Agente do SIC acusado de estar envolvido no assassinato de pai e filha no Zaire
Um agente do Serviço de Investigação Criminal (SIC), identificado como Afonso Mbiavanga Pereira, destacado no município de Mbanza Kongo, província do Zaire, está a ser acusado de assassinato onde é vítima um cidadão de nome João Francisco Rolando, de 40 anos de idade e a sua filha, Ema João Rolando, de 9 anos de idade.
Por: Cambundo Caholua
Falando em exclusivo ao NA MIRA DO CRIME, Kuluba Rolando, irmão mais velho do malogrado conta que os factos se desenrolaram no dia 21 de Janeiro, quando Francisco Rolando deslocou-se da capital da província do Zaire (Mbanza Kongo), até ao município do Nzento, onde reside a sua mãe, com a finalidade de reparar uma electrobomba.
“Quando eram 15 horas do mesmo dia, a minha mãe tentou ligar várias vezes para o meu irmão para saber onde estava, devido a demora, mas este não atendia o telefone”, recordou, acrescentando que, como não era norma este não atender o telefone, preocupou a família.
As chamadas continuaram até o dia seguinte (22) e continuaram sem respostas.
Dada a ausência, na manhã do dia 22 de Janeiro, os familiares deslocaram-se até ao piquete do SIC em Mbanza Kongo onde formularam a ocorrência.
É assim que a irmã do malogrado foi alertada por um segurança da biblioteca Kimpa Vita, da presença de um cadáver naquela zona.
“Tão logo a minha irmã se aproximou do corpo, reconheceu que era o meu irmão”, chorou, sublinhando que os ‘matadores’ não levaram nenhum pertence da vítima.
“Ele estava com a carta de condução, os dois multicaixas, dois telefones, certificados de habilitações literária e 50 mil kwanzas, tudo ficou aí intacto”.
De seguida, contam os familiares, levaram o cadáver até a morgue de Mbanza Kongo, com intuito de se fazer autopsia e averiguar as causas da morte de João Francisco Rolando.
“Segundo o Doutor, o meu irmão foi agredido com pauladas na zona da testa e outra no lado esquerdo da cabeça”, contou, acrescentando que, o Doutor disse ainda os assassinos eram pessoas profissionais e bem treinadas.
“O meu irmão apresentava sinais de marcações de botas no corpo, indicando que também foi pisado por várias vezes. Este detalhe nos leva a deduzir que o autor do crime só pode ser o agente do SIC, porque este mantém uma relação amorosa com a ex-mulher do meu irmão e há sempre fricções entre eles”, acusou.
Filha assassinada
A família alega ainda que o efectivo é o mesmo que assassinou a filha do malogrado em 2019, porque esta fazia queixa ao pai sobre o caso passional dos dois.
“O meu irmão foi assassinado porque estava a procura de provas para se encontrar o culpado da morte da sua filha, então, os assassinos, preocupados em serem descobertos, eliminaram também o pai”, deduziu.
Kuluba Rolando diz que o SIC-Zaire está a proteger o acusado, uma vez que já foram feitas várias queixas e o caso mantém-se engavetado.
"Já fizemos várias queixas, mas o processo continua parado, porque a direcção do SIC no zaire está a acobertar tudo e não querem investigar como deve ser. O meu irmão foi estudante, estava a frequentar 1º ano da faculdade, no curso de Telecomunicações, foi uma boa pessoa, por isso queremos ver esses assassinos na cadeia’’, exigiram.
O NA MIRA DO CRIME ouviu o Porta-voz do SIC-Geral, Superintendente-chefe, Manuel Halaiwa, que também presume que se trata de uma “morte criminosa”.
“As investigações estão a um bom curso”, disse, garantindo que a instituição SIC não vai descansar enquanto não se encontrar os verdadeiros criminosos.
Halaiwa descarta a possibilidade do envolvimento do agente do SIC, na morte de João Francisco Rolando e da sua filha, afirmando que não há conexão ou uma relação nos dois assassinatos que provam as atais acusações da família.
Por outro lado, o porta-voz disse que o agente acusado, no caso, Afonso Mbiavanga Pereira está disposto a prestar qualquer declarações no momento exacto e prometeu trazer mais dados assim que o processo for concluído.










