SIC confirma morte de cidadão desaparecido há 39 dias, corpo terá sido enterrado na "Vala Comum"
João Simão Francisco, mais conhecido por Jojó, de 33 anos de idade, desapareceu do seio familiar por volta das 6horas do dia 14 de Março do ano em curso, no município de Viana, Distrito Urbano do Zango, e foi encontrado sem vida por efectivos do SIC-Luanda, estacionados na Esquadra do Zango Zero, município de Viana, no dia seguinte, nos arredores do Mercado Mama África.
Por: Matias Miguel
Segundo o irmão da vítima, Lau Simão Francisco, Jojó foi encontrado com o corpo queimado. Mas a família só terá se apercebido do infortúnio 39 dias depois.
“O Jojo é o terceiro filho da minha mãe, numa família de 8 irmãos, era pedreiro e trabalhava por conta própria, não era de passar a noite fora, a partir do dia 15 de Março começamos a procura-lo em tudo quanto é esquadra e hospitais mas não encontramos nada”, contou.
Desesperados, conta o familiar, lançaram um grito de socorro nas redes sociais, colocando fotos de desaparecido.
“Dias depois fomos”, explicou, foram a TV-Zimbo na rubrica procura e achados, na intenção de alguém o reconhecer e ligar para a família.
Enquanto a família do malogrado condoía-se com o desaparecimento do jovem, receberam uma chamadas telefónica de um cidadão, identificado apenas por Pedro, que assumia ter sequestrado o Jojó, exigia 150 mil Kwanzas para o resgate.
“O senhor dizia ter sequestrado o Jojó no km 30, e naquelas condições estavam mais seis pessoas”.
De acordo com a família, a negociação durou dois dias, “depois contactamos a polícia, que nos confirmou que era burla, e a pessoa no outro lado da linha, já efectuava chamadas a partir daquele número, não registado”.
No entanto, o número de conta com o qual o burlador receberia o dinheiro, está registado no Banco de Fomento Angola com o nome de Manuel Chinguto Longuemba.
Trinta e nove dias depois, a família diz que foi comunicada através de um efectivo do SIC do Zango Zero, que tinha imagens de um corpo com as características do Jojó.
“O SIC-Luanda fez a remoção de um corpo no Zango II, próximo ao Mercado Mama África, no dia 15 de Março, confrontamos às fotografias e era de facto o meu irmão”, lamentou.
De acordo a Lau, o SIC-Luanda informou que no dia 15 de Março, por vota das 07horas, tomaram conhecimento através de populares, da existência de um corpo, que foi queimado por supostamente ser assaltante.
Família diz que o jovem era honesto e trabalhador
“Não acreditamos na acusação, o meu irmão tinha outros defeitos, menos gatunos, ele até gostava de namorar, mas era uma pessoa íntegra, com mulher e filhos”, revelou, acrescentando que, existe outras razões para que o irmão fosse morto, menos gatuno.
Queremos o corpo do nosso irmão, queremos que se faça justiça, e se foi morto e queimado porque roubava, roubou aonde e onde está o queixos?”, questionaram.
“Tem que existir uma casa, empresa, alguém que o culpa, o SIC tem matéria investigar, tem que se dar uma explicação à família”, exigiram. O NA MIRA DO CRIME sabe que foi aberto um processo, e está com o número 1691/22.
A família diz que foi informada por efectivos da Investigação Criminal que o corpo esteve duas semanas na Câmara 5 da Morgue Central de Luanda. Passado tempo sem ser identificado, foi sepultado na “Vala Comum”.
Responsabilidade de enterros de corpos não identificados é do GPL
Contactado via telefone por este jornal, o Porta-voz do Serviço de Investigação Criminal de Luanda, Superintendente-chefe Fernando Carvalho, explicou que a responsabilidade de remoção de cadáveres é do SIC, depois de não identificado, o corpo é depositado na Câmara 5. Quanto a enterro, depois de muito tempo sem ser identificado, o Oficial explicou que é de responsabilidade dos serviços comunitários do GPL. Porém, sublinhou que, como há registos nas morgues, a família pode exigir que se faça exumação do corpo.
O NA MIRA DO CRIME tentou contactar o director dos Serviços de Cemitérios do governo provincial de Luanda, Filipe Mahapi, mas fomos informados que está indisponível por motivos de saúde. Este jornal sabe que o malogrado deixa viúva e sete filhos.










