Fredid Roman: Jornalista mexicano assassinado horas depois de postar sobre estudantes desaparecidos
O jornalista mexicano Fredid Roman foi morto a tiros na tarde desta segunda-feira, 22, no sul do México, informam as autoridades locais.
A informação surge horas depois de o profissional de comunicação ter publicado um trabalho sobre o desaparecimento há oito anos de 43 estudantes de uma zona próxima da sua residência.
Fredid Roman, que publicou o seu trabalho de várias páginas online, foi encontrado morto no interior da sua viatura, na cidade de Chilpancingo, capital do estado de Guerrero.
O caso dos 43 estudantes de Guerrero, que desapareceram em 2014 depois de terem participado numa manifestação, é considerado uma das piores violações dos direitos humanos da história mexicana.
O caso voltou aos holofotes na semana passada, quando uma comissão da verdade classificou a atrocidade como um “crime de estado” que envolveu agentes de várias instituições.
Poucas horas antes da sua morte, Roman publicou um longo post no Facebook intitulado “Crime de Estado sem acusar o chefe”, no qual mencionou uma suposta reunião entre quatro funcionários no momento do desaparecimento dos estudantes, incluindo o ex-procurador-geral Jesus Murillo Karam.
Murillo Karam foi preso após a publicação do relatório da comissão da verdade na semana passada, enquanto dezenas de mandados foram emitidos para suspeitos, incluindo militares, polícias e membros de cartéis.
Não está provado se a recente postagem de Roman sobre os alunos desaparecidos foi a causa da sua morte.
Doze jornalistas foram mortos no México só este ano. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) aponta o número para nove. Alguns meios de comunicação local dizem que são no total 15 ou 16 jornalistas assassinados durante os últimos 8 meses.
Com cerca de 150 jornalistas assassinados desde 2000, segundo a RSF, o México é considerado um dos países mais perigosos do mundo para a imprensa. A maioria desses assassinatos permanece impune.











