Oficial das FAA morre com tiro no pescoço durante manifestação em Luanda
Um oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA), com a patente de Capitão, oficial de Vencimentos e Abonos da Secção de Administração e Finanças da Unidade de Apoio do Estado-maior General, de nome Saidy Manuel João Ribeiro, de 41 anos de idade, foi atingido por um tiro, na região do pescoço, no sábado, 11, no distrito urbano do Rangel, município de Luanda, durante uma manifestação.
Por: Matias Miguel
Passados cinco dias desde o passamento físico do oficial, a família do malogrado aponta o dedo acusador aos agentes da Polícia Nacional que reprimiam a manifestação, enquanto a corporação nega os factos, e acusa os manifestantes de estarem por trás do assassinato do militar.
Josefina João, de 67 anos de idade, é a mãe do malogrado Saidy Manuel João Ribeiro. Inconsolável, a anciã teve que ganhar coragem para falar aos microfones do NA MIRA DO CRIME.

“No sábado, dia 11, recebi a comunicação que o meu filho tinha sido morto por agentes da Polícia que tentavam dispersar manifestantes com balas reais. Eu, Josefina, eduquei bem os meus filhos que eram apenas dois, o Saidy era calmo, não acredito que participava da manifestação, e como militar, ele sabia que é contra os princípios da doutrina”, lamentou.
De acordo com a mãe do oficial das FAA, o seu filho dirigia-se a uma loja para adquirir produtos alimentares, e ao passar próximo aos manifestantes, na hora e lugar errado, acabou por ser baleado mortalmente.
“Eu soube ainda que ele conseguiu exibir o passe de serviço, mas já com dificuldades, o povo ainda reclamou dizendo que ele era FAA e não era manifestante. O próprio povo revoltou-se com a Polícia, o povo gritava a polícia matou um FAA… quem matou o meu filho foi a Polícia, entreguei os dois filhos ao Governo, um era FAA e o outro é Polícia, agora estou a ouvir que eles não querem assumir a tragédia”, chorou, avisando que, se for o caso, vai entregar tudo nas mãos de Deus.

“Quero justiça, quero que a verdade venha a tona, peço que o chefe destacado para esta operação dê a cara e justifica a morte do meu filho porque, até num país sério, ele já deveria estar sob investigação”.
Marcos da Silva, de 46 anos de idade, amigo de longa data do malogrado, lembra com nostalgia o bom que era estar ao lado do amigo.
“A morte deste jovem nos surpreende muito, é trágico, quando soube que o Saidy morreu, não queria acreditar, só cai na real depois de ouvir choros. Não conheço inimigos do Saidy, era um jovem calmo, educado e sempre que o abordassem para alguma ajuda mostrava-se disponível, é uma perda irreparável para a família e os amigos”.

De acordo com familiares, Saidy estava para ser promovido amanhã, 17 de Dezembro. Deixaria a patente de Capitão para Major, o nome dele já constava na lista dos patenteados, ele aguardava este momento com muita alegria, o que deixa a família ainda mais desolada.
Saidy Manuel João Ribeiro foi a enterrar na terça-feira,15, no Cemitério do Benfica. O malogrado deixa noiva e três filhos.










