Pastor da Igreja Pentecostal brutalmente assassinado e queimado em Icolo e Bengo
Alexandre Kissanga Trosso, de 27 anos de idade, pastor da Igreja Assembleia de Deus Pentecostal, foi dado como desaparecido na tarde de sábado 17 de Julho, quando fazia serviço de moto-táxi no Km 44, em Luanda.
Por: Matias Miguel
Helena Trosso, irmã mais velha do malogrado, falou em exclusivo ao NA MIRA DO CRIME, e disse que o sogro dele (malogrado), ligou para ela por volta das 22 horas dando a conhecer que o seu irmão não tinha chegado à casa, algo que não era habitual.
“Como já era tarde, nas primeiras horas de domingo, fui a casa do pai saber do sucedido. A partir daí fomos a Polícia da centralidade do 44 dar a conhecer o caso”, explicou, tendo garantindo que, desde aquele momento começaram as diligências no sentido de encontrar o seu familiar.
“Fomos às esquadras, aos hospitais, revistamos as salas de internamento, abrimos diversas gavetas na esperança de localizar pelo menos o corpo dele, mas todas as buscas foram infrutíferas”, contou.
Na terça-feira, segundo disse, receberam uma informação segundo a qual, os habitantes da localidade de Mazozo teriam encontrado um corpo.
“Corremos para lá, mas era um falso alarme. Ainda assim, não cruzamos os braços dividimo-nos em grupos e começamos outras buscas nas ruas com a foto dele”.
Contra todas as expectativas, Helena Trosso disse que foi na quarta-feira que ficaram a saber do infortúnio do seu irmão por via de uma vizinha que terá recebido um telefonema dando conta que o cadáver do meu irmão tinha sido encontrado nas matas de Catete, algures no bairro Camizungo de Cima.
“Entramos em pânico. Fomos até lá e constatamos que sim, era o corpo do meu irmão”, contou, sem conseguir conter o choro e as lágrimas.
Brutalmente assassinado e queimado como um animal
De acordo com Azevedo António, que faz o serviço de moto-táxi na zona, disse que os assaltos no Km 44 são frequentes, principalmente pela escuridão que caracteriza o bairro, o que tem facilitado as acções dos meliantes.
“Ficamos muito tristes quando nos apercebemos do caso do pastor que foi assassinado e queimado. Ele não era meu amigo, mas cheguei a conhecê-lo e via-lhe sempre a carregar as mamãs de casa para a lavra e vice-versa”, explicou, garantindo que desta vez os meliantes foram muito ousados.

Normalmente, segundo contou, em casos de assaltos, apenas levam o moto-taxista para uma zona distante da vista dos moradores, recebem a motorizada e depois soltam a vítima. O que não chegou a acontecer com Alexandre Trosso.
“O malogrado era um exemplo a seguir, soube que se casou recentemente, há sensivelmente seis meses e que era pastor da Igreja Assembleia de Deus Pentecostal. Era um homem de paz e, muito sinceramente, não merecia o que lhe aconteceu”, notou, bastante chocado com o crime, considerado por muitos moradores daquela localidade como bárbaro.
Revoltados, moradores podem mais patrulhamento
O sentimento de revolta e indignação pela crueldade verificada nesse crime se apossou dos moradores do bairro Camizungo de Cima que, aproveitaram os microfones do NA MIRA DO CRIME para deixar um repto ao Comandante da Polícia local para aumentar o patrulhamento policial no Km 44 sendo que a Unidade mais próxima está localizada na Centralidade do Km 44 “e às vezes quando demos a conhecer um determinado caso eles não aparecem. Aqui está o resultado da falta de policiamento nos nossos bairros”, apontaram.
Assaltos à luz do dia: um ‘modus operandi’ que passa despercebido
Segundo contaram os moradores e moto-taxistas da zona, os meliantes têm como horário preferencial para o cometimento das suas acções das 09 às 11 horas, altura que se fazem passar por passageiros.
“Pedem para o levares ao bairro Jambondo/Zona Verde, assim que chegas lá, já encontras os comparsas preparados com armas de fogo e brancas. Por causa desses assaltos, hoje é raro um moto-taxista te levar neste bairro porque suspeita que também podes ser um deles”, garantiram.
Entretanto, em caso de assaltos, os moradores garantiram que, por norma, apenas recebem as motorizadas, amarram as mãos e as pernas do moto-taxista e abandona-o até que alguém passe por ali.
“O falecido teve uma má sorte”, contaram, para depois em gesto de conclusão sustentarem que já deram a conhecer a Polícia sobre os crimes que ocorrem na zona, sendo que a corporação tem, inclusive, conhecimento dos troços preferenciais das emboscadas dos meliantes, embora algumas vezes alteram o horário das suas acções.
Família pede justiça
Justiça foi a palavra mais ouvida entre os familiares, vizinhos, pessoas próximas e, até mesmo aquelas que terão se apercebido do caso pelo passar a palavra de boca em boca. “A maneira como o meu irmão foi assassinado pareceu ter sido um criminoso, mas, afinal, foi um jovem humilde. Por isso, venho mais uma vez, pedir que se faça justiça. Que se trabalhe com os detidos para que esclareçam as razões de tanta crueldade e maldade, acima de tudo, que paguem pelo crime que cometeram”, pediu.
Bartolomeu João Trosso, ancião de 64 anos, pai do malogrado, disse por outro lado que perdeu um filho da forma mais cruel que se pode imaginar.
“Estou sem chão, mataram-me o filho como se fosse um porco, morto e assado na mata”, notou, para depois dizer, em gesto de desabafo que está frustrado e, caso fosse no tempo em que era militar não iria pensar duas vezes para fazer justiça pelas próprias mãos.
Entretanto, fontes policiais do NA MIRA DO CRIME no local, garantiu que, pelo menos, três dos cinco supostos envolvidos no crime já estão a contas com a justiça, entre os detidos, está um jovem apenas identificado por ‘Nilo’ e dois comparsas, sendo um de tom de pele clara.
“No total são cinco indivíduos e a motorizada que a vítima conduzia está a ser indicada como o móbil do crime. Todavia, a Polícia está a fazer um trabalho mais aturado para se perceber a verdadeira razão deste crime bárbaro”, garantiu.










