Caso Vunda: Marginais balearam a vítima na cabeça, arrancaram os olhos, desfiguraram o rosto e queimaram parte do corpo
Os crimes violentos em Luanda tendem a aumentar, qual deles o mais hediondo: Desde violadores que esfolam mulheres, mães que jogam filho para sarjeta, agora, como seres irracionais, fomos brindados com mais um crime hediondo que choca a sociedade luandense, e coloca em cheque a sanidade de muitos angolanos.
Por: Matias Miguel
O dia 18 de Abril vai continuar por muitos anos no seio da família Ferreira, como dia trágico. Foi nesta data que o jovem Vunda Mendes Ferreira, de 38 anos de idade, estudante universitário no curso de Contabilidade e Gestão, saiu de casa para nunca mais voltar.
Miguel Helena António, de 69 anos de idade, avó do malogrado com quem repartia o mesmo tecto, em entrevista exclusiva ao NA MIRA DO CRIME, disse que o neto saiu na manhã de segunda-feira 18, em direcção a um encontro com as irmãs da Igreja.
“Saí de manhã e deixei o meu neto com os outros, no meu regresso, por volta das 11horas, informaram-me que o Vunda saiu, e nem sequer tomou o pequeno almoço”, recordou.
Preocupada, por volta das 16horas do mesmo dia, avó pediu ao irmão do Vunda que ligasse para ele, para saber onde estava.
“O irmão disse que falou com alguém ao telefone e disse que eles estavam já a caminho de casa”. Ouvido por este jornal, o irmão do malogrado, de 16 anos de idade, explicou que tomou conhecimento que Vunda teria um encontro com alguém por volta das 14 horas no zango.
“Quando eram 18horas, a namorada dele ainda falou com ele, por telefone, e não terminaram a conversa porque a chamada caiu, mais ele volta a enviar uma mensagem a dizer que o saldo tinha terminado", explicou.
Três dias de buscas
Desde o momento que o jovem falou com a namorada, ficou incontactável, preocupando os familiares que começaram uma busca em todos os locais possíveis. De segunda a quarta-feira, Vunda foi encontrado já sem vida num matagal no município de Talatona, imediações do Estádio 11 de Novembro, com vestígios de agressão.
António Mendes Pascoal, tio do malogrado, lamentou o estado em que encontraram o corpo do sobrinho.
“O corpo ficou completamente maltratado, com sinais de agressão com objectos contundentes, arrancaram-lhe os olhos, foi baleado no abdómen e na cabeça, estrangularam o rosto, queimaram-lhe as costas e por final jogaram-no num matagal”, deplorou.
Segundo o tio, quem observar o corpo do sobrinho, facilmente percebe que se trata de um ajuste de contas, carregado de pura vingança.
“Foi morto com muita selvajaria, e penso que foi mais de uma pessoa, o meu sobrinho era corpolento, infelizmente teve uma morte que ninguém quer ter, não se faz isso a um filho ou irmão de alguém”, lamentou, reflectindo que, se porventura este tivesse envolvido em dívidas, que duvida pelo carácter do sobrinho, não deveriam tê-lo morto daquela forma.
“O Vunda era uma pessoa bem-sucedida na vida, interagia com o pai na área de negócios a partir da Lunda Norte, estragaram uma vida de sucesso”, lastimou.
Família suspeita de um jovem apenas conhecido por Azap
De acordo com familiares de Vunda, na sexta-feira, 15, o malogrado teve um desentendimento com um jovem do bairro apenas conhecido por Azap, por causa de um telefone.
O jovem fazia ameaças de morte, ele dizia que se Vunda não devolvesse o telefone, iria ver o que haveria de lhe acontecer.
“A briga durou dois dias, Azap alegava que deu nove mil ao Vunda para arranjar um telefone, mas o Vunda dizia que pagou 14 mil nos Congolenses, por isso exigia os cinco mil acrescidos”, contaram, porém, Azap não aceitava e prometia retaliação.
“Os miúdos já foram para casa dele saber se ele tem alguma coisa com isso, o que sabemos é que ele está foragido, daí a nossa desconfiança, se ele não tem nada haver com o caso, que apareça”, exigiram.
O NA MIRA DO CRIME sabe que o caso segue os trâmites normais no SIC-Luanda, e tem o nº de processo 4095/022.
O malogrado deixa noiva e vai a enterrar nos próximos dias.










