Marginal que violou, assassinou e enterrou duas jovens no quintal de um colégio condenado a 26 anos de cadeia
Nove meses depois, o Tribunal Municipal de Viana condenou, esta terça-feira, 25, o cidadão Paciência Gamba Figueira, de 32 anos de idade, a 26 anos de prisão maior, por ter matado por asfixia, em Novembro de 2021, as jovens Elisa Tati Sebastião Buana, de 19 anos de idade, e presumível assassinato de Alice Somateca Evambi, de 23 anos, e enterradas no mesmo buraco, no interior do Colégio SG Nzoji Yetu, no município de Viana, em Luanda.
Por: Matias Miguel
De acordo com a sentença, vai ainda o réu pagar dois milhões de Kwanzas de indemnização à família, 50 mil Kwanzas de taxa de justiça e dois mil Kwanzas ao defensor oficioso.
Três sessões foram suficientes para provar 38 quesitos dos quais três considerados indiferentes.
O Juíz Nelson Cabangage que assiste o processo nº 159/22-C dos Crimes Comuns da 1.ª Secção do Tribunal Municipal de Viana, condenou Paciência Figueira (Paixão) a 26 anos de prisão maior pelo crime de homicídio qualificado. 24 anos por homicídio e 2 anos pelo crime de roubo qualificado.
No referido processo, ficou provado que o algoz, depois de envolver-se sexualmente, asfixiou a vítima, tendo de seguida atado as pernas e as mãos, fitado a boca, cavado um buraco e enterrado o corpo.
"Até onde sei já não existem outros corpos" Paixão, o homicida, foi posto à prova em tribunal pelo Juiz que quis saber se, para além dos dois corpos encontrados no seu Colégio, existiam outros, ao que respondeu: "Não, Meritíssimo! Até onde sei, já não existem outros corpos. Nos arredores, também não existe mais nenhum”.
O Juiz sublinhou que Paciência Gamba Figueira foi condenado apenas no caso de Elisa Tati Sebastião Buana, estando em curso o processo de outro homicídio em que foi vítima Alice Somate Evambi, de 23 anos de idade, morta e enterrada com o mesmo 'modus operandi'.
Defesa do arguido pondera recorrer
António Cassua, advogado de defesa do réu, disse que não foi um exercício fácil a condição do seu consulente.
"Foram discussões acesas, argumentos de razão de direito de factos na instrução preparatória, que acabaram por dar luz à defesa para analisar o acórdão. Vamos estudar para ver se vamos interpor recurso ou não", disse.
"Sinto-me leve com a sentença aplicada"
Josefa Francisco Sebastião, mãe da malograda, em entrevista colectiva, disse que "26 anos de cadeia não justificam a sua perda, mas ele será punido. Sinto sim que a justiça foi feita e bem-feita, agora é só o processo não morrer por aqui. Os Juízes cumpriram com o seu papel".
Josefa disse que com sentença, sente-se honrada. "Quem duvidou da justiça, hoje pode ter certeza que ela existe", reconheceu, agradecendo também o trabalho do NA MIRA DO CRIME realizado ao longo do processo.










