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Líder do Estado Islâmico morre em operação militar na Síria

Líder do Estado Islâmico morre em operação militar na Síria


Chegou ao fim a busca por um dos terroristas mais sanguinários do mundo. Neste domingo (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a morte de Abu Bakr Al Baghdadi, chefe do Estado Islâmico e alvo de uma operação militar americana na Síria.

"O mundo é agora um lugar muito mais seguro", afiançou Donald Trump no domingo, ao anunciar a morte do chefe do autoproclamado Estado Islâmico, Abu Bakr Al-Baghdadi, operada por militares norte-americanos na Síria. A garantia do Presidente dos EUA não significa, porém, o fim do Daesh nessa ou noutras regiões, onde os militantes radicais podem tentar voltar a restabelecer-se e vingar a morte do líder.

Foi Abu Bakr Al-Baghdadi quem, em 2013, anunciou a criação do autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS). O até agora líder representava, assim, uma forte ferramenta para a expansão da organização que procurou estabelecer-se como “Estado”.

A sua morte não impede, porém, que o grupo terrorista continue a tentar reerguer-se e a significar uma ameaça na Síria, no Iraque ou no Afeganistão. “Esta morte deixa o inimigo mais cuidadoso, mas a ideologia não morreu”, defendeu Chris Costa, antigo diretor da unidade de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional norte-americano.

Resta agora saber quem vai ficar com o legado daquele que foi um dos homens mais procurados do mundo durante os últimos seis anos. De acordo com o líder de uma milícia curda na Síria, um dia depois da morte de Al-Baghdadi, um outro ataque resultou na morte do homem que poderia vir a ser o sucessor do antigo líder.

Apesar de ser provável que o “Estado Islâmico” venha a escolher um sucessor para Al-Baghdadi, a prioridade neste momento aparenta ser a situação no norte da Síria, onde os militantes radicais podem estar a tentar restabelecer-se.

Ainda em setembro deste ano, a organização Estado Islâmico divulgou uma mensagem de áudio alegadamente gravada pelo líder, na qual este afirmava que “operações diárias” estavam a ser levadas a cabo em “várias frentes”.

O republicano Mike Rogers, do Comité da Câmara dos Representantes dos EUA para a Segurança Interna, explicou que “apesar de a morte do líder do grupo ser um enorme golpe, cerca de dez mil combatentes do ISIS continuam na região, levando a cabo ataques e procurando ocupar novos territórios”.

As forças de defesa no Iraque e Afeganistão acreditam que o poder do autoproclamado Estado Islâmico está a aumentar fora da Síria e a expandir-se nesses países, assim como no Paquistão, Irão, Índia Bangladesh e Indonésia.
As consequências da retirada de militares norte-americanos

Apesar de Donald Trump assegurar que o ISIS não possui o controlo de qualquer região da Síria, nos últimos meses houve sinais de que existem células terroristas a voltarem a formar-se, colocando em risco a segurança das populações.

No período que antecedeu a recente ofensiva turca no norte da Síria, a capacidade militar do autoproclamado Estado Islâmico encontrava-se bastante limitada, apesar de a célula permanecer ativa e de serem registados alguns ataques a norte do país, especialmente contra civis.

No oeste da Síria os ataques terroristas eram mais frequentes, depois de muitos dos antigos militares do ISIS se terem juntado a grupos jihadistas que levavam a cabo ataques contra o exército sírio e alvos russos.

Desde que a Turquia avançou com uma ofensiva a norte da Síria, depois de Donald Trump ter ordenado a retirada dos militares norte-americanos no local, o Daesh aproveitou a mobilização dos militares sírios para essa região para aumentar a atividade nas zonas que passaram a estar menos protegidas.

Essa tarefa tem, porém, sido dificultada pela falta de equipamentos militares e pela presença da Coligação Global para Derrotar o ISIS, liderada pelos Estados Unidos, na cidade síria de Deir al-Zour. Donald Trump já garantiu que os militares norte-americanos que aí permanecem continuarão na zona para proteger o petróleo.

Outra das hipóteses sobre a mesa é a de o autoproclamado Estado Islâmico utilizar a morte de Al-Baghdadi para reunir apoiantes que queiram vingar-se. A missão pode, porém, não ser fácil. Em 2014, o então líder do ISIS na Síria, Abu Ayman al-Iraqi, conseguiu reunir apenas seis militantes na linha da frente da última batalha que travou contra os militares sírios, acabando por ser deixado para trás e morto.
Rússia duvida da morte de Al-Baghdadi

O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, Igor Konashenkov, disse no domingo que o país não possui dados fidedignos sobre a morte de Al-Baghdadi.

“O crescente número de participantes diretos e países que alegadamente participaram nesta ‘operação’, cada um a fornecer detalhes completamente contraditórios, levanta questões e dúvidas legítimas sobre a sua existência e, especialmente, sobre o nível do seu sucesso”, explicou em comunicado.

“No sábado e nos últimos dias não foram realizados quaisquer ataques aéreos na zona de Idlib por aeronaves dos Estados Unidos nem pela chamada Coligação Global”, concluiu.

De acordo com Trump, os militares norte-americanos detonaram a habitação onde se encontrava Al-Baghdadi – vigiada durante cerca de duas semanas -, passando depois a enviar cães para o perseguir por um túnel, enquanto o líder utilizava três dos seus filhos como escudo humano. Terá acabado por fazer-se explodir, levando ao colapso do túnel.

A explosão terá deixado o corpo de Al-Baghdadi mutilado, mas Trump garante que um teste de ADN realizado no local confirmou a identidade do líder. “Morreu como um cão, morreu como um cobarde”, declarou o Presidente dos Estados Unidos.

Este domingo, Trump disse que pondera divulgar partes do vídeo da operação que levou à morte do líder do Estado Islâmico pelas tropas norte-americanas na Síria.

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