Bandidos brincam com a Polícia no KM30: Cidadão de 47 anos morto à catanada por seu filho pertencer a grupo rival
Ambiente de tristeza, revolta, lamentação e clamor por justiça, foi neste cenário que o NA MIRA DO CRIME foi recebido por Maria Miguel (esposa), familiares e vizinhos daquele que em vida se chamou Afonso Manuel, de 47 anos, pedreiro de profissão, assassinado às 23 horas de sábado (15) por cinco marginais pertencentes ao "grupo Kangangas" no município de Viana, distrito da Baia, bairro João Luís Kanganga, tudo por causa do seu filho pertencer a um grupo rival.
Por: Matias Miguel
Maria Miguel, com o semblante carregado, as lágrimas correndo teimosamente pala face, quase sem forças para se manter em pé, aguardava a presença da viatura de remoção de cadáveres que, até às 09 horas que o NMC chegou ao local, ainda não se fazia presente, depois de ter passado a noite com o corpo do malogrado no interior da pequena residência de um só cómodo.
"O meu marido pressentiu que algo de mal viria a acontecer; foi assim que às 18 horas ordenou-me para retirar a bancada da rua e trancarmos a porta; a partir do interior da residência escutávamos barulho de arrombamento nas residências vizinhas”, contou.
Continuando, disse que às 23 horas sentiram que alguém empurrava a porta e o malogrado, “fazia força ao contrário dos agressores, mas como eles apresentavam vantagem, eram cinco indivíduos, conseguiram penetrar dentro da residência; tão logo entraram começaram a agredi-lo com golpes de catana.
Os marginais são conhecidos, os meus filhos reconheceram-lhes, são jovens do bairro".
Madalena Caquarta (vizinha) referiu que "neste bairro estamos muito mal, a partir das 19 horas já não se pode circular, os bandidos impõem ‘recolher obrigatório’, eles são conhecidos, passam o dia lá na ‘baixeira’ (no matadouro); às 19horas sobem para os bairros, violam, recebem material escolar, batem a quem não tiver dinheiro, eles mandam aqui no bairro”.
“Pedimos a quem de direito que nos acuda”, apela a senhora, dizendo que com uma esquadra móvel no bairro do João Luís, algo pode melhorar, uma vez que a esquadra de Polícia está localizada a mais de 15 quilómetros da zona.
“É muito distante; em abono da verdade nós vivemos com medo de amanhã não podermos acordar com vida. O malogrado era uma pessoa de bem, ajudava quando podia as vizinhas”.
Cristina Viada, irmã do malogrado disse que o seu irmão foi uma pessoa honesta, cidadão trabalhador, era o pilar da família de oito membros, “não encaixa na minha mente a forma como foi morto, esquartejado, como se de um cabrito se tratasse. Clamo por justiça, eu quero justiça, os jovens são localizáveis e portanto a justiça que faça o seu trabalho”, apela, acrescentando que “hoje é o meu irmão, amanhã poderá ser o irmão da Juíza, do Procurador e porque não do Ministro do Interior?
“Estes jovens estão a brincar com a Polícia, são detidos e meia dúzia de dias depois são soltos; nesta noite eles fizeram um arrastão, feriram um jovem que neste momento recebe cuidados no hospital do Capalanga e uma outra jovem com ferimentos ligeiros também vizinhos”.
Afonso Miguel morto por tabela
Sabe o NA MIRA DO CRIME de fonte conhecedora do caso, que um filho do malogrado é integrante de um dos grupos rivais dos “Kanganga”, dias antes entraram em disputa e essa acção deveu-se à retaliação.
A nossa equipa de reportagem chegou a fala com o jovem, mas quase não sacou nada, porque ele reservou-se falando com muito cuidado.
Os vizinhos atribuem a culpa ao jovem “aprendiz de bandido” de apenas 16 anos e dizem mais: “ele conhece os jovens que mataram o pai dele, como sente-se culpado não quer dizer nada, se o Serviço de Investigação Criminal (SIC) apertar este miúdo ele vai identificar todos os cinco porque ele conhece-os”, afirmam.
A este jornal, a irmã, também filha do malogrado, admitiu que reconheceu um dos marginais envolvidos na morte de seu pai.
NOTA: NA MIRA DO CRIME TEM REPORTADO VÁRIOS CASOS NESTA ZONA, E A POLÍCIA E O SIC QUASE OU POUCO TÊM FEITO PARA PÔR COBRO AS NOSSAS DENÚNCIAS.
O NMC tem assistido determinados homicídios aqui reportados; o que nos deixa indignados é a forma como as viaturas de recolha de cadáveres demoram longo tempo na recolha dos corpos, e quase sempre sem perícia.
O cadáver de Afonso Miguel ficou no local do crime, velado pela mulher e filhas, a noite toda, desde as 23 horas as 14 horas. É muito tempo, é um verdadeiro martírio para a família e não só!










