25 anos de cadeia — Tribunal condena mulher matou e esquartejou o cunhado na “Vida Pacífica”
Irene de Matos e Silva, também conhecida por "Ira", de 30 anos de idade, foi condenada nesta quinta-feira, 15, a 25 anos de prisão por cometer um crime de homicídio qualificado, de que foi vítima o jovem que atendia pelo nome de Fernando Luanda Francisco (Yuda), de 27 anos, no apartamento 503, prédio 1, zona 3, bloco 3, na Vida Pacífica, no município de Viana, Distrito do Zango, no dia 25 de Fevereiro de 2021.
Por: Matias Miguel
Ao todo, Irene Silva foi acusada de dois crimes: um por homicídio qualificado, onde ficou condenada a 24 anos, e outro por sequestro em que foi condenada a 1 ano, arredondando em 25 anos de prisão maior, previstos e punidos pelo artigo 174 nº1 do Código Penal Angolano.
Ela deve indemnizar os familiares em dois milhões de Kwanzas e obrigada a pagar uma taxa de Justiça de 50 mil Kwanzas mais 10 mil para o Advogado Oficioso .
Analisado o processo nº 271 letra C/2022, o Magistrado Público junto da 10a Secção da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal de Comarca de Luanda, em Viana, Nelson Cabangage, absolveu Arnaldo Fernando Macongo Francisco, do crime de homicídio qualificado.
De acordo a acusação, o malogrado faleceu por asfixia mecânica resultante da oclusão dos orifícios respiratórios, provocando sufocação, sendo que a amputação das pernas aconteceu depois de morto, tendo havido manipulação do pescoço.
45 dos 48 quesitos foram aprovados.
Ficou provado, que os arguidos tiveram uma relação amorosa por cerca de cinco anos, em que Arnaldo, fez várias transferências monetárias para a sua amada Irene. Os valores monetários destinavam-se a negócios e consumo diário de Irene.
Ficou ainda provado que Irene criou um plano para se vingar de seu cunhado Fernando Luanda Francisco (Yuda), irmão de Arnaldo, e para atrai—lo criou um novo perfil no Facebook, com o personagem de Junice e passou a interagir com Yuda sem que este desse conta que se tratava de Irene Silva, namorada do seu irmão.
No entanto, na tarde do dia 25 de Fevereiro de 2021, Irene agendou um encontro com Yuda, no referido apartamento na Vida Pacífica.
Matreira que é, para não ser reconhecida pela vítima contratou uma prostituta, fazendo-se passar por Junice, o novo perfil dela. Assim que a vítima chegou ao apartamento, Irene e um comparsa conhecido por Marcos, esconderam-se num dos quartos, orientando a Junice para que servisse um prato de sopa, onde foram introduzidos comprimidos de Diazepam, um sedativo eficaz. Depois da ingestão da sopa, a vítima acabou por adormecer.
A partir desse momento, Irene e comparsa saíram do esconderijo. A arquitecta da operação pagou Kz 100 mil Kwanzas à prostituta e esta retirou-se imediatamente.
A dupla terminou a operação, fitacolou a boca, algemou os braços e amputou as pernas para os restos mortais caberem num bidão de 220 litros de cor azul que estava na residência.
48 horas depois, levaram os restos mortais para o Km 30, aonde os abandonaram, em plena via pública, próximo ao supermercado Platõ.
No dia 10 de Março de 2021, Irene, cria um terceiro perfil falso no Facebook e enviava mensagens ameaçadoras para Noé Fernandes, amigo do malogrado com os seguinte teor: "achas que me bloqueares é a solução? Hoje, acompanhei o teu percurso: estiveste no Sinfotec, depois em casa do Cussy e, por fim, na Taberna no Prenda.
Continuou: "Conheço tudo de ti, entre fazer o que fizemos com o Yuda, já me ia esquecendo, tens negócios promissores. Foi o Cussy que te injectou dinheiro, ou estás a usar o dinheiro que o Yuda deixou no Banco Bic?".
Para ela, "a morte do Yuda foi só aquecimento, agora é que vai começar o próprio filme".
Lucinda Francisco, irmã da vítima, disse que a família não está safisfeita com a pena de 25 anos de cadeia, "porque faltaram os outros assassinos, e a Irene conhece-os bem; deviam ser apanhados e obrigarem-nos a pagar pelo que fizeram".
Para Maria Paulino, tia, a pena foi baixa, se se ter em conta a maldade e crueldade com que maltrataram o corpo do seu sobrinho.
Irene traía o namorado com o irmão
De acordo com a tia, Irene traía o namorado com o Yuda (irmão), tendo em conta que quando Arnaldo arrendou um apartamento no KK 5000, e porque ele trabalha no mar, como mergulhador, onde ficava seis meses ou mesmo um ano, sob astúcia de Irene, ambos simularam um incêndio e subtraíram uma mala onde havia USD 30 mil, em 2017.
"O Yuda foi atraído para o apartamento, porque ele não sabia que era a Irene, porque depois do roubo do dinheiro do irmão, cada um tomou o seu rumo; esse foi um dos motivos que a assassina procurou vingar-se, cinco anos depois", rematou a tia.
No processo sobre a morte do irmão, Arnaldo Fernandos Macongo Francisco foi condenado por 30 dias, por posse ilegal de arma de fogo do tipo pistola de marca macaroff, encontrada no seu apartamento, e foi absolvido no crime de homicídio qualificado de que Irene dizia ser o autor moral.
Porque já esteve detido em prisão preventiva, os 30 dias de prisão por cumprir foram convertidos em multa de 15 mil Kwanzas diários e uma taxa de justiça de 50 mil Kwanzas.










