João Rendeiro: Banqueiro português encontrado morto numa prisão da África do Sul - Na Mira do Crime
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João Rendeiro: Banqueiro português encontrado morto numa prisão da África do Sul

João Rendeiro: Banqueiro português encontrado morto numa prisão da África do Sul


João Rendeiro foi encontrado morto na cadeia de Westville, em Durban, na África do Sul, avançou a advogada do ex-presidente do BPP, June Marks. 

O Ministério Público de Durban disse à advogada que João Rendeiro foi encontrado enforcado na cadeia. As autoridades portuguesas também já foram informadas sobre a morte de Rendeiro, apurou a SIC. O ex-banqueiro seria novamente presente a tribunal esta sexta-feira.

Os Serviços de Investigação Criminal (SIC) de Angola colaboraram com a Polícia Judiciária (PJ) de Portugal e da África do Sul na localização e outras deligências policiais para a captura do empresário português João Rendeiro, foragido da justiça, após ter sido julgado e condenado à prisão por diversos crimes.

Segundo o director nacional da PJ de Portugal, Luís Neves, o empresário João Rendeiro havia sido localizado na África do Sul, para onde fugiu a 18 de Setembro de 2021 ido do Reino Unido, depois de negar cumprir a sentença de prisão pronunciada em Tribunal.

As autoridades portuguesas, reconheceram o papel de Angola na ponte com a África do Sul para detenção do malogrado.

 

Os problemas do BPP que levaram à queda de Rendeiro

O Banco Privado Português (BPP), criado em 1996 e detido pela Privado Holding, de que João Rendeiro era um dos principais acionistas, caiu na sequência da crise financeira internacional.

Com o corte de rating da agência Moody"s no final de 2008, João Rendeiro, que liderava o banco, pediu ao Estado uma garantia para poder obter um financiamento de 750 milhões de euros junto do Citigroup, mas o Banco de Portugal não autorizou e o BPP acabaria por perder a licença para operar no dia 16 de abril de 2010 e teria início a sua liquidação.

Entre 2008 e 2010, uma nova administração, nomeada pelo Banco de Portugal e liderada por Fernando Adão da Fonseca, tentaria uma recuperação da instituição. Foi negociado um empréstimo junto de seis bancos nacionais no valor de 450 milhões de euros, com garantia do Estado, mas essa injeção de capital não chegou para salvar o banco que geria fortunas.

Ainda antes da decisão de liquidar o BPP, em 2009, o banco começaria a ser investigado pelas autoridades, devido a suspeitas de irregularidades. João Rendeiro seria alvo não de um, mas de vários processos judiciais ao longo destes anos, resultando em condenações com pena de prisão efetiva.

A queda do banco deixou, segundo dados da Comissão Liquidatária do BPP, seis mil credores com 1600 milhões de euros a receber, 450 milhões dos quais créditos garantidos pelo Estado, 950 milhões de créditos comuns e 200 milhões de créditos subordinados (os que são pagos em último lugar em caso de insolvência).

Os ativos líquidos do banco quando entrou em liquidação eram de 700 milhões de euros, montante insuficiente em 900 milhões para fazer face às responsabilidades assumidas.

Passada mais de uma década, o processo de liquidação ainda não foi dado como terminado e a comissão liquidatária tem sido alvo de muitas críticas por parte da Associação Privado Clientes, que representa lesados do BPP. Já foram pagos um total de 405 milhões de euros ao Estado, mas os pagamentos aos credores comuns ainda não começaram.

Os clientes de retorno absoluto foram indemnizados pelo Fundo de Garantia de Depósitos (até 100 mil euros) e pelo Sistema de Indemnização aos Investidores (até 25 mil euros) em abril de 2010. Foi a única vez que o Fundo foi chamado a reembolsar depositantes.

C/DV

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