Suposta morte do marginal mais perigoso de Luanda - Vídeos mostram polícias a 'executar' cidadãos - Na Mira do Crime
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Suposta morte do marginal mais perigoso de Luanda - Vídeos mostram polícias a 'executar' cidadãos inocentes

Suposta morte do marginal mais perigoso de Luanda - Vídeos mostram polícias a 'executar' cidadãos inocentes


Efectivos da Polícia Nacional afectos à Direcção de Investigação e Ilícitos Penais (DIIP) davam conta, na sexta-feira, 13, de terem morto o “marginal mais temido do Município de Luanda”, identificado por Onésimo, pertencente ao grupo "Os 11", exibindo um rosto qualquer. Na verdade, e numa investigação paralela, o NA MIRA DO CRIME (e podemos provar com vídeos) descobriu que as pessoas mortas na operação eram inocentes, tratando-se de um motoqueiro e passageiro que vinham do Bairro Operário.

Por: Matias Miguel

Familiares do jovem que em vida se chamou Hermenegildo Virgílio António, de 24 anos, mais conhecido por Gilipada recorreram ao NA MIRA DO CRIME para apresentar a sua revolta à versão que a Polícia apresenta, quando diz que "em troca de tiros, vitimou o líder do grupo (Os 11) que actuava no Município de Luanda" fazendo referência à morte dos dois jovens que seguiam em uma moto.

Segundo dados apresentados por testemunhas, citadas por familiares, o motoqueiro foi atingido depois de percorrer aproximadamente 100 metros em sentido contrário.

De acordo com a irmã do malogrado, Gisela Correia, de 28 anos de idade, o Gilipada como era carinhosamente tratado, não era marginal como se fez crer.

"As 22 horas, recebi o telefonema dos motoqueiros da Placa dele, anunciando que o Gilipada foi morto pela Polícia, acusado de ser marginal", relatou acrescentando que ele exercia a actividade de motoqueiro há cerca de oito anos; "só foi morto por estar na hora e lugar errados".

 "A Polícia não pode vir a público afirmar que matou o marginal mais temido do Município de Luanda; ele tem mulher e três filhos, sacrificava-se para sustentar os seus", afirmou.

No local, a família do malogrado conseguiu obter um vídeo em que aparece um agente policial a tirar uma pistola do coldre e a colocar ao lado do cadáver, como se pertencesse ao motoqueiro.

"A Polícia matou um motoqueiro e o passageiro que nem sequer tinham armas", esta afirmação foi prestada pelos motoqueiros presentes no local.

"O meu irmão, depois de estacionar a motorizada dirigiu-se ao agente implorando-o para que não o matasse, mas para nada serviu e disparou no abdómen", relata, tendo revelado mais adiante que o outro agente, depois de consumada a morte, repudiou a atitude do colega, na presença de motoqueiros.

"Mataste um inocente", teria dito o agente.

Félix Bonifácio, tio da vítima, alerta para o perigo que pode advir do assassinato, uma vez o verdadeiro marginal, o tal mais perigoso do município de Luanda, continua à solta.

"É óbvio que, neste momento, ele está aí a andar com as mãos nos bolsos e assobiando", supõe, e avisou que Polícia não pode aparecer por aí, manchando o bom nome das famílias, atribuindo-lhes pseudónimos de marginais.

"A família Vergílio António granjeia algum respeito e disso não abro mão; e aproveito esta ocasião para exigir da polícia um pedido desculpas públicas e a que justiça seja feita", exigiu.

Só demos 'mbaia'

A nossa reportagem saiu do bairro do Cortume, município do Cazenga, na casa do óbito e rumou para a "Placa' a que pertencia o malogrado, nas imediações do mercado dos Congolenses.

Ouviu os colegas e o testemunho do motoqueiro com quem o malogrado saiu da Placa às 21 horas para dirigirem-se ao Bairro Operário. Francisco Ambriz, de 27 anos, disse que saíram com o propósito de levar dois passageiros para o Bairro Operário.

No entanto ao local onde havia a antiga DINIC, para encurtar a caminhada, passaram debaixo do edifício da Samirana e, do outro lado da estrada, estava a Polícia motorizada vulgo 'Pin Puk'.

"Ao se aperceberem da nossa atitude vieram atrás de nós, eu preferi parar e o Gilipada continuou.

Fui abordado e pedi desculpas, e exigiram-me dez mil Kwanzas, mas assim que estávamos a discutir o preço, ouvimos três disparos de arma de fogo", narrou, afirmando que, não tardou, passou alguém que disse: mataram aí dois moços que seguiam numa motorizada.

"Os Agentes largaram-nos e fomos todos ver o que se passava. Foi quando encontrei o meu colega a contorcer-se com dores no abdómen, os populares disseram-me que deram-lhe um tiro", relatou.

Ao querer esclarecer que se tratava de um motoqueiro, seu colega, a polícia, também ameaçou-o, facto que suscitou repulsa da população ante o comportamento dos agentes da polícia.

"O passageiro estava a discutir com o Chefe da missão conhecido por Mamadhu, insatisfeito, o agente assassino ordenou o chefe para mata-lo, mas este disse que não era necessário matar”.

Acontece que, quando o passageiro já ia a cerca de 30 metros, o assassino foi atrás dele e disparou um tiro.

Polícia sem tom nem som

A reportagem deste jornal contactou o Comandante Nacional da Direcção de Investigação e Ilícitos Penais (DIIP), mas este ficou estupefacto e prometeu observar o vídeo.

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