China pressiona Taiwan com fogo real e cerco naval - Na Mira do Crime
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China pressiona Taiwan com fogo real e cerco naval

China pressiona Taiwan com fogo real e cerco naval


Assim que Nancy Pelosi aterrou em Taipé, começou a quarta crise do Estreito de Taiwan. A China mostra a sua força militar por mar e ar e ensaia um bloqueio à ilha. Pelosi prometeu apoio a Taiwan e insinuou que o "alarido" de Pequim pode ter a ver com o facto de ser mulher

A China tinha prometido que não ficaria de braços cruzados se Nancy Pelosi concretizasse a polémica deslocação a Taiwan, e que daria uma resposta “forte e firme” perante essa “provocação”, vista como uma interferência nos assuntos internos chineses, e um desafio à sua soberania e integridade territorial. Pelosi cumpriu o desejo de aterrar em Taipé, e no mesmo instante Pequim cumpriu com as ameaças de responder de forma “sem precedentes”.

Demonstrações de poder militar, sanções económicas, ataques cibernéticos - houve um pouco de tudo nas horas a seguir à chegada de Pelosi.

A Administração Biden já garantiu que não se deixará intimidar, nem arrastar para um conflito, e assegura que nada na viagem de Pelosi muda o status quo na região ou viola a política de "uma só China".

A China permite-se discordar, e o Global Times, jornal em língua inglesa do Partido Comunista Chinês, escreveu hoje essa discordância: "Desta vez, o mundo inteiro viu claramente quem está a mudar o status quo no Estreito de Taiwan, quem provocou primeiro, e quem está a minar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan."

O mesmo editorial denuncia a "mentalidade hegemónica e lógica de gangster" dos EUA, e garante: “As contramedidas da China não serão pontuais, mas uma combinação de ações a longo prazo, resolutas e em constante avanço. (...)  As contramedidas da China têm como objetivo fundamental promover o processo de reunificação nacional." Ou seja, a reanexação de Taiwan.

A ilha passou a noite a ver os clarões e a ouvir os estrondos de disparos das forças chinesas para o Estreito de Taiwan, para além de ter registado a entrada não autorizada de 21 aviões chineses no Espaço de Defesa Aérea taiwanês.

O ministro da Defesa de Taiwan disse, já esta quarta-feira, que as manobras militares da China violam as regras da ONU e invadem as águas territoriais da ilha, e considerou que “esta é uma movimentação irracional para desafiar a ordem internacional”. Também o governo do Japão condenou os exercícios militares chineses, acusando navios de Pequim de estarem a violar a zona económica exclusiva nipónica.

Seguindo alinhamentos políticos e geoestratégicos previsíveis, a China também recebeu o apoio de diversos países que censuraram os Estados Unidos por esta "provocação". Foi o caso da Rússia e da Coreia do Norte, vizinhos e dois aliados tradicionais de Pequim, mas também de países como Cuba e a Venezuela.

Na noite de terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês emitiu um comunicado em que acusava os EUA de “violação severa do princípio de uma só China” e de “violar seriamente a soberania e a integridade territorial da China”, o que terá “um impacto severo na base política das relações China-EUA”.

Taiwan cercada por todos os lados

Quase em simultâneo, o Ministério da Defesa chinês anunciou a realização de um conjunto de manobras militares entre 4 e 7 agosto como aquela região nunca viu, com exercícios com fogos reais em seis zonas a toda a volta de Taiwan, nomeadamente área muito perto de Taipé no norte da ilha.

O plano de Pequim significa, na prática, que Taiwan ficará cercada por navios de guerra chineses, no que poderá ser um ensaio de um bloqueio à ilha ou de mais “exercícios” deste tipo ao longo dos próximos tempos, perturbando o comércio marítimo de e para Taiwan.

A perturbação das rotas marítimas e da aviação comercial foi um dos efeitos dos exercícios militares que a China desenvolveu ao longo de meses ao largo de Taiwan em 1995/96, na chamada "Terceira Crise do Estreito de Taiwan".

À época, a China desenvolveu campanhas sucessivas de assédio militar à ilha, com lançamento mísseis para o mar - Pequim quis com isso protestar contra o facto dos EUA  terem dado visto ao então presidente de Taiwan para discursar numa universidade, e perturbar as primeiras eleições presidenciais diretas no território.

Os chineses não conseguiram nenhum dos seus objetivos, mas apostaram ainda mais no alargamento e modernização das suas forças armadas - a capacidade e os meios do Exército de Libertação Popular de hoje não tem comparação com o dos anos 90. As atuais manobras militares também não.

Estes exercícios deveriam começar apenas na quinta-feira, depois de Pelosi deixar a ilha, mas assim que se começou a desenhar uma reação muito crítica nas redes sociais pela falta de resposta pronta da China, ficou a saber-se que as manobras de intimidação sobre Taiwan haviam começado de imediato. O primeiro sinal disso foi a entrada de 21 aviões de combate chineses no Espaço de Defesa Aérea de Taiwan.

Tanto observadores chineses como analistas internacionais concordam que as manobras militares agora anunciadas não têm precedentes nas várias décadas de tensão nesta região - seja do ponto de vista da sua escala e intensidade, seja pela proximidade em relação a Taiwan e à sua capital. 

Lü Xiang, um investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse ao Global Times que as movimentações da China não serão apenas uma ação momentânea, mas terão em conta "todo o mecanismo de segurança de Taiwan". "Com base nas informações divulgadas sobre os exercícios de 4 a 7 de Agosto, os seis locais cercaram a ilha de Taiwan de todas as direções, e poderá ser uma série de exercícios militares sem precedentes, destinados a realizar a reunificação pela força e também a lutar contra as forças externas que poderiam interromper o processo de reunificação", disse Lü.

CNN/Portugal

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