um dos seus familiares e terá pago dinheiro aos coveiros, recomendado que fosse aumentada a profundidade da cova.
"Já tinha passado a hora do funeral; eram 12 horas e o senhor que tinha solicitado o serviço não ligou, tal como prometeu. Porque não estavam a chegar, nem diziam nada, a cova combinada foi entregue à outra família, porque se achou que, pela hora eles, já não teriam aparecido para o funeral", contou.
Os coveios ficaram estupefactos quando viram, fora das horas para funerais, um cortejo a chegar, com um senhor a fazer exigências para que lhe seja cedida a cova. Apesar de lhe ter sido prometido resolver o problema de forma extraordinária, este não entendeu, e passou a agredir o malogrado.
"O filho e todos nós fomos para saber o que se passava e também fomos agredidos. Tivemos que correr dispersos porque um grupo de jovens estavam com facas e catanas na cintura", explicou Bruno, um dos colegas da vítima.
Acrescentou que a vítima foi esfaqueada depois de todos os funcionários tentarem fugir do local. "O Maurício caiu ao tentar correr pelo capim e foi apanhado. Foi ferido com facas e catanas, e blocos na cabeça, socorremo-lo para o Hospital Geral, mais precisamente para o bloco operatório, mas no dia seguinte, sábado, recebemos a informação de que ele foi a óbito", lamentou o colega.
Os funcionários avançaram não ser o primeiro caso de agressão contra funcionários do referido cemitério, pelo que pedem a presença diária da polícia para o asseguramento do local.
"Aqui tem havido sempre confusões de jovens que acompanham os funerais, mas é a primeira vez que alguém é ferido e morre. Alguns efectivos da polícia tentaram enfrentar, mas dada a ferocidade dos agressores, desapareceram.
A presença da polícia naquele perímetro impõe-se já que o cemitério tem servido como esconderijo de marginais.
A nossa reportagem contactou o Chefe do Departamento de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Províncial de Luanda, Superintendente -chefe Nestor Goubel, que prometeu pronunciar -se tão logo for possível.










