Jovem com perturbações mentais espancado até a morte depois de ser observado no Hospital Américo Boavida
Um jovem de 34 anos de idade, que sofre de perturbações mentais, de nome José Luciano, foi morto no Golfo 2, por pessoas ainda não identificadas, com pedras, blocos, paus, facas depois escapar das mãos dos familiares, quando saíam do Hospital Américo Boavida.
Por: Ngunza Chipenda e Matias Miguel
De acordo com a irmã do malogrado, Telma Luciano, de 23 anos de idade, na tarde de quinta-feira, 28, deslocaram-se da casa onde vivem, no bairro Dangereux, município de Talatona, até ao Hospital Américo Boavida, porque o irmão apresentava sinais de perturbações mentais.
Postos no hospital, por volta das 14horas, a equipa médica resistia ao atendimento, por estar em greve, sendo, por isso, implorados para que o irmão fosse atendido, uma vez “que estava muito mal”.
“Graças a uma médica que se compadeceu connosco, amarraram o meu irmão, tiraram sangue, e pediram que regressássemos na segunda-feira para realizar alguns exames, uma vez que, sendo já 15 horas, a Consulta Externa já estava encerrada, e já não havia o que fazer.
Recebido o papel do referido exame, a família rumou para casa, e, nos arredores do bairro Golfo, 2, nas proximidades do Kero Xiami, o jovem piorou, reclamava que queria descer do táxi, e caso assim não fosse, partiria o vidro da viatura.
“O motorista e o cobrador, pelas ameaças, mandaram-nos descer. A mãe como tem problemas da perna, não consegui seguir o ritmo, avançou com o táxi”. Luciano e mais duas irmãs, desceram.
Tão logo desceram, conta a irmã, o jovem escapou das mãos das irmãos e correu até bairro ao interior do bairro, adjacente ao Kero.
“A minha irmã lhe seguiu e conseguiu lhe alcançar”, recorda Telma.
“A minha irmã implorava para ele voltar, depois de muita insistência, ele aceitou, pediu apenas que queria fazer xixí”. Assim foi, mas tão logo terminou de urinar, colocou-se outra vez em fuga.
“Ainda pedimos socorro para pessoas que estavam ao lado, mas ninguém se sensibilizou, a minha irmã corria como uma maluca, mas ele escapou”, lamentou. Como já estava a se fazer noite, as irmãs do malogrado decidiram regressar para casa, para voltar à busca dia seguinte.
E assim foi, por volta das 5horas de sexta-feira, 29, colocadas no local, moradores diziam apenas que ouviram relatos de um jovem que batia portões a pedir para entra na sua casa.
“As pessoas foram lhe expulsando, pensando que era delinquente, e quando eram por volta das 12horas, a minha mãe também saiu para procurar o meu irmão, e alguém lhe disse que tinha visto o Luciano na zona do golfo 2, mas estava morto”, explicou, acrescentando que, para melhor informação, dirigiram-se a esquadra do Projecto Nova Vida, onde foram informados da remoção de um corpo que havia sido brutalmente espancado.
“Eu e o meu cunhado fomos até a Morgue Central de Luanda, e encontramos o corpo dele na Câmara 5, todo machucado, cara desfeita…ele tinha ferimentos de faca no corpo, devem ter batido nele com paus, pedras, facas…infelizmente a polícia não sabe nada, só temos a lamentar que o hospital tenha mandado para casa um doente que precisava muito da ajuda deles ”, chorou.
Adolfo Luciano, pai do malogrado, de 62 anos de idade, lamenta a atitude dos médicos, visto que, quando esteve diante do médico em serviço, o filho já mostrava sinais de perturbações porque retirava a caneta do bolso do médico, o que por si, exigia uma transferência para um hospital especializado ou a permanência naquele mesmo hospital.
“Mesmo se estão em greve, há sempre uma equipa que deve cuidar de casos mais críticos”, atirou.
A mãe de Luciano, Antonita da Costa, em choros, lamenta a perda do filho, e diz que o filho era pessoa de bem.
“As pessoas são muito maldosas, ele estava doente, o que deveriam ter feito era chamar a polícia, mas começaram a lhe correr, ele foi andando até ser morto…”, chorou.
A família diz que ouviu de moradores do referido bairro, que o jovem foi morto num quintal habitado, onde foi brutalmente espancado na noite de quinta-feira, 28, enquanto gritava por socorro.
“Depois de mataram o meu irmão, arrastaram o corpo até uma lixeira”, lamentou a irmã, exigindo investigação por parte do SIC.
O NA MIRA DO CRIME sabe que o malogrado deixa viúva e três filhos.










