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Enviados para matar: Viúva do inspector da polícia assassinado em Luanda lembra momentos de terror

Enviados para matar: Viúva do inspector da polícia assassinado em Luanda lembra momentos de terror


Tristeza, desalento e angustia fazem morada na casa do inspector da Polícia Nacional, Ronde Manuel António, de 37 anos de idade, até a data da sua morte Chefe de Operações da Unidade de Protecção de Individualidades Protocolares (UPIP), assassinado barbaramente na madrugada de quarta-feira, 8, no bairro Muxima Moxi, município de Viana, distrito urbano do Zango, por indivíduos até agora desconhecidos.

 Por: Matias Miguel

Uma equipa de reportagem do NA MIRA DO CRIME deslocou-se a casa do óbito, e conversou em exclusivo com a viúva do oficial. Visivelmente angustiada e em lágrimas,  Suzana Sérgio António começou por dizer que a tragédia que atingiu a sua família tem rosto.

“São colegas descontes com a ascensão do meu marido, nos últimos dias ele pressentia que algo de mal estava para vir, dizia que no serviço já não estavam a lhe gostar, porque o Comandante lhe atribuiu cargos”, atirou.

Segundo Suzana, o telefone do esposo não parava de tocar, e do outro lado era sempre o comandante.

“Ora porque o carro do presidente do Tribunal não tem combustível ou porque algo estava em falta, até aos Sábados, o meu marido abandonava o mufetes com sumos naturais para atender o trabalho, e a prenda que recebe é esta?” chorou.

O assalto detalhado

Segundo a nossa entrevistada, na madrugada de quarta-feira, 08, por volta das 3horas, o malogrado apercebeu-se da presença dos assassinos no quintal de casa.

“Como eu acabei por adormecer na sala, ele chegou até a mim e disse-me que estávamos a ser assaltados. Minutos depois”, continuou ”partiram o vidro da janela da sala com o cano da pistola, eram três, tão logo entraram, um deles perguntou ao meu filho de 4 anos onde estava o papá, o meu filho respondeu que o papá não está em casa, ele ofendeu o miúdo com filho da p..ta”. Insatisfeito, lembra a viúva, o marginal voltou a perguntar a criança de apenas 4 anos de idade, se o pai era polícia, a criança respondeu que não. Era bombeiro.

“Ele chegou até perto de mim e perguntou onde está o teu marido, respondi que não estava em casa, o assassino gritou que era melhor aparecer, antes que começo a matar a tua família”.

Mais adiante estava a primogênita do casal, de 12 anos de idade, a quem o meliante voltou a perguntar onde estava o papa, “não está em casa”, respondeu a menina, sem mais nem menos, lembra com dor a senhora, o assassino fez um disparo na cabeça da miúda e voltou a gritar “olha já matamos a tua filha, o próximo será o rapaz... foi daí que o meu marido saiu do esconderijo e alvejou um deles, como eles estavam com armas sofisticadas e em número superior, ripostaram e atingiram várias vezes o meu marido”, lamentou.

“Fiquei sem acção, perdi o chão, o menino de 4 anos me puxava na saia, abriu a porta e empurrou-me para fora de casa, daí me recompus e corri pedindo socorro na vizinhança, mas já era tarde, eles já haviam matado o Romde”. De seguida, os marginais socorreram o amigo alvejado e saíram do bairro efectuando vários disparos.

Vizinhos indignados com a tragédia  

 Vizinhos do malogrado falaram ao NA MIRA  e descreveram o oficial da polícia como sendo a melhor pessoa do mundo.

“Ficamos surpreendidos e ao mesmo tempo tristes, pela perda de um homem alegre e sempre bem disposto a prestar ajuda no que lhe fosse possível”, disse um dos vizinhos, acrescentando a máxima que, infelizmente,  as boas pessoas não demoram no mundo.

“O malogrado gostava de jogar a bola com os rapazes do bairro, ele não merecia isso, ouvimos os tiros, mas isso aqui é escuro e as casas estão afastadas umas das outras. Ainda Tentamos organizar uma corrente com catanas, mais foi envão, na retirada, eles fizeram mais tiros”.

Filha baleada recupera satisfatoriamente

O NA MIRA DO CRIME contactou fonte do Hospital Maria Pia onde está internada a pequena Emanuel Carina Soares António, de 12 anos de idade, e nos foi informado que a menina está a receber tratamento por uma equipa de profissionais, escolhidos a dedo pelo secretário de Estado da Saúde para Área Hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio.

Segundo a fonte, aguardam apenas pelas  reações do pós-cirurgia, para puderem fazer um novo diagnóstico.  “Até agora a evolução é satisfatória”, garantiu a fonte.

O malogrado deixa viúva e três filhos, e vai a enterrar neste sábado 11.

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