Triplo assalto: Marginais semeiam dor e luto no Papá Simão
Três residências foram assaltadas esta semana no município de Viana, distrito da Estalagem, no bairro Papá Simão. O crime que ocorreu na madrugada da última segunda-feira, no Km 9 B deste distrito, teve as impressões digitais de quatro meliantes fortemente armados com armas de fogo do tipo AKM, tendo a sua acção criado terror aos moradores.
Por: Matias Miguel
Segundo apurou o NA MIRA DO CRIME no local dos acontecimentos, o professor do MAPTESS e empresário Domingos do Rosário Quimbala, de 39 anos de idade, teve morte imediata depois de ter sido alvejado com três tiros dois no abdômen e um na perna. Os disparos feitos à queima roupa, no interior da sua residência e em frente a mulher e filhos não deixam dúvidas das reais intenções dos ‘amigos do alheio’: tirar a vida do pacato cidadão e chefe de família.
De acordo ao Agostinho do Rosário Manuel, irmão do malogrado, os meliantes escalaram o muro da casa por voltas das zero horas, usaram um pedregulho para quebrarem o telhado de lusalite e invadiram a casa da família.

“No interior da residência começaram por exigir, que lhes dessem cinco milhões de Kwanzas e diziam que o meu irmão tem guardado estes valores na sua conta. Por acaso tinha na conta, mas não sabemos como é que eles obtiveram esta informação, muito menos quem lhes terá dado estas pistas”, explicou.
Depois de ter entregue o cartão e o referido código de segurança, acrescentou o irmão, eles exigiam mais coisas.
“Diziam que ele tinha mais do que aquilo que ele já entregou. Insatisfeitos fizeram-lhe o primeiro tiro na perna esquerda, para força-lo e colaborar. Mas como não eram bem sucedidos, exigiram a mulher que entregasse os cartões pessoais dela sob pena de matarem o marido, ela não pensou duas vezes e entregou-os”, sustentou, garantindo que receberam também quatro fios de ouro da esposa e os três telefones do casal.
Agostinho Manuel garante que os familiares estão totalmente abalados com o crime e esperam apenas que o Estado faça justiça.
“O que fizeram com o meu irmão não se faz. Ninguém queriam estar na minha pele dele, que sofreu até ao último suspiro de vida ou na pele dessa família que chora o seu pai e irmão. Esperamos que os meliantes sejam encontrados e conduzidos à justiça, porque eles vieram bem direccionados, conhecem as pessoas e frequentam a área”, sustentou, realçando que o malogrado deixa viúva e um filho órfão.
Na saga, meliantes saltaram para casa ao lado
Bernardo António, de 63 anos, vizinho do malogrado disse à nossa reportagem que eram quatro os bandidos que fizeram a sua família viver o pior dia das suas vidas.
“Passamos duas horas de grande tormento. Ouvimos os tiros e, infelizmente, não podíamos fazer nada porque eles estavam armados. O nosso vizinho, da casa ao lado, ainda ligou para a Polícia, mas os agentes apareceram apenas 30 minutos depois do crime ter sido consumado e dos marginais terem abandonado o local”.

João Paulo, de 54 anos, disse que no seu entender, seria a terceira vítima destes marginais que semearam dor e luto na zona onde vive.
“Eu e os miúdos ficamos a ver todo o ‘filme’. Ao saltarem para a casa ao lado, aperceberam-se que tinha pessoas a ver a cena toda. Um dos bandidos, por exemplo, deparou-se cara a cara comigo”, contou, sublinhando que foram rendidos pelos marginais e obrigados a ficarem todos na varanda “sob ameaça de que seriamos todos mortos”.
“Entrou um em minha casa, apontou-nos a arma e nos mandou calar a boca. A mulher do nosso vizinho é muito corajosa, porque os bandidos só tinham saído de casa a 100 metros e ela já estava a gritar por socorro”, contou, para depois dizer que, foi pelos gritos de socorro da vizinha que notaram que os ‘amigos do alheio’ já se tinham ido embora.
“Esses bandidos vieram bem direcionados. procuravam alguma coisa na casa do nosso vizinho, porque eles vasculharam todo tipo de papel na casa do malogrado”, denunciou.
Marginais usaram criança de 8 anos para chamar o pai
Manuel Jorge, de 47 anos de idade, a segunda vítima a ser baleada no triplo assalto, sofreu um tiro na nádega, sendo que, até ao momento que a sua esposa, Isabel Zacarias, falava para a nossa equipa, já se encontrava fora de perigo.
Segundo a esposa, os bandidos arrombaram a casa enquanto a família estava a dormir e bateram a porta onde dormiam os filhos.

“Assim que o miúdo de 8 anos abriu a porta, a pensar que era o pai, o bandido apontou a arma ao rapaz e insinuou o miúdo para chamar o pai sob o pretexto que a barriga estava a lhe dor”, contou.
Manuel Jorge, tão logo abriu a porta, foi surpreendido com um "senão nos dares dinheiro vais morrer”.
“Mas ele jurou a pés juntos que não tinha dinheiro nem multicaixa, razão que levou o marginal a dar um tiro que o atingiu nas nádegas”.










